Pular para o conteúdo

Frases de Marcella Fernanda

279 frases

"Por um tempo eu tentei convencer o mundo e a mim mesma, que eu era a menina de decote, maquiagem carregada e risada alta na fila do bar. Mas a verdade é que eu nunca fui. Acho incrível essa forma desapegada de dar sequência na vida, as piadas e histórias loucas e vazias. Mas nun…
Continuar lendo

"Por um tempo eu tentei convencer o mundo e a mim mesma, que eu era a menina de decote, maquiagem carregada e risada alta na fila do bar. Mas a verdade é que eu nunca fui. Acho incrível essa forma desapegada de dar sequência na vida, as piadas e histórias loucas e vazias. Mas nunca fui a menina do bar, uma pena. Pra ser sincera, eu tenho preguiça das outras pessoas da fila, dos meninos na porta do banheiro, das músicas sem letra, das cantadas baratas. Não conseguiria ser essa menina, embora ache um jeito bem mais simples de encarar o mundo, porque isso tudo me dá sono, mesmo entupida de energético. Porque antes do fim da noite eu já tô sentada, brincando com o canudo do drink, esperando a hora de ir embora. A impressão que eu tenho é que eu tô sempre esperando a hora de ir embora, de qualquer lugar e qualquer pessoa. A menina da fila tá dançando com o terceiro ou quarto cara da noite. Ela é divertida e linda. E eu queria ser assim, só que as pessoas são tão desinteressantes e previsíveis, que eu prefiro o canudo. Levantei e fui ao banheiro, ela tava lá, retocando a maquiagem. Enquanto eu lavava as mãos, ela arrumava o salto e reclamou “Nossa, dói demais, né? Mulher sofre!”. Eu sorri e concordei. Doía mesmo, quem dera fosse só o salto. Olhando nós duas pelo espelho, uma do lado da outra, a diferença era só o modelo do vestido. Mas éramos muito mais diferentes que isso. Ela tinha paciência com os babacas, o barman lerdo, os amigos bêbados, as meninas de nariz em pé. Ela só queria dançar, beber e curtir, porque a vida é complicada. Eu já entrei cansada e preferia o sofá, o copo, o canudo e todas as coisas sem vida daquele lugar, porque as pessoas são complicadas. Antes eu fosse a menina do bar." (Marcella Fernanda)

Ninguém entende quando eu falo, com a maior propriedade do mundo, que é melhor ficar só, do que mal acompanhada. Não é hipocrisia, eu quero muito um amor verdadeiro, sinto falta de ser dois e não escondo de ninguém que ser sozinha cansa. Mas reforço: quero amor verdadeiro. Menos…
Continuar lendo

Ninguém entende quando eu falo, com a maior propriedade do mundo, que é melhor ficar só, do que mal acompanhada. Não é hipocrisia, eu quero muito um amor verdadeiro, sinto falta de ser dois e não escondo de ninguém que ser sozinha cansa. Mas reforço: quero amor verdadeiro. Menos que isso, eu espirro. É tudo questão de pôr na balança.

Tô aprendendo que desapego é uma dádiva, de fato. Faz milagres, mas exige uma certa precaução e medida. A gente tende a querer desapegar de Deus e o mundo, quando deveria desapegar só do que faz mal. Felicidade não é uma utopia ou um amanhã que sempre fica pra amanhã. Felicidade…
Continuar lendo

Tô aprendendo que desapego é uma dádiva, de fato. Faz milagres, mas exige uma certa precaução e medida. A gente tende a querer desapegar de Deus e o mundo, quando deveria desapegar só do que faz mal. Felicidade não é uma utopia ou um amanhã que sempre fica pra amanhã. Felicidade é agora, é cada minuto com quem quer meu bem, quem tá do meu lado. Felicidade é ser quem eu sou, quem eu me transformei, em meio à tanta esquina errada e gente querendo me puxar pra trás.

