Me dói às vezes. Me dói porque eu me entreguei a ele, e ele não soube disso. Dói porque eu não fui nada, fui apenas umas lembranças estranhas. Mas eu não sei se eu sou lembrança. Eu sou presença, mas no fundo, sou ausência. Eu busquei, tentei encontrar você em textos, frases, sonhos, sinais, orações, horóscopos. Tentei te ver nos mínimos detalhes. Tentei achar pistas para que eu pudesse continuar com essa loucura.
Ultimamente, falo pouco. Ando escrevendo mais do que tentando falar algo. Talvez, ninguém mais agüenta escutar os mesmos assuntos de sempre, e talvez, os mesmos amores. Ninguém mais entende e ninguém mais agüenta esse amor que eu sinto por você. Se é que se pode chamar isso de amor. Ultimamente, eu não tenho mais nada a dizer. Prefiro ficar aqui, no meu quarto do que sair por aí, caçando aventuras e desilusões. Prefiro ficar no escuro, a ir lá fora e ver o sol. Não sei o que acontece. Não sei o que há de errado comigo. A chuva está mais forte. Paro, olho a janela. Gotas vão se formando, vão caindo. E eu me imagino com uma gota. Me formei, aos poucos caí, e agora fiquei no chão. É, por aí isso. Não quero ser dramática, nem ser uma atriz mexicana. Esse é o meu jeito. Eu sou assim. Com dramas e fases. Com dramas e textos. Mas não se importe mais. Não me importo mais com isso.
Não consigo ver você indo embora de vez, sendo que sempre espero você voltar para poder ficar para sempre. Não consigo te deixar indo embora sendo que estou ficando.
Consigo olhar tanto essa foto sem enjoar, talvez algo dentro de mim acredita que se eu encarar muito ele te traga para perto de mim, para aonde eu estou, para esse quarto escuro e totalmente sem vida.
Não quero ser feliz. Não quero ser triste. Não quero dar a volta por cima. Não quero arrumar um namorado. Não quero responder. Não quero falar. Não quero ficar bonita ou tentar ser bonita. Não quero emagrecer. Não quero engordar. Não quero sair do chão gelado. Não quero fingir. Não quero ser atriz e enganar a dor. Quero só respirar e deixar que o mundo dê jeito. Não quero mais insistir. Não quero perder a fé. No fundo, eu não quero mais nada. No fundo, eu não acredito mais em nada. Não consigo respirar fundo, porque me dá falta de ar. Então esquece.
Não sei o que ele tem, não sei o que ele quer, não sei nem ao menos o que ele sente. Não me faz te esquecer, não me faça negar um dia tudo que eu senti. Não me faça ser incapaz de sentir algo que explode e que só consigo respirar bem lento quando seu nome é pronunciado. Tire de mim o nó da minha garganta, afaste os meus medos, traga consigo seus sonhos para juntar com os meus. Eu só quero isso. Não! Sim Layla, já escreveu demais e não houve alternativa, abandone. Não! Por quê? Eu quero amar de novo, eu quero ser nova, quero entender tudo que foi perdido. Não deixe que o outro me leve pra longe e te faça esquecer, juro que o que eu sinto é bonito, dramático e sincero.
Porque eu aturo tudo calada e maquiada. Quer saber? Eu me importo, mas para que me importar com algo se você não se importa? Qual é a graça? Vou fingir que não ligo, mas todas as madrugadas, eu quero pegar o meu celular e te ligar. Vou fingir que não preciso de você, mas todas às vezes que eu escrevo, é de você que eu preciso pensar.
Só queria ser o que você é para mim. Só queria ocupar em você um dos lugares mais bonitos que poderia existir. Só queria poder dizer que tudo isso não é apenas um drama. Só queria que você soubesse isso, mas sei que você sabe, então, o meu papel eu pude fazer. E o seu? Qual seria o seu papel nessa história?
Quando ele foi embora, admito, pensei que iria ficar louca de uma vez por todas. Pensei que a qualquer momento, seria capaz de pular de um prédio, da janela, mas não foi nem isso que aconteceu. Quando ele foi embora... na verdade, ele não foi embora totalmente. É uma das grandes coisas que gostaria de entender.
Não acho mais graça na vida. Não acho graça no amor. Tem como isso? Não sei. Esse semblante de indiferente que tenho fez com que muitas pessoas me julgassem de insensível, mas no fundo me importo e me importo muito. Não demonstro, nunca demonstrei, mas ainda sonho com ele, penso nele, se fosse possível, poderia até na casa dele e dizer palavras chulas e complexas para que perceba que não sou mais quem era.
Porque sou cheia. Cheia de fases, cheia de sonhos, cheia de choros e carências.
Evito não amar. Evito não entrar em contato. Evito conversas, frases, sorrisos e suspiros. Evito porque tenho medo da dor. Evito porque no fundo tenho medo da rejeição. Evito porque não quero deixar minha maquiagem borrada pela milésima vez e meu orgulho ferido.
