Cada vez que um calhorda se dá mal ao fim de uma trajetória de maldades não significa, necessariamente, que nos sintamos atendidos pelo viés da vingança, mas tal desfecho nos chega como resposta da lógica cósmica de que o que se planta se colhe. Um histórico de iniquidades, se concluído com êxito, apenas reforça o entendimento de que justiça divina é um engodo e que calhordice compensa.
Tem pessoas que se acham inteligentes mas agem como imbecis completos, adotando um comportamento arrogante de poder por meio de usurpação ilegítima sem qualquer base na realidade, já que dependem de todos e se comportam como se não dependessem de ninguém. Com ações calhordas ainda conseguem afastar os poucos que poderiam valer-lhes para estender um pouco mais o momento da queda definitiva e claramente previsível.
Inacreditavelmente, pessoas que constroem castelos de cartas os cercam com muros, achando que estarão tornando-os impenetráveis àqueles que poderiam derrubá-los. Se, ao invés disso, construíssem pontes por todos os seus lados, os de fora poderiam reforçar-lhes as estruturas para que não caíssem, pois que nem os ventos que vêm de cima respeitam a barreira dos muros erguidos.
Quem foi que disse que a primeira impressão é a que fica? Conheço quem passou toda sua existência tentando aplicar o golpe perfeito, e na última oportunidade o consegue... E sai como mocinho desfrutando de todas as prerrogativas dos heróis, onde os golpes de uma vida inteira são zerados porque se mostrou bastante convincente no último.
Algumas pessoas não possuem dentro de si qualquer sentido de generosidade ou compaixão para oferecer a outrem um benefício espontâneo que lhes aflora da alma. Até mesmo suas “bondades” são cuidadosamente planejadas para resultar em um ganho mais à frente, onde os favores prestados não passam de investimentos naquilo que já trazem em mente para o período da “colheita”. Depois que o descobrimos tanto o perdão deixa de ser uma virtude como temos certeza de que não lhes fará qualquer diferença, exceto a de poder continuar nos usando.
Posso escolher estar em todos os lugares em que eu veja sentido
Ou ver sentido em todos os lugares em que eu esteja...
Posso optar por fazer um monte de coisas que me deem sentido
Ou dar sentido a cada uma das coisas que faça.
Não existe nada mais improvável que a alma humana... E mais inútil ainda é tentar explicá-la. Que nunca se duvide do poder de influência de uma pessoa sobre outra, mesmo quando sua inteligência prognostica o contrário. Daí porque escolher não ter ídolos, nem líderes ou paixões pode ser o caminho do meio que aparece para nos redimir de nossos medos, e talvez a alternativa para a ovelha do aprisco moldada para reproduzir o pensamento de seu pastor.
Quando uma pessoa se mostra feliz mesmo contrariando padrões de felicidade amplamente difundidos, o entendimento mais recorrente é de que ela estaria “mentindo para si mesma”. Vale refletir: não faz mais sentido que ela o creia e se harmonize com tal crença, em vez de se impingir o modelo que os demais defendem às custas de seu bem-estar?
Contrariando várias teorias psicanalíticas, valorizar o recolhimento pode indicar ampliação do significado atribuído às coisas simples em vez de acreditar que todas as importantes estão fora de alcance e precisam ser buscadas em algum lugar. Invertendo o estabelecido, esta incessante necessidade de buscar fora pode apenas indicar a incapacidade de encontrá-las em si – ou de entender formas que escapam aos padrões ditos “normais” de felicidade – enquanto a referência deveria ser o quanto cada qual se sente bem com sua própria receita.
Todo mundo tem direito de interromper um convívio por não gostar de uma pessoa e senti-la interferindo no seu emocional. Mas o desistir de alguém se mostra mais sensato quando a razão, e não a emoção, é o que norteia o rompimento, ao se concluir que a natureza irreversivelmente distorcida do outro nada nos acrescenta, tornando a distância a única garantia de preservação do bem maior, que é a nossa paz.
Que bom quando o significado de “amigo” deixa de estar atrelado à quantidade de acessos que as redes sociais definem como indicador de sucesso. O pequeno círculo que permanece, resultante dessa filtragem, assume um valor incalculável e inversamente proporcional ao sentido de perda que acompanha os que avaliam a si mesmos pelo número de “curtidas”.
A retração social do passar dos anos pode tanto ser sentida como um retorno aterrador e compulsório ao casulo da impessoalidade quanto como reavaliação de escolhas pela visão ampliada de nossa realidade nuclear para exercício de um direito inalienável. Mais do que uma contingência, entendê-la é um privilégio pela tomada de consciência do quanto o superficialismo de antes se volatiliza para abrir espaço à plenitude da essência que ele mascarava. O núcleo, desta forma, se vê liberto da falsa idéia de perda, alcança maturidade bastante para entender o sentido da renovação e de seu real significado, o que o transforma num momento mágico.
No primeiro momento de nossas vidas – o mais equivocado deles – nos afastamos das pessoas que não nos dizem o que queremos ouvir; num segundo momento passamos a romper com as que não vivem para nos cativar; no limiar da meia-idade tendemos a excluir aquelas que nos criam dificuldades; mas é a sabedoria da maturidade que nos leva a concluir que deve ser a irreversibilidade, e não a imperfeição, o critério de decisão entre as que saem e as que ficam.
Existem pessoas tão egoístas que, mesmo quando lhes oferecemos desinteressada e generosamente tudo o que precisam, elas tratam de impor regras sobre aquilo de que indevidamente se apropriam de forma a exercer controle sobre nossa própria contribuição. São capazes, inclusive, de arrogar para si direito indiscutível sobre quaisquer ganhos presentes ou futuros que possam fugir-lhes ao controle, e dos quais pretendem extrair todas as vantagens possíveis sem dividi-las com quem lhas proporcionou
Admiração é uma quarta forma de amor, que é quando a gente gosta, apaixona-se e ama, mas como a uma obra de arte de inestimável valor que nos veio para ser extremadamente cuidada, mas exibida ao mundo sem qualquer egoísmo, por se entender que ela nasceu para fazer a todos felizes!