FENDA DO TEMPO
Fui parar num porão empoeirado de emoções e sentimentos lacrados em baús pesados… onde vejo um redemoinho de pássaros rompendo os grilhões em busca da liberdade…
no meu pensamento que foge por entre a fenda do tempo e do espaço compactado…
sobrevoando um coração que bate condescendente, cansado, mas com saudade…
cheirando mofo e decompondo-se em lembranças mortas sepultadas na vida que ri e chora da minha sina ególatra que serve de farol numa luz que ofusca meu olhar nublado…
TRAGA MEUS SONHOS...
A porta está encostada
E não precisa bater…
Entre…
e traga todos os sonhos
que não consegui viver…
Por que?
-São meus e voce os levou
sem nada dizer…
VERSOS FLUTUANTES...
E é nesse mundo que habita
em mim que só eu conheço…
que sobrevôo por recantos
indevassáveis e incorpóreos
e flutuo num vazio disperso…
quando retorno vejo apenas
manuscritos de meus versos…
HOJE ACORDEI ASSIM...
Hoje acordei meio assim…
desejando o tudo e convicta
de um impossível sem fim…
aí você entra no meu pensamento
e faz o seu mundo ser possível pra mim…
MÃE...
Aprecio a paisagem translúcida no espaço
Ouço o bater de sinos na capela distante
Vento varre a cabeleira dos verdes matos
No céu, vejo cortejo d’espíritos viajantes.
Balanços das folhas, vultos acenam pra mim
Dogmas infundados entre a vida e a morte
Sopram ao meu ouvido, que isso não tem fim
Círculo vicioso e simbiótico lançado a sorte.
Prolixa e moribunda divago sem entender
Na oculta inflorescência a busca do amor
Lágrimas gotejantes, doridas de um sofrer.
Na lápide, vejo um poço árido que secou
Nas flores silvestres, o toque de teu ser
Saudade mórbida foi apenas o que restou.
SOLIDÃO INTERNA
É quando a gente imergi dentro de si mesmo
e enxerga um corredor longilíneo e afunilado
Nas paredes rebocadas de cal esmaecido…
Sonhos crivados em retratos amarelados
em nossa memória em forma de mosaico.
Em sintonia com ruídos de nossos passos
Seguimos em atos como uma peça de teatro…
PAIXÃO PETRIFICADA...
Insana nessa aventura fugaz e transitória sigo nessa trilha desventurada…
Vejo revérberos de tua imagem desfragmentando toda nossa história já sepultada…
Lágrimas que borbulham dessa alucinação caótica e sinto que vai se deteriorando essa minha capa tormentória carnal… e febril ouço murmúrios deletérios e sussurros inaudíveis em minha memória…desfigurada sinto frio…
Minha alma por segundos levita ébria perene manchada em gotículas no sangue rubro que corta e congela… Num transe anímico é feito o registro e o coração intangível e ao mesmo sinistro pulsa descompassado uno em nossos corpos pesados como pedra.
A ESPERA
Horas infindáveis… estacionam no relógio do tempo
fico a espera de ti, num semblante opaco e oprimido
lágrimas e acenos em lenços brancos cintilam ao vento
despedidas e chegadas, cada qual seguindo seu destino…
nessa espera crucial fico estática sem teto e sem chão
ao longe o apito do trem que se aproxima da ferrovia…
vazio de mim, esculpido por ti, como ânfora o meu coração
recordações do passado, guardadas na bagagem da minha vida
gelando todos os meus sonhos em ópios e ócios de meu viver
Passam-se noites e dias, meus pés não conseguem se mover
vagueio e arranco as ervas daninhas que nasceram nos trilhos
enfeito com flores silvestres perfumando nossos caminhos…
na esperança de te ver desembarcando dessa viagem pra mim
e no meu último suspiro, dizer:- AMO-TE, até que enfim!
TEMPO ESVOAÇANTE...
O passado é uma porta fechada. O presente uma janela aberta.
E o futuro?
- É o vento que traz a chave da porta fechada e deixa esvoaçando a cortina que ficou parada na janela aberta…
LAVANDO EMOÇÕES...
Lavei minhas emoções no fundo do mar…
Emergi e no céu fui estender pra secar…
E enquanto isso?
- Durmo na areia e esqueço-me de acordar…