Poesia sacra e literalidade
De Gênesis à Apocalipse, a poesia sacra descreve pedras que falam; árvores que batem palmas; ventos que cantam; lírios que se vestem de beleza e águas que têm vida.
As palavras mais belas não têm o condão de modificar as circunstâncias, mas podem despertar o desejo de mudança que permite criar as condições para alterar a nossa realidade.
Nós somos como um rio poluído pelas impurezas que encontra no seu percurso.
O pensamento que antes fluía intensamente, agora se arrasta lentamente, carregado dos males, inquietudes e incertezas,
que os esgotos e as águas de outros rios,despejam na correnteza.
Se não podemos ser como o mar que, pela imensidão, nem se importa com a sujeira que despejam nas suas águas, podemos, como o rio, mudar o curso ou o trajeto, para não represarmos todos os males, que um dia transbordam, na enchente.
Dentro de você tem um coração
que não envelhece e,
por mais que tenha sofrido,
ele está apenas adormecido,
pronto para ser desperto
e amar novamente,
com a mesma intensidade
da tua juventude.
Os seus desejos
não desapareceram,
apenas se retraíram
quando reprimidos,
e criaram, dentro de você,
um vulcão inativo,
pronto para entrar em erupção.
Mulher e poesia
são formas de arte;
a poesia é estática,
livre ou métrica,
enquanto a mulher
tem liberdade
de movimento;
a poesia tem ritmo,
a mulher desfila;
a poesia tem versos
livres ou rima,
a mulher tem falas
que nunca terminam,
mas a poesia é mulher,
é substantivo feminino.
A vontade insaciável
da presença um do outro,
está em desvendar
um universo desconhecido,
onde a fome e a sede
da curiosidade,
se materializam na admiração
que embriaga e contagia.
É preciso descobrir
qual o combustível mantém acesa a chama da lamparina,
e como reabastecê-la,
ao longo da vida,
para sustentar a convivência
e o relacionamento
perpetuamente.
Muitos poetas exaltaram
a beleza da natureza,
em toda a sua plenitude
e exuberância,
mas isso pode estar contido
na suavidade do movimento
de uma simples borboleta,
na luz que irradia
dos teus olhos,
no timbre da tua voz
ou apenas no teu cheiro.
Causar, que antes era só um ato de ser a razão, o motivo ou a ação de algo, como o vento que causa a tempestade, no contexto atual, pode ser involuntário, como o que você provoca, só por existir e, por onde quer que passe, causa desejo para os admiradores ou inveja, para quem gostaria de ter o brilho dos teus olhos, o sorriso dos lábios ou apenas a suavidade dos teus movimentos.
Todos somos, de alguma forma, prisioneiros dos nossos próprios preconceitos, dogmas, crenças ou costumes.
Estamos aprisionados numa caverna e tememos sair e ver a luz, porque nos acostumamos a escuridão.
Tememos que, ao nos libertarmos, sejamos excluídos das promessas que nos foram feitas por aqueles que também não viram a luz.
Somos todos instantes de um tempo infinito, fragmentos de um universo desmedido, tão importantes quanto um grão de areia numa praia ou deserto, que a água ou o vento leva pra onde quiser, mas seremos imortais, se tivermos a grandeza de nos vermos, não em nós mesmos, mas no outro.
Um gesto carregado de sentimentos,
É expressão sem qualquer palavra,
É conexão de confiança e intimidade,
E demonstração de afeto e carinho,
Não é partida, nem chegada,
É uma morada que chamamos de abraço.
Para amar ao próximo temos que, antes, amar a nós mesmos. Reconhecendo a jornada que percorremos para chegar onde estamos e aceitando as escolhas que fizemos. Cada um tem o seu próprio universo, em constante evolução. Ninguém precisa se diminuir, nem sacrificar seus sonhos, para caber no mundo alheio, mas dois universos não se juntam, sem uma gigantesca transformação.
Saudade é sentimento
e não importa a definição.
É lembrança da ausência,
sem solidão ou nostalgia,
como olhar para uma flor
e lembrar de alguém.
Saudade não é melancolia,
nem incompletude,
é colocar essa pessoa
dentro da nossa vida.
Há quem imagine
que o amor seja mágico,
como um encanto
que se auto sustenta
e se esquece que,
embora seja mais forte
que a morte, também
perece como uma flor
esquecida num vaso.
No fundo o que importa
são os pequenos gestos,
o respeito, a atenção
e o saber ouvir.
O que permanece
é o olhar de admiração,
o afeto, o carinho do toque,
o calor e o aconchego
de um abraço sem fim.
Nós não nos encontramos
por acaso, tampouco
somos predestinados.
Somos seres imperfeitos
que podem, se quiser,
compartilhar o que
cada um tem de melhor.
O coração de uma mulher
é um lugar inatingível,
exceto por algo tão belo
que pareça o reflexo
do seu espelho,
ou por um sopro,
debaixo dos seus cabelos.