DESENCONTRO
"É tão triste
A alma poetisa
encontrar
um coração analfabeto!
A rima treme nos lábios
Engasga poema no peito
Agoniza quadra discreta
Morre e vira soneto.
Num livro. "
(O sepulcro predileto.)
"Pega a melhor gatinha, a mais bonita, a de "boa família"!
Pega o melhor garoto, o mais bonito, aquele rico!
E assim vai o ser humano, selecionando "amor" sem traumas,
Melhorando o corpo, aprimorando a forma e deformando a alma! "
(Cancioneiro, Espírito)
"Um dia te amei tanto, mas tanto que pensei morrer e, por receber de tua parte apenas migalhas e medos, por amor sufoquei meu pranto, minha dor e minhas necessidades e te amei mais ainda, te envolvendo em todo o bem que podia. Então Deus me chamou e me disse: agora que sabes o que é amar de verdade, vai e cuida dele. Serás, doravante, o seu anjo protetor na Terra."
(In "Espírito - Vivendo no Coração do Pai)
"Deus já te tirou do vale há muito e te levou para os cimos. Respirar no alto dos montes não é fácil, mas você aprenderá a arte de viver misturando oxigênio rarefeito e amor... O oxigênio escasso vem de Deus, ensinando a tua alma a criar o próprio hálito, mas o amor vem da tua renúncia, porque viver no alto significa, também, solidão."
(In "Espírito - Vivendo no Coração do Pai")
"Ela só sabia que tinha que seguir, e foi.
A estrada, a frente, chamava para a renovação.
Mas porque a morte é ruptura de laços, separação, doeu-lhe avançar.
Sim, a morte dói. Aqui e no outro mundo, dói.
Façamos silêncio e prece pelos que se foram.
A dor vai passar um dia, em Deus nos reuniremos.
Os olhos choram, a alma padece,
Mas o coração sábio murmura: até logo mais!"
AINDA ORO POR ELES
Hoje ainda oro por eles porque ainda há tempo.
Mas amanhã, quando a justiça divina estalar seu látego e os alcançar,
terão que orar por si mesmos, se ainda lembrarem das preces ouvidas entre deboches e gargalhadas.
Hoje ainda oro por eles, Pai, porque meu coração pede e porque te apraz,
mas amanhã, quando as portas de Tua Casa se fecharem recolhendo a Ti e aos teus filhos, não terão como consolo senão os ecos distantes de um amor que foi imenso e que se sacrificou até a morte por eles.
Apenas os ecos, porque a presença não terão mais.
Nunca mais.
(Espíritos Endurecidos)