Te vi em todos os lugares que eu queria ver. Percebi suas existência em pequenas linhas, ou até em pequenas distâncias. Mas olhei fixamente e percebi que não era você, talvez o corte de cabelo fosse igual ou o jeito de sorrir, não sei. Só sei que havia algo familiar nele que eu conhecia e sei os pequenos detalhes. Pude te ver nos lugares onde eu passei, ou até mesmo, nos lugares que avistei. Pude te ver no sorriso inocente de uma criança. Pude te ver no arco-íris pela metade que havia no céu. Eu pude te ver. Mas isso não seria o suficiente. Ou seria? Não me importo, já que você não se importa.
E algo que eu te vejo inteiramente, e talvez, eternamente. Te vejo todos os dias dentro de mim.
Queremos algo que cicatrize logo. Queremos algo que talvez não há salvação ou escolha. Queremos o certo e o difícil só para no final dizer : Consegui. Queremos um homem que possa fazer tudo valer a pena. Queremos algo diferente para viver. Queremos que a dor passe o mais rápido.
Refiro no plural todas as alternativas, porque não é diferente para ninguém. No fundo, bem lá no fundo, todas as meninas são iguais.
É estranho, fora do normal, e eu ainda continuo parada, torcendo para que você chegue logo e me leve para sempre. Mas como eu sei, que sou uma mulher (por que não menina?) que acredita nisso até o fim, talvez, ele se realize. E talvez, um dia, vou conseguir levar essa história até o final.
Nada estava planejado e nada poderia planejar. Porque se fosse planejado, eu tentaria acabar com esses planos. Andei sonhando, sorrindo e até mesmo xingando, e acho que aos poucos, vou voltando ao normal. Mesmo com a dor, e solidão, no fundo, sou a mesma. Não espero um príncipe encantado, não quero dar nomes aos personagens, e também, não quero ser a personagem. Quero mostrar aos poucos, que essa dor não é uma farsa inventada para querer escrever. Não quero mostrar que tudo na vida é sofrimento. E assim, tento mostrar que a vida é desse tipo.
Eu acredito nisso. Mas tem algo em mim que prefere não acreditar, porque sim, sofri demais em muito pouco. Não posso amar mais ninguém, se eu amo, eles vão embora. Se eu odeio, eles ficam. Então, preciso odiar pessoas, coisas, que não servem para o ódio, servem só para o amor. O amor seria um contrato? Talvez. O Amor é um negócio, você se dá bem, ou você se dá muito mal. Ou esse sentimento te leva, ou você o leva. É assim que tem que se viver para não sofrer.
Meu orgulho foi ferido milhares de vezes. Pela primeira vez, em toda minha vida, fui deixada, e fiquei sozinha. Porque olho para o lado, vejo as pessoas rindo, tentando conquistar outras pessoas. E eu, não me movo. Não acho graça, não quero conquistar ninguém. No fundo, é medo de me perder. No fundo, eu ainda sinto tudo. Sabe o que é o pior disso tudo? Mais cedo ou mais tarde, vou ter que me libertar dessa solução que arrumei para tentar abafar a vida e seus amores malucos. Mais cedo ou mais tarde, eu vou ter que libertar o menino.
Me dói às vezes. Me dói porque eu me entreguei a ele, e ele não soube disso. Dói porque eu não fui nada, fui apenas uma lembranças estranhas. Mas eu não sei se eu sou lembrança. Eu sou presença, mas no fundo, sou ausência. Eu busquei, tentei encontrar você em textos, frases, sonhos, sinais, orações, horósocopos. Tentei te ver nos mínimos detalhes. Tentei achar pistas para que eu pudesse continuar com essa loucura. Tentei ao menos, te ver aonde não existia amor. Comparei você com outros. Contei suas histórias e suas loucuras. Contei sobre como havia te conhecido, e como eu consegui aos poucos um lugar. O lugar, que hoje, talvez, não faço mais parte.