-Sabe, é muito difícil aceitar um fim, quando o ponto final não parte de nós. Mas qualquer dor é melhor que ficar sofrendo sempre ao lado de alguém que não reconhece o nosso valor, não faz questão da gente. E ficar fazendo planos e contando sonhos pra uma pessoa que não te inclui…
Continuar lendo

-Sabe, é muito difícil aceitar um fim, quando o ponto final não parte de nós. Mas qualquer dor é melhor que ficar sofrendo sempre ao lado de alguém que não reconhece o nosso valor, não faz questão da gente. E ficar fazendo planos e contando sonhos pra uma pessoa que não te inclui nem no plano de ir a uma droga de churrasco no fim de semana. E no início tudo pesa, existir pesa. Mas aí as lágrimas secam e você percebe que nunca foi amor. Nunca foi recíproco. Aí você adiciona na lista de ilusões e foca o pensamento em outras coisas, pessoas, em você. E aprende a se amar sozinha pra nunca mais aceitar ser amada pela metade e ainda agradecer. Hoje eu ando em paz, porque não caminho mais sozinha ou pela metade. Sempre me acompanho e, antes de alguém elogiar meu vestido ou cabelo, eu já o fiz antes de sair. Tá vendo esse sorriso? Eu protejo com meu batom vermelho e, mesmo sem vontade, sorrio. Porque minha felicidade é isso, eu, comigo, por mim. E depois que eu entendi tudo isso, todo o resto aconteceu de forma natural. Então passa esse batom e nunca mais deixa ninguém roubar essa paz do seu sorriso, porque nunca vale a pena!" E a moça continuou seu caminho. A menina limpou a última lágrima, passou o batom vermelho e seu vestido começou a voar.

Sou tudo que os meus vinte e poucos anos me trouxeram. Sou uma coleção de erros, que se aglomeraram e construíram minha essência, minhas certezas, ideologias e caráter. Já fui a prepotência de pensar que sei tudo da vida, hoje eu sou a senhora só da minha razão. Aprendi, aos tran…
Continuar lendo

Sou tudo que os meus vinte e poucos anos me trouxeram. Sou uma coleção de erros, que se aglomeraram e construíram minha essência, minhas certezas, ideologias e caráter. Já fui a prepotência de pensar que sei tudo da vida, hoje eu sou a senhora só da minha razão. Aprendi, aos trancos, a importância da flexibilidade, porque a verdade é só um ponto de vista. Aprendi também a conjugar o verbo ceder, principalmente na primeira pessoa do singular e confesso que esse é um exercício diário. A cada dia aprendo mais e sei menos. Sempre que me aprofundo demais nas coisas, penso automaticamente na frase “a ignorância é uma bênção”. É mesmo. De longe tudo é tão mais bonito e nada dói. Mas sem a dor, talvez eu ainda fosse a garotinha de laço cor de rosa, no pátio do intervalo, tendo certeza que uma gota é o oceano. Eu já teria sido engolida pela imensidão que é viver. Há pouco tempo atrás eu tava planejando a minha vida adulta e, de repente, já não posso mais transferir minhas responsabilidades e culpas pra amanhã. E foi muito difícil conseguir me posicionar pro mundo. Pra todo mundo tão viciado em apontar o dedo, ignorar os acertos e te crucificar pelo resto da vida pelos erros, mesmo se forem pequenos. Já me apaixonei por caras desinteressantes e jurei que eram os amores da minha vida. Já acreditei em promessas absurdas, em absolutamente tudo que me era dito, porque nunca entendi a necessidade de mentir. Mas as pessoas precisam e é isso, não tem porquê. Fiquei desacreditada. Foi complicado aprender a dizer “Não” e pareceu impossível prolongar a sentença: “Não, assim eu não quero. Isso não me faz bem, então não vou deixar que me faça mal. Tchau.” Depois ir embora ficou tão fácil, que a dificuldade era ficar. Virei impermanente. Tentei segurar as mãos de pessoas que tentavam segurar o mundo, fiquei sem forças, odiei a liberdade. De vodka em vodka, vazio em vazio, me vi abraçando o mundo também. Virei libertina. Com o mesmo discurso de desapego e vida breve que eu sempre detestei, mas começou a fazer muito sentido e me parecia muito justo levando em conta o gosto de cada lágrima que eu já senti. Voar não doía, viciei. E no céu, entre as nuvens, é muito fácil confundir valores, embaralhar as prioridades e se perder. Eu também quase me perdi. Amigo de balada não é amigo. Meus amigos de verdade são parte de mim e merecem o topo das minhas prioridades. Amores não são necessariamente pra sempre e quando acaba, não quer dizer que não deu certo ou que não foi amor. Histórias inesquecíveis e lindas podem ser curtas. Minha família é o meu chão, o bem mais precioso que eu tenho na vida. Não vale a pena se fechar pro mundo, porque as coisas boas são tão maiores que as ruins. Por fim, tô aprendendo que desapego é uma dádiva, de fato. Faz milagres, mas exige uma certa precaução e medida. A gente tende a querer desapegar de Deus e o mundo, quando deveria desapegar só do que faz mal. Felicidade não é uma utopia ou um amanhã que sempre fica pra amanhã. Felicidade é agora, é cada minuto com quem quer meu bem, quem tá do meu lado. Felicidade é ser quem eu sou, quem eu me transformei, em meio à tanta esquina errada e gente querendo me puxar pra trás. Hoje eu sou livre. E não tô me referindo á status de relacionamento não. Sou livre porque me despi dos meus medos, das minhas culpas e armaduras. Porque me desculpei por não ser perfeita e parei de me cobrar isso. Sou livre pra escolher meu destino, mudar de opinião e me reinventar sempre que achar necessário. Sou livre e aceito as minhas consequências, porque aprendi a ter e viver meus vinte e poucos anos.

