"Já não acredito na dor
Da mochila que escolhi levar
Meus gametas desagrupam do meu som
Zé Ramalho me perdoe se eu chorar
Só não peça bis da minha odisseia"
"O céu enfurecido vomita raios
Pra que olhar pro céu?
A pequenez é o palco
Ostentação barata vibra um simples mortal
Não enxergam além do que burrices virais"
"Já lhe disse que não sei quem sou
Já lhe disse que eu não sei se vou
Pague meu cachê, sente na mesa
Uma pinga, um conhaque, uma breja
Só não peça bis da Minha Odisseia"
"Hoje realmente eu gostaria de ver o sol feliz
Esse sol me persegue, me entorpece, me alimenta, me faz atriz
Mas como num faroeste eu percebo uma mira está em mim
Eu não sei se miro ou conto as palavras que me trouxeram o fim"
"Quando cê vai embora
Pedindo um boa noite, um afago pra dormir
Com o seu jeito chora
Ligando e pedindo garantia de me ouvir
Detalhe insano é pensar
Que uma quinzena não vai me matar
O suicídio parcelado em cada gota desse seu olhar
Mas quando chega à hora
Um toque impaciente, já não quer mais nem dormir
Na sexta vem embora
Dois dias, um relógio, um ponteiro a insistir
Peço não pense na ampulheta
A comida esfria, volta para a mesa
Um banho quente é a certeza
Pega teu caminho, deixa a tristeza"
Pois a estrada só existe se você passar
Penso, logo hesito para caminhar.
Radiciação alguma vai me enganar
Cara ou Coroa só pra empatar
E equilibrar, equilibrar a mente, equilibrar
ENTREVISTADOR:
"kallango, o tempo é um fator que te traz preocupação?"
KALLANGO:
"Daí um dia eu percebi que o tempo passa, o planeta gira, os pelos crescem...Mas enquanto houver uma nova rotação, haverá uma chance de sermos melhores que hoje! pelo menos foi assim que um amigo me ensinou"