Atualmente, eu não sei é de nada mais. Não planejo nada, não sonho com mais nada, e não quero mais nada. Não tenho forças para querer alguém. Não quero ter forças para querer. Não tenho força e também não quero dar a volta por cima. Quero ficar aqui, acreditando que pelo menos, tudo na vida tem algum motivo. Pedi ajuda de Deus, horóscopos, orixás, tarô. Todos me dizem uma única coisa: Seguir em frente. Mas ninguém consegue me apresentar essa estrada e eu não consigo encontra-la sozinha. Como começar, meu Deus? Como terminar algo que jamais foi começado?
Esperei que o ano novo mudasse tudo, mas até agora, só consegui algo diferente. Consegui um boato. Apenas isso. Tudo continua igual. Eu continuo igual, você continua igual, e ele continua igual. Então quer dizer que, a história de ano novo com sua renovação é só uma ideia maluca? Não sei.
Minha vontade era clara. Meus sonhos eram proclamados para quem quisesse ouvir. E eu contava a história com facilidade e com um pouco de felicidade. Tudo que eu queria era apenas que ele pudesse me amar. Eu desejei tantas vezes. Em silêncio, pedi várias vezes que pudesse me ver, pudesse ver que é só capa, mas que por trás de tudo isso, eu sinto e muito. Tenho medo de dormir porque tudo pode voltar ao normal. Tenho medo da vida agora, porque ela mais uma vez conseguiu mostrar que o mundo continua mesmo, eu querendo estar parada. A vida continua caos, e ainda sou cheia de cacos.
Quando me dizem que não comento mais sobre você, só consigo rir... mas não é porque está engraçado, é porque só consigo enganar a mim mesmo, no fundo, sinto pena de mim e desse mundo que é vazio sem a sua presença. Não escrevo querendo que você volte, porque sei que isso é impossível, mas escrevo para lembrar que essa dor um dia vai acabar e eu vou poder te dizer o que sempre quis, e chegará a vez que você também irá falar, mas tenho medo das tuas palavras. Elas sempre foram tão confusas para mim, pouco entendi suas frases e seus sinais. Se é que haviam sinais, não é?
Porque hoje. Hoje, só permito que o tempo fique escuro, mas que depois, que possa abrir um sol. E que traga a todos que um dia sofreram ou sofrem por um amor assim, um lindo dia. Um dia que represente a salvação, e não a dor. Um dia, que ilumine a todos. Um dia, que possa significar o recomeço de uma vida.
Deixará de existir para que ele exista. Para que todos um dia saibam que ele é o verdadeiro amor da sua vida. Que nada o trará de volta também. Porque ele preferiu ser o princípe feliz e fazer uma pobre menina feliz. E agora sobra pessoas sozinhas, indo e vindo comigo. Me acompanham e me forçam sorrir. Me fazem acreditar que viver sem amor é melhor. Me fazem acreditar que eu sou melhor sem você. Mas eu não quero mais acreditar nisso. Eu sou pior sem você. Eu sou fria sem você. Eu sou isso. Não sou mais nada daquilo. Nada continua igual, apenas o amor de quinze anos que nunca mais foi embora. E olha que já são 432 horas sem você.
Hoje, me dei uma licença da dor e da solidão que eu passei durante alguns meses. Hoje, me dei à licença de ver a vida de outra maneira. De outro jeito de amar. De querer e até mesmo de construir um sonho novo. Ver amor aonde não tem é uma mania chata minha, mas ontem, eu não vi. Nem hoje, e acho que nem daqui para frente. Amores que eu julguei fortes, sólidos, se desfazem. O depois é só depois, não precisa se preocupar com ele agora. O hoje é o principal. Hoje é melhor. Posso dizer isso, em pequenas linhas. Mas há um grande sentido. Sorrir porque o menino que eu acho lindo conversou comigo. Sorrir porque eu acho graça na vida. Sorrir porque amanhã tenho um baile para ir e não levarei meu celular, para não correr o risco de ligar para ninguém. Vi-me ontem indo ao cemitério. Posso comparar com a volta dos que não foram. Fui, levei flores ao túmulo que eu abandonei e o morto saiu de lá. Veio para o meu lado e eu saí correndo. Não, quem eu enterrei um dia, que fique lá, quietinho quietinho.
