(...) Eu abri o portão e ele não me ama mais. Cheguei no meu quarto e ele não me ama mais. Liguei a tv e ele não me ama mais. Olhei um filme e ele não me ama mais. Tomei um banho e ele não me ama mais. Me vesti e ele não me ama mais. Me maquiei e ele não me mais. Arrumei meu cabelo e ele não me ama mais. Coloquei um salto e ele não me ama mais. E saí e ele não me ama mais. Mas no primeiro sorriso que eu dei depois da guerra perdida eu já percebi que eu não precisava mais fazer as coisas com uma certa tristeza, porque eu ainda me amo muito, e finalmente, essa é a única coisa que importa. Sem dúvidas, sem lutas, sem loucuras. Eu me amo. E isso vai ter que bastar.
Esqueceram de me avisar que procurar motivos pra viver é uma luta eterna, e que essa guerra é só minha, embora nem sempre eu esteja sozinha. Esqueceram de me avisar que o mundo não é justo e que a verdade nunca é uma só. Não há fórmulas certas pra ser feliz. Esqueceram de me avisar que eu não posso me entregar na mão de ninguém, pois mais cedo ou mais tarde as pessoas vão embora e eu vou ter que saber o que fazer comigo. Esqueceram de me avisar que a vida é curta, mas se eu não souber viver ela será mais curta ainda. Deveriam ter me contado que existir quase nunca é fácil, mas que sumir do mundo é bobagem quando se lembra que amanhã é outro dia e tudo pode acontecer. É natural se perder de vez em quando, só não desista de se encontrar.
Te esquecer é uma questão de costume. Associei o meu amor á sua voz me pedindo pra não ligar mais. E agora quando sinto vontade de te ver, a vontade de fugir é maior. E quando bate aquela carência de mulherzinha abandonada me olho no espelho e percebo que sou muito gostosinha pra fazer esse papel. E desde aquele dia eu resolvi destruir todas as pontes que me levavam até você. E hoje quando penso na gente, parece tudo tão distante que eu mal consigo lembrar que cor eram os teus olhos, embora ainda lembre da sensação de olhar pra eles. Esquecer é uma questão de aprender a desgostar. E você tem me ensinado a fazer isso do pior jeito possível. Do jeito eficiente. E isso dói ao mesmo tempo que alivia. É como se eu estivesse apanhando tanto que minha alma começa a ficar dormente até não sentir mais nada. É o meu jeito de me curar. Me destruir pra destruir o que tem de seu aqui. Depois eu me refaço só com coisas minhas. Porque no fim, a única coisa que vai apanhar até morrer nessa história é a minha paixão por você. E eu vou sair inteira, mesmo que com alguns pedaços a menos. Pedaços que nunca foram meus mas que carreguei por algum longo tempo. Pedaços seus. Pedaços nossos. Agora, lixo.
É a minha felicidade me provando que eu nunca deveria tê-la colocado no sorriso ou no toque das mãos de outra pessoa. Porque agora você foi embora e nenhum outro sorriso me dá planos como o teu me dava. E quando você toca outra mulher, dá minha felicidade pra ela. É a vida me mostrando a inutilidade dos sentimentos quando alguém não volta mais pro meu colo, porque agora você pediu pra me perder e eu não consigo mais me encontrar.
Você vai me dizer que a vida é assim mesmo e me provar que eu sou só mais uma apaixonada patética que não se cansa de testar o limite de sofrimento que suporta. As suas respostas eu sei decor e você não se esforça pra me surpreender. Mostrando que não se esforça mais pra nada que seja por mim. A que ponto cheguei.De novo me atirando nesse esgoto pra tentar consertar as coisas que já foram pelo ralo. Me vejo tão boba. E tão corajosa. E tão insistente. É bom ser corajosa, mas preciso aprender a ir embora. Essas tuas partidas doem tanto. E eu continuo aqui, parada e dolorida te escrevendo minhas loucuras. Vou saber lá em que braços você anda se jogando por aí e que promessas você tem feito por aí. E eu aqui guardando meus braços e promessas pro fim do mundo. Que com certeza vai chegar antes de você. Volta pra mim o caramba. Preciso parar com essa mania de te amar, e começar a me amar um pouco mais.
Ele me surpreendeu do pior jeito possível. Foi de cara, num susto. Ele voltou praquele lugar que ele já conhece bem, pro colo daquela que já esteve no passado. E eu nem cogitei essa hipocrisia quando escrevi aquelas coisas piegas. De repente, me sinto tão bobinha que eu quase sinto vontade de me jogar de algum lugar alto. A partir de hoje não escrevo mais cartas porque é sempre invevitável enviar, e ele não merece mais a intimidade que ele tinha quando eu escrevia pra ele. A intimidade dele não é mais minha, e a minha não é mais dele. Nossas vidas se separaram num trecho sem retorno e aquele amor não pode mais vencer a força do desencontro. Porque agora ele diz te amo pra ela. E eu me esforço pra gostar pelo menos um pouquinho de alguma outra coisa que não seja ele. E se antes eu queria outra resposta, agora não quero mais ouvir nada. Não quero esperar mais nada. Não quero saber mais nada. Nada. É isso que eu quero dele. Pra sempre.