Quantas vezes a gente pesa na medida e despenca das linhas tênues? Linha tênue é especialmente desesperador pra mim, que não sou uma grande amiga ou conhecedora das medidas certas. Linha tênue entre ser sincera e grossa, entre ser boa demais e ótária, entre se amar e ser narcisis…
Continuar lendo

Quantas vezes a gente pesa na medida e despenca das linhas tênues? Linha tênue é especialmente desesperador pra mim, que não sou uma grande amiga ou conhecedora das medidas certas. Linha tênue entre ser sincera e grossa, entre ser boa demais e ótária, entre se amar e ser narcisista, entre realista e pessimista, desapegada e frígida, elas são milhares e as minhas quedas também, caio quase todos os dias. A que mais me assusta, é também a que eu vivo despencando: a linha entre amar e estar deslumbrada. Tombo feio. Queda recente, inclusive. Porque é muito fácil se encantar com um excesso de atenção e admiração preciptada de um carinha que você aparentemente gosta. E muito natural se acomodar nisso, como quem deita na cama quentinha, depois de um longo dia frio. Passar a enxergar nele mil possibilidades e um futuro promissor, como um tipo de salvação, sem parar pra analisar quem realmente ele é, pra não estragar a magia da coisa. É fácil e automático ignorar todos os mil indícios de que isso nunca daria certo e do quanto ele é errado pra você. O difícil, quase impossível, é a cama quentinha ser, de fato, a nossa. Sempre puxam as cobertas, tão rápido que primeiro eu sinto frio e só depois entendo que estou descoberta. Depois da queda, eu quis entender, confesso. Eram mais de 50 porquês, enumerados por ordem de importância e prontos para serem disparados, como uma metralhadora, sem dó. Só que todo e qualquer questionamento não passa de um grito no vácuo, fazer perguntas que o outro nem pode responder, porque eu consigo ver tudo muito mais claro e de um ângulo mais profundo, de um jeito que ele talvez nunca consiga observar nada na vida. Eu sei. Porque ele não é meu lar, nem minha cama. Ele não é ninguém, é só um cara desinteressante e ele quem, no fundo, precisa de respostas. Deixa pra lá, viro as costas. E fico a sensação de que a resposta é essa: Em que mundo eu cogitei a possibilidade de dar certo com alguém tão sem tudo que me tira o fôlego? Até que durou. Talvez não muito, mas durou tempo suficiente pra eu ser tempestade- porque é isso que eu sou. Então durou o que tinha que ter durado. Morto e enterrado, volto a me equilibrar.

Eu nunca fui do tipo decidida, que tem certeza do que quer, essa gente que sabe a profissão desde criança. Minhas decisões acontecem, mas quando acontecem, são permanentes como se eu soubesse desde os sete anos de idade. Eu gosto de culpar meu signo, ascendente, a lua e todos os…
Continuar lendo