- Você me ama?
- Não
- Não?
- É, mas já te amei muito.
- Amou?
- Sim.
- E por que você não ama mais?
- Por que sim.
- Por que sim não tem resposta para isso.
- Tem sim.
- Não. Eu te amo.
- Tarde demais
- Para o amor nunca é tarde.
- Não existe amor.
- Por que você diz isso?
- Porque você me fez acreditar nisso, e hoje, nada mais importa.
- Mesmo?
- Sim. Hoje já fazem dezenove. E não houve resposta. Então, amor não existe.
- Existe, te digo isso.
- Você mente. Você é cruel. Você me fez sofrer.
- Mas eu te amo agora.
- Eu queria seu amor antes. Agora, não me importo. Um beijo. E me dá licença, quero passar...
Minha licença pode até não durar amanhã. Mas vale para hoje. A vida é engraçada. A vida é a vida. Sem mais. Por mais que eu tentei evitar todo esse tempo, ela veio e aconteceu. Se for um dia, eu vou ficar sim, eu vou ficar para sempre com o menino que me esqueceu. Mas se não for, algo bom chegará para mim. Só não posso ficar emburrada, de mau humor, e nem baixo astral, porque aí sim, ele nunca chegará. Nem o que eu quero, nem o que a vida quer para mim. Sabe, o engraçado é que eu vi maneiras de amores por aí. Eu amo não necessariamente um homem, ou melhor, dizendo, não necessariamente ele. Amo meus cachorro.
Hoje, já se faz 380 horas. Sim, o tempo passou rápido. E eu e ele, estamos passando mais rápido ainda. Ele é o blog inteiro, amanhã, ele poderá ser apenas uma coleção de textos que um dia, eu guardei. Poderá ser tudo. Poderá ser nada. Outros casos chegam. Outros vão embora. Enterro algumas pessoas sim, ressuscito outras. Meu horóscopo diz que é para eu desapegar de tudo que é tolo. Então, se desapegarei? Acho que isso infelizmente já aconteceu. E eu com a minha licença para ser feliz. Hoje, não quer mais sofrer. Se sofrer amanhã, não importa. Mas hoje, a licença é apenas uma. Esqueça das dores e sorria para o dia que acontece.
Nossa. Menina resolvida você. Sofre por um cara que é feliz sem você. Ele é feliz sem você. Ele é feliz. Entenda isso. Entenda isso agora. De preferência hoje. Ele consegue tudo o que você não conseguiu. Ele é o seu oposto. Mas é o meu amor de quinze anos. É o seu grande amor. Aquele que mesmo que fosse te ligar as cinco da manhã em um sábado e você estará deitada com o seu novo namorado, você vai escutar cada palavra e ainda o tratará como se fosse um novo amigo.
São 408 horas sem você. São dezessete dias. E não teve dor. Eu me encantei por outro. Acredito só hoje em horóscopo. Acredito só hoje que o que eu sinto por você foi momento de carência, foi amor de solidão, amor apenas de saber que você estava sempre ao meu lado, mas agora que você se foi, não sei mais se existe o amor. Nem sei mais se é amor o que eu sinto.
Meu jeito é o oposto. Tem sabor de mágoa, mas tem o sabor de alegria. Tem o desespero mas também há uma alegria que nem eu mesmo entendo. Alegria em saber que eu sobrevivi a tantas coisas. Tantos sofrimentos. Tantos tormentos. E mesmo assim, aqui estou. Podendo contar essa história a quem quiser ouvir.Ouço mais do que antes. Quero esquecer coisas realmente precisam ser esquecidas. Não. Talvez nunca foi um erro meu tentar inventar um amor. Não foi um péssimo erro. Não foi erro de ninguém. Nem meu. Nem seu. Não se culpe por isso. Sou agora fechada. Não quero que ninguém chegue do nada em minha vida. Quero preparar. Preciso ter o controle de novo de tudo, já que eu o perdi no meio das minhas bagunças internas.