Só sei que eu não tenho mais nada a perder, e não me consola pensar que não há mais erros a cometer porque não há mais ninguém pra me perdoar. É a condição da solidão absoluta. E mesmo que o acaso tenha me tirado muita coisa, no fundo eu sei que as mais importantes foi eu quem joguei fora.
Eu e minha vidinha, provando pro universo que a história por aqui é muito mais interessante que a sua. E é. Inédita. Mas ás vezes eu ainda tento te imaginar vivendo por aí. Sem mim. Mas dá uma preguiça de pensar em vocês quando eu lembro que não tem mais eu pra movimentar essa vidinha chata que deve tá rolando nesse seriado reprisado. Eu finalmente dou um enorme sorriso quando percebo que virei tão protagonista da minha vidinha que não tenho mais saco pra acompanhar a sua.
Você quer alguém que caminhe ao seu lado. Eu preciso de alguém que corra comigo. E apesar de estarmos na mesma direção, a gente não se acompanha. É a ironia da vida. Amar alguém que apesar de me completar, não me entende. Nem por isso eu amo menos. Mas nossas vidas seguem separadas. Cada vez mais. Daqui a pouco é tarde demais.
Não espere amor. Por si só, não é coisa que se espere de alguém. Muito menos de mim. O máximo que prometo é dar bons motivos pra você me querer por perto.
Não espere ódio. Pra conquistar esse meu sentimento é preciso ter alguma importância na minha vida. E convenhamos, não é pra qualquer um. O máximo que eu posso conceder a pessoas inferiores é indiferença.
Não espere explicações. Seja lá quais forem meus erros, tive meus motivos para cometê-los.
Na verdade, não espere nada de mim, além de agoísta, tenho o costume de ser imprevisível.
Finalmente, eu consegui dar um final ao meu modo nessa nossa história que começou atrasada e terminou cedo demais. Claro que eu queria ter continuado, mas como você preferiu fugir, eu resolvi te ajudar como um sinal de compreensão. Afinal, a gente cavou essa cova juntos. E agora só vai nos sobrar a dor de não ter conseguido lidar com aquela felicidade simples e magnífica que era estar perto um do outro. Erros imperdoáveis. Palavras fatais. Confissões destrutivas. E eu te mandei pra longe quando tudo que eu queria era te levar comigo. É a história triste de outro amor que vai deixar planos pela metade. Como a saudade das coisas que a gente nunca viveu. Essas saudades são as piores. Inesquecíveis.
O meu melhor talvez nem seja tão bom assim. E as coisas que eu conquisto nem sempre eu consigo valorizar. O que eu tenho de mais bonito é invisível aos olhos, e as coisas que eu gosto nao são as mesmas que eu quero. Meus maiores amores foram os mais curtos, e minhas piores decepções as que eu menos lembro. Sou inconstante demais pra dar certezas, mas forte o bastante pra ser sincera. Por isso qualquer coisa minha deve ser colocada entre parênteses, senão, corre-se o risco de graves enganos. E já houve quem quisesse consertar esse meu jeito "let it be", até perceber que não há nada pra ser consertado. Não sou soluto, sou solvente.
Algumas coisas voltam. Outras não. E a única lição que eu tiro do meu passado, é que tudo que está lá, teve seu motivo pra não continuar comigo. A vida é muito curta pra sentir remorso por palavras não ditas ou coisas não feitas. E muito menos arrependimento por ter tido coragem o suficiente pra seguir meus próprios impulsos. Então, por todas as saudades boas que eu sinto, agradeço a quem me deu essas lembranças. Porém, os nostálgicos que me perdoem (ou não),mas a minha memória é tão pequena quanto a vontade de olhar pra trás.
Portanto, já desisti de ficar tentando transformar meus defeitos em qualidades pros outros, se eu sou mesmo impulsiva, infantil e egoísta, que assim seja, porque por enquanto eu gosto muito de mim desse jeito, -apesar de alguns tombos de vez em sempre-, e se alguém não gosta... bom, daí já não é problema meu, nunca obriguei ninguém a ficar do meu lado!
(...) Uma parte de mim se tranquiliza. A outra sente uma certa inveja de ver que depois do fim eu demorei mais pra me refazer. Mas isso deve ser coisa de mulherzinha né? E como você mesmo diz "sempre tem um que ama mais". Acho que você já descobriu quem era. Porque eu sempre soube.