Eu nunca fui do tipo decidida, que tem certeza do que quer, essa gente que sabe a profissão desde criança. Minhas decisões acontecem, mas quando acontecem, são permanentes como se eu soubesse desde os sete anos de idade. Eu gosto de culpar meu signo, ascendente, a lua e todos os astros, uma indecisão e instabilidade que me foram fardadas no alinhamento do sol com a terra, coisas maiores que eu. Talvez por isso eu considere tão importante as raras vezes em que eu tenho certeza de alguma coisa, do que eu sinto, do que eu quero. Poucos entendem e não adiantaria explicar essa viagem astral, mas quando eu falo “Eu quero!”, meu Deus, eu quero de verdade e ninguém tem noção do quanto- nem eu. Afirmação que não se faz da noite pro dia, entende? Não eu, não nos meus dias em corda bamba. Preciso experimentar todas as coisas que eu não quero, pra construir essa certeza. Mas aí é certeza mesmo, tão concreta que pesa. E é por isso que, mesmo com tudo isso, mesmo com esse mapa astral desalinhado, sou muito mais segura da minha vida e bem resolvida do que muita gente pulso firme. Essas pessoas acomodadas em certezas incertas, porque são decididas demais pra se arriscarem em vão. Só que o que é em vão, se tudo vira parte do que eu sou e traça o que eu quero ser? O que é mais em vão do que abrir mão de vida por uma zona de conforto? Eu confesso que não sei lidar quando desconheço aonde eu tô pisando. Mas eu nunca paro de andar e essa é a minha certeza mais sólida. Pode parecer pouco, mas levei a vida inteira pra construir.

Que ano que vem seja leve, é só o que eu desejo. Sem promessas furadas de ano novo, sem expectativas baratas, sem começar me iludindo, como sempre. Vou dar o meu melhor, como sempre dei, vou tentar maquiar as cicatrizes, como sempre tentei, vou estampar meu sorriso pra dor, como…
Continuar lendo

Que ano que vem seja leve, é só o que eu desejo. Sem promessas furadas de ano novo, sem expectativas baratas, sem começar me iludindo, como sempre. Vou dar o meu melhor, como sempre dei, vou tentar maquiar as cicatrizes, como sempre tentei, vou estampar meu sorriso pra dor, como sempre fiz. Acredito num ano melhor, não por clichê, mas porque eu mudei. Não sou mais a garotinha assustada, abraçando as pernas no canto do quarto. Já caí, levantei e tô andando de salto alto. Não virei a mulher-maravilha, longe disso, mas andei sendo bem mais corajosa do que muita gente que paga de malandra por aí. O que vier, eu encaro, mas que venha de verdade! Não ameace vir, não venha pela metade, me poupe do mais ou menos. Tô, de fato, mais exigente, mas pro ano que vem só peço paz e amor, um grande amor, como pedi ano passado. Só que dessa vez, queria um grande amor por mim mesma, pode ser? Pensa com carinho aí em cima. Novos tempos. Feliz ano novo.

Você tem sua vida, eu tenho a minha, mas olha só a loucura, a gente tem a nossa vida também, paralela a tudo isso. Você fica com essas meninas sem graça por aí e continua sendo meu. Isso é bonito, mas é triste, porque não é fácil dividir você, como se fosse algo sem valor. Mas ta…
Continuar lendo

Você tem sua vida, eu tenho a minha, mas olha só a loucura, a gente tem a nossa vida também, paralela a tudo isso. Você fica com essas meninas sem graça por aí e continua sendo meu. Isso é bonito, mas é triste, porque não é fácil dividir você, como se fosse algo sem valor. Mas também não seria fácil a gente assumir um compromisso e se afundar nessas cobranças, mentiras e desconfianças dos namoros por aí. Faz falta uma certeza sobre nós, mas não sei ao certo se isso ia ser melhor pra nossa relação. A gente se vê quando dá tempo, quando dá pra ser, fala o que conseguir. E é isso que todo mundo vê, a gente se vendo num fim de noite, num fim de mês, sem trocar confidências. Mas se eles pudessem sentir meu corpo quando tá perto do teu, se fossem invadidos pelos seus olhos como eu sou, também não iriam conseguir falar muito ou tirar maiores conclusões. Iam só sorrir e entender porque, apesar dos pesares, eu continuo sendo sua, quando a vida me deixa te ter um pouquinho. E esse pouquinho, pode acreditar, me faz mais feliz do que todo o resto do tempo que eu passo sem você. Sem gaiola, sem coleira, só você, eu e uns carinhos.

