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Frases de Maria Almeida

1.302 frases

A bola ressaltava uma e outra vez, num movimento contínuo e perfeito, molhada pela chuva miudinha que pingava sem fim. O silêncio recortava-se no horizonte e o calor era tímido, molhando-me o corpo, ao qual a roupa já aderia como uma segunda e profunda pele. De sorriso molhado,…
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A bola ressaltava uma e outra vez, num movimento contínuo e perfeito, molhada pela chuva miudinha que pingava sem fim. O silêncio recortava-se no horizonte e o calor era tímido, molhando-me o corpo, ao qual a roupa já aderia como uma segunda e profunda pele. De sorriso molhado, soltei a gargalhada, os lábios húmidos e quentes, em uníssono com o ladrar do meu imprevisível cão. O ribombar de um trovão passou por mim e, algures, bem longe, ouvi o zipar do relâmpago azul e branco cortar o ar e cair. Todo o mundo recolhido e eu aqui, louca como eu só, deliciando-me na chuva.

O vislumbre daquilo que era tornou-se assustadoramente imperceptível. O som soava longe, para além das miríades de luzes diáfanas numa noite de lua vazia. Semicerrei os olhos, na tentativa vã de ver o que eu já sentia.
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O vislumbre daquilo que era tornou-se assustadoramente imperceptível. O som soava longe, para além das miríades de luzes diáfanas numa noite de lua vazia. Semicerrei os olhos, na tentativa vã de ver o que eu já sentia. E o arrepio – um único arrepio – percorreu o meu corpo, volatilizando tudo à minha volta, num turbilhão de sentidos, à margem de todo e qualquer entendimento humano.

Acorda, pois eu ainda agora cheguei... Deixa a luz permanecer, diáfona. Vim buscar-te, mansa e eleita,
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Acorda, pois eu ainda agora cheguei... Deixa a luz permanecer, diáfona. Vim buscar-te, mansa e eleita, para te levar no meu manto perlado, a estrela branca da noite, em que a noite não existe, e o dia é uma palavra soletrada. Acorda, pois eu ainda agora cheguei... Deixa o sonho reinsistir, idolatrado. Vim trazer-te, suave e altaneira, na concha do meu longo regaço, a galáxia azul dos teus ideais, em que a luz insiste, e a sombra é uma porta fechada. Acorda, pois eu ainda agora cheguei... Deixa o teu âmago fundir-se no meu. Vim ocupar-te em mim, louca e sôfrega, querendo o teu limiar nas minhas mãos, lançando-te nessa profusão inexplicável, nessa dor de existir entranhada, nessa alegria de amar glorificada. Acorda, pois eu ainda agora cheguei...

Ela olhou-o com os seus olhos de flor e os lábios entreabertos num leve sorriso. Foi enigmático o gesto com que afastou a mecha de cabelo que teimava em deslizar-lhe pela face. Olhou-o demoradamente, como quem olha o limiar, no raiar da manhã. Entendia o seu caminhar. Compreendia…
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Ela olhou-o com os seus olhos de flor e os lábios entreabertos num leve sorriso. Foi enigmático o gesto com que afastou a mecha de cabelo que teimava em deslizar-lhe pela face. Olhou-o demoradamente, como quem olha o limiar, no raiar da manhã. Entendia o seu caminhar. Compreendia a sua confusão. Um sentimento profundo de alma, mente e vastidão. Ele soergueu os olhos e ela afastou os seus. No seu coração de homem menino, ela havia conseguido navegar e quase fechar a ferida. E ele não sabia - não imaginava sequer - a luta que ela lutava para ela própria não naufragar.