Autossabotagem
É meu corpo nú sem se desvincilhar das vestes.
É minha alma morta, bem viva no inferno terreno que atrai meus pés materiais.
É minha roupa que não rasga, mas foi feita de vários, soltos, fiapos.
E eu me curvo.
Me curvo despido de medo, de irreverências irreversíveis, de bem mal aproveitado e de vestes materiais.
E eu me deixo.
Desvencilho-me da minha carne, da minh’alma terrestre, da matéria veredita e mal criada.
E eu me vou.
Me vou feliz, longe de provas e expiações, longe de malícias e mágoas, de hipocrisia e vida mal submetida.
ÁGUAS VÍVIDAS
Tenho profundo medo de nadar.
Por ter afogado em águas fundas,
Duvidosas, que até as areias mais escuras
Se tornam mais claras ao comparar.
Tenho medo de me afogar.
Por debater-me em águas tempestuosas
Que até em dias de ondas harmoniosas
Duvidoso era de se banhar.
Me abstenho de desfrutar a sensação
Enquanto não dessalga as águas do equador.
É a melhor forma de afastar-me daquela dor,
Mesmo onde nunca houve salinização.
É lindo poder conhecer novas águas e seus vários estados.
Melhor é poder conhecer seus corais,
Peixes, algas e outras coisas mais,
Mesmo tendo a certeza que todo oceano aloja navios afogados.
Tenho medo de sempre ser o Titanic,
Pesado e rápido de mais para o que parece ser uma pequena barreira.
Mesmo que, no fundo, tinha total certeza
Que qualquer movimento seria insuficiente.
Saudade de olhar nos teus olhos castanhos,
de piscada em piscada.
Admirar teu sorriso lindo,
de riso a riso.
De abraçar você
sem nem pensar o que está acontecendo lá fora,
de fase em fase.
De te beijar e sorrir depois
por estar feliz do teu lado,
de momento a momento.
De simplesmente te ter por perto,
de saudade em saudade.