Ser vista de perto assim, dá medo. Estar exposta desse jeito, dá medo. É inevitável lembrar de todas as histórias anteriores e dos finais que eu abortei. Dos sonhos e planos que eu manchei. De tudo que eu perdi, do pouco que eu ganhei. As falas e cenas sempre me parecem deja vu e…
Continuar lendo

Ser vista de perto assim, dá medo. Estar exposta desse jeito, dá medo. É inevitável lembrar de todas as histórias anteriores e dos finais que eu abortei. Dos sonhos e planos que eu manchei. De tudo que eu perdi, do pouco que eu ganhei. As falas e cenas sempre me parecem deja vu e eu recuo, como se fosse uma segunda oportunidade de sair antes de sangrar, da mesma história de sempre. Mas não é e não sei o que assusta mais: o velho ou o novo. Eu passei anos trabalhando meu desapego, porque teria sido insuportável viver acreditada pra sempre. E uma das minhas maiores conquistas- e dores também- foi conseguir seguir com a minha vida, apesar de qualquer pesar, porque ser sozinha era uma solução e não problema. Ter a certeza de que eu ia ficar bem, como sempre e que o fim sempre chegava, então quanto antes melhor. No dia em que eu aprendi a dar tchau com facilidade, a ser a primeira a acenar de longe, a dizer adeus antes de oi, me dei uma estrelinha de ouro. Morri de orgulho. Morri um pouco também. E o que me dá mais medo, de toda uma lista infinita de medos, é essa desconstrução de tudo que eu tenho, sei, sou. E o fato de que essa desconstrução me deixa leve de um jeito viciante, como se fosse tudo que, no fundo, eu sempre precisei. Voltar a acreditar e esperar, ainda que involuntariamente, me deixa em pânico, juro. Porque eu já remei tanto em vão, morri tanto afogada, que se eu cair de novo, não sei se lembro como levanta. Faz tanto tempo que eu não caio e sei que isso é o tipo de coisa que tem força pra me derrubar. E força pra me fazer completamente feliz também. Só espero que seja usada a força certa

Não escondo meu passado, não nego minha sina. Absolutamente tudo faz parte do que eu sou e eu passo longe de ser perfeita, deixo claro. Sim, sempre tive tendência a gostar de quem não sabia ou queria gostar de mim. Sempre fiquei um pouco mais quando isso era um desafio, nunca ent…
Continuar lendo

Não escondo meu passado, não nego minha sina. Absolutamente tudo faz parte do que eu sou e eu passo longe de ser perfeita, deixo claro. Sim, sempre tive tendência a gostar de quem não sabia ou queria gostar de mim. Sempre fiquei um pouco mais quando isso era um desafio, nunca entrei em portas abertas. Fugi de coisas boas, porque eu banco a minha dor, mas morro quando machuco outro alguém. Me conheço e recuo. Um passo pra trás pelo bem deles, nunca por covardia minha. Sempre tive uma certeza estranha de que, quando fosse pra acontecer, nunca ia precisar de tempo pro amor nascer. Eu ia sentir, desde o começo, eu ia saber. Já me achei um tanto quanto sadomasoquista, já admiti meu vício em sofrer, já tinha me acostumado com todo esse estrago que, bem ou mal, era tudo que eu tinha e o que eu sabia fazer. E eu não vou dizer que era infeliz, porque isso eu nunca fui. Uma vampira de mim mesma, talvez. Mas eu sou tudo isso há tantos anos, não conhecia outro gosto. Muita coisa me faltava, mas eu me bastava, mesmo que de um jeito torto e com válvulas sujas de escape. E não posso esconder as cicatrizes. Não posso controlar um impulso ou outro, meus reflexos de autoproteção. Porque eu tive que me proteger a vida inteira, de muitas formas e falhei muitas vezes. Já doeu muito, não queria que doesse descontroladamente outra vez. Então me desculpa e me entende. Te amo, confio em você, acredito na gente. Me expus, deixei você entrar em todos os espaços, me joguei de verdade. Nunca quis tanto ficar, nunca fui tão feliz, nunca me doei tanto pra alguma coisa dar certo. Mas se me quer inteira, é isso. Venho sem jeito, com passado, medos, cicatrizes e um amor puro, sem fim. Fica quem quer. Me entrego, pago pra ver e você resolve se me encara assim. Fica quem puder. Corro o risco, faço minha parte e você quem decide o que quer de mim.