É seu, o lugar mais lindo que pode existir dentro de mim. É seu o coração, os textos, o meu mundo. Eu sou sua, seja o que for acontecer. Seja quem chegar. Seja quem sair. Tudo bem, já disse que era de tanta gente, mas nunca saiu tão sincero como agora, como de hoje. Então, guarde. Ele é seu.
Ela, com sua sensibilidade a flor da pele. Ele, com seu jeito arrogante e prepotente de ver o mundo e de se ver. Mas assim não dava, assim, nada se resolveu, até que em uma noite fria e bastante chuvosa, ela pode dizer o que queria. E ele? Ele fez o que? Ele apenas disse que não poderia corresponder toda aquela expectativa, mas ainda continuavam sendo um casal, um casal de conto de fadas moderno, mas sim, um casal.
Um se lembra do outro, mas por que não podem assumir isso? Ele sabia que se pudesse voltar, ela perdoaria. Ele sabia que para ela, nada mais interessava a não ser ele. Ela sabia que para o mundo ser perfeito, ele tinha que estar ao lado dela. Ela sabia que para ele, o desapego sempre foi maior, ele não sossegava com mulher alguma, por que sossegaria com ela?
Se eu amo, eu amo muito mais, eu quero muito mais, eu preciso mais dele do que qualquer outra coisa. Sou exagerada, dramática, intensa e vulnerável. Não sei amar pouco, não sei ser simples, não sei não-me-importar-com-a-sua-falta. Você pode achar que é drama, exagero, falta do que fazer, mas essa é a verdade. Eu sinto a sua falta.
Me encolhi no escuro do meu quarto e aqui dá impressão que consigo viver em meio de tantas coisas ao meu redor. Me encolhi e chorei. Mas não agüentei por muito tempo, encolhida. Me deitei no chão, joguei o tapete ao lado e fiquei um bom tempo encarando o teto. Outra lágrima querendo pular, outro sentimento esmagado por um caminhão de lixo, outra perda de chance. Eu não agüento mais sentir todos os sentimentos do mundo dentro de mim, não agüento mais ter um nó na garganta que não saí, não agüento mais ter frases e coisas pra se falar, mas que no fim das contas só diz algo sem importância e sem graça. Não agüento mais!
Tudo acontecera rápido demais, ela se apaixonou, ele não. Ela se iludiu, ele não. Ele partiu, ela ficou. Tudo era confuso, um passo adiante para ela, era trezentos para trás. Não era exagero, a vida não evoluía, a vida não queria mais nada a não ser afastá-los, afas... ta-los, afa...lo.
Amelie, agora com seus quase dezoito anos, agora sim, um número perfeito e ela também continua imperfeita. Qual é a graça de fazer tudo certo? Qual é a graça de ser perfeita? Não há graça alguma. E essa menina, que tinha olhos de ressaca, sabia de algo importante. Mesmo que a vida dela havia parado no tempo, conhecera os clichês como um bom e velho clichê dizia. "Depois da tempestade, chega o arco-íris".
E daí, Amelie? Todo mundo sabe que você adora tomar chuva.
Sou feita de azar, talvez. Sou feita de solidão, de loucura, de drama. Sou feita de histórias e cargas pesadas. Tenho coração ferido mais do que qualquer um. Pode ser drama, pode ser exagero. Mas sou feita disso também. Dentro de mim, cabe um mundo. Só que ele seria esse mundo, e como se ele foi não cabe mais nada dentro de mim.
Escrevo tentando adivinhar o sofrimento futuro e até mesmo, escrevo para tentar encontrar alguma coisa atrás-de-outra-coisa. E é com essa magia de mistério que me faz querer continuar.
Por mais que eu queira demonstrar alguém forte, acabo mostrando a minha verdadeira personalidade. Olho para o pôr-do-sol lá fora e peço renovação. Não agüento mais a mesma coisa de sempre. Não agüento mais falar em silêncio, chorar em silêncio e até mesmo, amar em silêncio, pensar em silêncio. Só consigo falar pausadamente, só consigo falar sobre as dores que não sei nem ao menos se existem realmente
Quando houve uma forma de comunicação diferente, estranha, uma única forma. A forma de comunicação fora rejeitada e de novo, se perderam por meios de uma nova mulher, um namorado e muitos, MUITOS dramas. Mas de alguma forma encontrada, um se lembrava do outro, mas, a comunicação foi em vão, e mais uma vez se perderam. Ela se perguntava como ele está, se o cabelo dele ainda continua grande, se ainda ele quer participar de uma banda. Ele, deitado com outra em uma cama numa cidade litorânea, pergunta-se se ela ainda é dramática, temperamental.
Desejando achar algum freio para isso tudo e parar com essa estupidez de amar que nunca me amou e que jamais vai me amar. E o ideal, parar de amar a quem só sente pena de mim. Algo pior que não amar, é sentir pena da pessoa. E ele sente pena de mim. Ele só pode sentir isso. Tudo é incrivelmente triste e tudo é incrivelmente chato. Não acho graça em nada. Não consigo mais ler livros. Não tenho mais a concentração de escrever textos. Não consigo nem ao menos, colocar as idéias em ordem.