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Frases de Li Azevedo

857 frases

⁠Sábado, dia 22 de maio de 2022. O telefone toca. Do outro lado do Atlântico, uma voz embargada pergunta:
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⁠Sábado, dia 22 de maio de 2022. O telefone toca. Do outro lado do Atlântico, uma voz embargada pergunta: - Você sabe o que aconteceu com o Nilton? As mãos ficam trêmulas, a respiração acelera, a boca seca e ainda assim é o lugar pelo qual o coração tenta desesperadamente sair do corpo. - Mataram o Nilton! - responde a voz, entre lágrimas, depois que percebeu um silêncio que gritava por socorro do outro lado da linha. - Mataram o Nilton! - repetia a voz na tentativa que acreditássemos naquela piada sem graça. - Mataram o Nilton! - insistia. Só três dias depois entendemos o motivo pelo qual nao acreditamos naquela triste notícia. Três dias se passaram e continuamos a não acreditar, afinal, que monstro faria mal a uma pessoa como você? Que tipo de lixo humano seria capaz de nos tirar esse sorriso? Que espécie de animal nos tiraria sua companhia, sua amizade, sua leveza, sua generosidade, sua alegria e determinação em viver e fazer os outros viverem? Três dias se passaram e nós ainda nao acreditamos que voce se foi, mas descobrimos que você tem irmãos espalhados por todo o mundo! Nesses três dias a Lu recebeu inúmeras mensagens de pessoas, e todas disseram que perderam um irmão, porque é exatamente isso que você é e continuará a ser: O irmão que o nosso coração escolheu! Daí, meu amigo, se o nosso coração te escolheu como irmão, não há violência que te leve das nossas vidas! Podem dizer o contrário do outro lado da linha! Podem noticiar os fatos pelos quatro cantos do mundo! Você vive, ainda que a gente saiba que nas viagens não vai te ver mais chegar com flores de uma senhora de 80 anos, com a qual você passara toda tarde a faze-la sorrir! Muita falta vai fazer, mas isso não significa que você nao estará lá, então, até a próxima viagem, nosso amigo-irmão! Te amamos. Te amaremos, sempre, para todo sempre! #justiçaporNiltinho #justiçapeloNilton #justiça #violência

⁠Natal en Rose Era véspera de Natal. Ela tinha apenas sete anos, mas já sabia que Papai Noel não descia pela chaminé. Sempre muito curiosa, já conhecia a identidade do bom velhinho que todo o ano visitava-lhe durante a noite, enquanto ela dormia o sono dos anjinhos. Ainda assim…
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⁠Natal en Rose Era véspera de Natal. Ela tinha apenas sete anos, mas já sabia que Papai Noel não descia pela chaminé. Sempre muito curiosa, já conhecia a identidade do bom velhinho que todo o ano visitava-lhe durante a noite, enquanto ela dormia o sono dos anjinhos. Ainda assim, aquele seria um Natal diferente! Havia uma promessa a ser cumprida! As horas iam e vinham-se, e o sol teimava em não abandonar aquelas pessoas ávidas por compras, presentes, abraços, carinhos, ceias! E ela continuava a aguardar a noite. A madrugada de Natal! Enfim, a lua ofusca o sol, e a noite ostenta o auge da sua beleza, ao vestir-se das luzes natalinas já à sua chegada! De repente, silêncio. A ansiedade continuava estampada em seu rosto infantil, mas ela precisava dormir. Dormir para que o Papai Noel chegasse! Só não conseguia...Com seus olhinhos desobedientes, rolava de um lado e outro da cama, contava carneirinhos, e nada adiantava. Estava feliz, todavia não conseguia dormir! Lentamente, a maçaneta da porta do quarto gira. Era o Papai Noel! Ela fecha os olhos para não decepcioná-lo, e o vulto de duas pessoas adentra o quarto, balbuciando coisas que não conseguia ouvir. Cochichavam. Ela, ainda com os olhinhos fechados, sente quando lhe beijam a face e ouve quando a porta é cuidadosamente encostada pelo lado de fora. Rapidamente abre os olhos! No meio do quarto estava ela, a promessa! Suntuosa, rainha, elegante, majestosa! Sorrateiramente, desce da cama, contorna o tão esperado presente de todo o ano, admira-o, volta a contorná-lo, acaricia-o. Não podia acender a luz. Descobririam que ela não dormia! Mesmo assim, radiante de felicidade, volta a abraçá-lo, pois mesmo sem o ver, podia senti-lo, conseguia tocá-lo... No horizonte, os primeiros raios de sol despontam-se. Papai Noel adentra novamente o quarto para despertá-la, e quem sabe participar da surpresa em seus olhinhos brilhantes! Mas dessa vez, o velhinho apenas sorri da cena que acabara de presenciar: sua pequena estava ali, deitada ao chão, profundamente adormecida, agarrada aos aros de seu presente de Natal. Carinhosamente despertada, vê que seu presente é cor de rosa, exatamente como ela sonhara! Uma bicicleta rosa! E mesmo sem sair de seu quarto, ela já sentia o vento a despentear-lhe os cabelos, a tocar-lhe a face! A partir dali, desbravaria as pacatas ruas de sua cidade, a equilibrar-se pelas avenidas do lugar que a vira nascer, e agora a pedalar sua bicicleta, inclusive, bem maior que ela! A vida agora seria rosa, cor de rosa! - Tão simples...- sonhava seu olhar pueril... - Pena que não será sempre assim! – lamentou seu Papai Noel, silenciosamente. E ele tinha toda razão! Mas ainda hoje, sempre que a vida insiste em mudar de cor, as lembranças e sensações desse Natal a retiram do cinza e escombros que por vezes a vida adulta impõe-lhe, e ela sai por aí, pelo mundo, a pedalar mais uma vez sua bicicleta cor de rosa, como se em Mara Rosa estivesse, completamente livre...