Eu acho que não suporto uma nova história. Só isso, tudo isso. Mais uma tentativa em vão, Deus me livre. Todas as minhas amigas tiveram alguns poucos casos breves e um amor clássico, desses que faz a gente sofrer por anos. E eu aqui, colecionando relacionamentos falidos como quem…
Continuar lendo

Eu acho que não suporto uma nova história. Só isso, tudo isso. Mais uma tentativa em vão, Deus me livre. Todas as minhas amigas tiveram alguns poucos casos breves e um amor clássico, desses que faz a gente sofrer por anos. E eu aqui, colecionando relacionamentos falidos como quem monta um álbum inútil de figurinhas. Compro um novo pacote, esperando novidade, alguma especial e só consigo repetida. Parei. Cansei. E dessa vez não vou me desculpar pelas minhas partidas, porque eu não consigo ser meia presença, me doar quinze por cento, amar um pouquinho e deviam me agradecer por isso, aliás. Não vou me sentir culpada pelo desapego, por ficar só por ficar com um carinha sem graça que me chama de amor, mas nem me liga. Tudo bem, porque eu ando com preguiça de ligações, que ligam as vozes e nada mais. Quero ligação de alma, de destino, de vida. Quero todos os detalhes que ninguém nunca conseguiu me dar, preocupados em impressionar ou suprir necessidades que nunca foram necessárias. Até você, o de sempre, já não me desatina e eu não sei te responder quando você pergunta se eu te amo. Mas sou sincera quando digo que não vejo futuro numa história que, de tanto que eu tentei matar e enterrar, perdeu a cor. E se alguém não me vira do avesso, não me faz ter certeza de que absolutamente tudo vale a pena por nós, a única certeza que eu tenho é de que não é amor. Porque essa sou eu! Ou eu me jogo, ou vou embora, se eu paro pra perguntar se vale o risco ou a dor, no fundo eu sei que não vale. Sei absolutamente tudo que eu não quero, de trás pra frente, mas o que eu quero talvez seja tão simples, que eu nem sei explicar. Um dia desses eu tava no ônibus e ouvi um rapaz conversando com o amigo “Tô muito cansado, morto mesmo, vou chegar em casa, tomar um banho, ligar pra minha namorada e dormir.” Acho que é isso, entende? Comigo eles se cansam, tomam um banho e dormem. É isso que eu quero: Ficar pra agora, pra ontem e não mais pra depois.

Era o dia seguinte. O dia depois do sonho ruim, que durou anos. O dia seguinte da minha saída da sala de eterna espera, da desistência de ser atendida. Era o dia depois de amanhã, depois do amanhã que nunca chegava. Acordei nesse dia, simples assim. Com o sol entrando pela janela…
Continuar lendo

Era o dia seguinte. O dia depois do sonho ruim, que durou anos. O dia seguinte da minha saída da sala de eterna espera, da desistência de ser atendida. Era o dia depois de amanhã, depois do amanhã que nunca chegava. Acordei nesse dia, simples assim. Com o sol entrando pela janela e clareando toda os medos embaixo da cama, com o vento levando toda a sujeira embaixo do tapete. Era o dia do recomeço, do começo do fim e do resto da minha vida. Da minha paz. Dormi, como sempre, esperando que tudo passasse e nessa noite realmente passou. Acordei sem sangue, sem curativo, com uma pequena cicatriz. Pude levantar sem algemas, lavar o rosto sem maquiagem, olhar pra trás sem sentir dor. Era data de faxina, apagar fotos, jogar fora cartas, me livrar de qualquer prova que pudesse ser usada contra mim num dia banal de saudade. Exclui telefones, fiz questão de esquecer datas. Não tinha pontada no estômago, preocupação, agonia, arrependimento. Tava tão vazia, que não sai andando, flutuei. Bom dia, mundo. E os olhos doeram, como quem passa anos numa caverna escura e, de repente, tem contato com a luz. Mas logo se acostumaram, com um alívio de quem volta a ver. Como quem volta a reparar nas flores. Flores que você nunca me deu. Lembro e sorrio, pensando no meu “Te ligo!” e em como isso nunca aconteceu. Gangorra me enjoa e pra não vomitar, te deixo sozinho, brincando de castigo com alguém nunca melhor do que eu. Vê se não fica triste, porque toda a solidão que existe nunca vai superar todo o tempo que você me enlouqueceu. Fica bem, fica sem, porque acabou o jogo, camisa de força pra mim já virou roupa básica e decorei todas as suas desculpas clássicas, pra te deixar esperando até o fim. Sou louca, livre, sou minha e hoje é o dia de viver pra mim.