Talvez um dia eu me encontre queimando meus poemas, ou mastigando páginas de um livro do século XIX, a carta do vidente quem sabe.Talvez um dia eu me veja discutindo comigo mesmo no espelho em uma dessas madrugadas de bebedeira, confessando meus crimes no chão do banheiro.Talvez a poesia não exista, talvez seja só parte da minha insanidade emocional.Neste jardim torto cercado de espelhos disformes, quem sou eu entre os fantasmas?!
Aconteça o que acontecer jamais fuja do amor por medo de sofrer, pois posso garantir que é será bem pior do que sofrer por amar.Fugir do amor é renegar a beleza da vida e toda a magia nela contida.É nos deixarmos transformar em almas mornas, sem cor nem sabor.É morrer antes do tempo, de dentro pra fora.É abandonarmos todos os sonhos de uma só vez.O amor é uma arte, e como toda arte, é o alimento da alma.
Eu e meus cigarros franceses, minha xícara de café, meus livros empoeirados.Horas e horas tentando decifrar Rimbaud. Noites regadas a absinto e vinhos baratos.Ruas amenas davam lugar aos latidos dos cães na madrugada.Bebedeira após bebedeira, as ruas se tornavam nobres hotéis.Amores após amores, comprados nas tabernas e nos bordéis
da vida, assim nasceu a poesia.
Arraste-me para a floresta de cristal,
onde o sol e mais real
do que em qualquer outro lugar.
Onde as ninfos nunca dormem
e a música alimenta os famintos.
Me deixe adormecer
sobre a sombra de serpentes aladas.
Deixe-me viver o sonho dos ébrios,
provar o vinho do Olímpio.
Deixe-me mastigar a ultima poesia sagrada.
Sou apaixonado pelo corpo daquela menina, pelo jeito de seu olhar, pelo seu sorriso tão safado e ao mesmo tempo lá no fundo enxergo um ar romântico nela, algo que não tem como explicar...uma noite com ela é como tocar os céus de uma forma única.É beijar ela é como beijar a lua, beijar a mais nobre das poesias.Não há como esquecer, não importa qual o passar dos séculos eu sempre vou lembrar você...
Covil das Máscaras
No desfeche da tarde
Meu coração dependurado permaneceu
Antes de se juntar ao sol
E todo o resto de fraqueza que pereceu
Inerte, intacto
Como os amantes da noite
Cuja as asas amançam as estrelas
Ao som dos alaudes da morte
Teu mar és meu abrigo, meu refugio
Por onde meu corpo rasteza
Como o delislizar de uma serpente
Te invade, te alimenta e te deseja
Delicadas correntes reais
Enfeitam os trajes mortuários
Dos ineptos cadáveres vivos
Que sob as chamas embalam os corsários
O esmagar do teu cránio sobre as tropas
Não há troféu maior pelo qual lutar
Reluzentes cabeças enfeitadas com medalhas
Ébrio mandrião fósmios sobre a noite a se espalhar
Não existe amor verdadeiro
sem antes haver amizade,
cumplicidade entre os dois seres.
O amor é aquela sensação de bem estar,
de se sentir a vontade com a outra pessoa.
De olhar nos olhos um do outro
e não precisar palavras
para descrever aquele momento.
É aquele abraço apertado
em que o coração dispara.
Que um beijo tem o poder
de parar o tempo, o mundo.
Que uma hora parece um segundo.
Que o dia passa sem percebermos.
O amor é aquela sensação engraçada
de frio na barriga.
Sensação estranha porém tão boa.
Que os corações encontrance em harmonia.
Aquele ciume bobo,
aquele amor de verão que dura a vida toda.
O amor é aquele momento
onde dois sorrisos trocam olhares.
Sonhos, segredos...
Onde as línguas se entendem melhor do que ninguém.
Onde as cores se misturam,
onde o suor é um só...
Ela é como uma noite de lua cheia
a beira do oceano,
o mais nobre dos perfumes litorâneos.
Um segredo, um pecado,
o mais belo de todos.
Seus beijos me embriagavam,
me roubavam o ar.
Hoje são só lembranças...
Não havia nenhum sentido
diante de meus olhos pardos, fálicos.
Só um monte de palavras
em papéis borrados de vinho,
um olhar triste dentro do espelho
que insistia em me encarar.
Eis o inferno da alma...
Bebi todos os sonhos que encontrei, me tornei todos os rostos.Dormi com o sol e as estrelas, me misturei ao céu, me tornei o novo vinho, confidente do vazio.Me despertei de meu sono sombrio e embriaguei amantes com palavras.Eis o segredo de minha loucura.Não me tornarei mais uma caixa de retalhos, entregue ao negro pó de uma estande humana e ilude.Aclamados sorrisos que pairam sobre o Coliseu, é chegada a hora.Vamos, destilem o veneno que aqui corre sobre aos pés dos narcisos embriagados e desinibidos.Mostrem-me a nudez de tua razão, o motivo que as cores dispensam explicações.Não serei inebriado por sua falsa paz, muito menos pelos corações covardes a acarentar suas desculpas.É inútil tentar sobreviver em meio aos porcos burgueses, inútil tentar sobreviver, ao invés de tentar viver.