Tereza
Era uma cidadezinha pequena,
sem alma, sem empatia,
sem alianças.
Nela havia beleza,
nas montanhas,
no céu e nas crianças.
Toda sua cultura foi esmagada,
por religião, fofocas e trapaças.
E foram as primeiras noites sem dança,
sem amor, mas com vitalidade e esperança.
Venha inspiração e faça de mim morada,
que em meu seio seja tua casa.
Eu, que nada sou sem ti,
ainda sinto que habitas em mim, desde o primeiro dia em que lhe senti.
Não se afaste, não recue, não se desperdice,
esteja aqui, sendo serena, intensa e transcrevendo-me .
É um novo ciclo. O começo de tudo. O princípio, meio, o fim e o recomeço. Onde tudo nasce, floresce e cresce.
É estar imerso ao infinito, às possibilidades, não esquecendo de apreciar o caminho. Cada grão, cada espinho, cada céu, cada estrela e cada chão. É estar conectado, mergulhado, atento e curioso. Bastar-se como o infinito, segurar tudo em seu dorso. É a mudança, impermanência. O movimento que tudo agita, sacode, destrói e conserta. A composição, a reestruturação e o contentamento convivendo em uma harmoniosa união.
Você pode tentar correr, se esquivar, se esconder e interpretar. Fazer seu jogo, sua dança e seu alvoroço.
Você pode subir em árvores, montanhas e voar com as aves. Gosta de brincar com fogo, com o desespero o sorriso de bobo, mas no fundo,
sinto teu choro.
Você faz de propósito, sem dó ou remorso. Implica, mas nega. Quer apostar corrida, brincar de pega-pega.
Quer acelerar a vida, tomar na rédea e fingir que não quer te controle, mas nesse jogo, meu amor.
Não há perdedores, apenas predadores.
Este chão que desliza enquanto ando, o mesmo solo que pareceu-me um dia ter sido tão fértil.
Esta cabeça de humano tão capaz de pensar, repensar, criar, concluir e deletar.
A caneta jogada nas minhas revistas, ama, traça, rabisca, ensina e como inspira.
Esta arte aberta sobre a mesa que preenche-me e finaliza-me todos os dias.
Este cigarro que conheço desde uma pré-adolescência bem vivida, que afaga a alma e invade com teu gosto amargo de prazer.
Sinto pena de ti teclado, ao receber uma surra diária de boas palavras e assuntos tão sérios, não abandonar-me.
Eu proponho então um brinde a esse pequeno universo.
Eu gosto mesmo são dos seres mutáveis,
Aqueles que se reinventam,
Ora suportam, ora aguentam
Gosto do sabor da metamorfose,
Onde apenas sobrevivem à mudança, os fortes!
É permitido dançar com a impermanência,
Enfrentar as turbulências, testar as convivências, buscando alimentar a sapiência.
A Bahia tem uma magia que é só dela!
Ela ensina, cura e recupera.
São processos mágicos, lentos que te fazem perceber o gosto e a importância do vento.
É banho de mar de dia, banho de mar a noite, tira seus medos como uma mãe que te apresenta o escudo e a foice!
Por aqui também existe banho de sol e lua, dança na rua, que cativa os nativos, os visitantes e toma tua alma nua.
Eu, humana falha, aceito todo o poder, toda a sabedoria que ela vem me ensinando a cada dia, e é por isso que eu lhe digo, SOU LOUCA POR TI BAHIA!
Ás vezes precisamos fazer alguns esforços para construirmos o futuro que buscamos.
Abandonar nossa casa e criar asas.
Deixar amigos, desgrudar de amores e encararmos sozinhos o que está por vir.
Como dizia Suassuna “A tarefa de viver é dura, mas fascinante”, e estando sempre entre a constante do que dói agora e focar no futuro brilhante, mora a dúvida no peito dos que choram, de saudade ou nostalgia, de melancolia ou alegria.
Deixar nunca foi fácil para mim, simplesmente abrir mão e seguir, mas necessário foi!
Certamente é uma tarefa para os corajosos, esses que já se mudaram tanto que colecionaram lembranças suficientes para lhe marcarem o espírito e tocarem a alma.
E todo conselho que nos damos é: -“Calma!”.
Uma hora você chega, uma hora você descansa, pois a vida é uma dança, mas nunca foi brincadeira para criança, quem tem perseverança alcança e quem cansa não avança.
"Andei procurando sentidos que pudessem levar-me do náufrago ao porto.
Desembarquei em ti Bahia.
Solo que me era pouco conhecido.
Pisei na tua terra, banhei-me em tuas águas, abracei teus nativos e respeitei tua mata.
De ti não quero distância, quero teu mel, tua pimenta, dançar com os Pataxós e fazer eternas lembranças.
Agradeço teu conforto, teu zelo, teu alvoroço,
que sem nenhum esforço faz de mim um todo".
Simplesmente não é recomendável ouvir certos tipos de pessoas, pois se você observar, essas mesmas pessoas que aconselharam-te, julgaram-te e ainda observam-te, estão no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas e tendo as mesmas vidas.
Tal vida que queriam para ti, a qual queriam prender-te, sufocar-te na mesma cidade, vendo as mesmas coisas, sofrendo os mesmos desamores, pois por falta de fé ou caráter não acreditavam que tua capacidade não lhe deixaria permanecer ali.
Por fim, essas mesmas pessoas que perderam tempo minando-te ao invés de espelharem-se, não caminharão o abismo que andaste e nunca chegaram aonde tu traçaste.
Ele é breu
Faltou o doce do mel, faltou o azul do céu.
A nascente sem água, uma floresta sem mata.
Um céu sem estrelas, uma noite fria sem fogueira.
A vida é cinza do seu lado do horizonte, não existe cores, amores ou mais nada que o encante.
Ele é breu, não chama nada de seu, caminha na solidão, não quer nada no coração.
Há algo em você.
Há algo em você que não liberta seu potencial,
Há algo entrelaçado em você que te prende e não solta teu instinto carnal.
Há algo em você que tentei destrancar e deixar escorrer,
mas o seio de teus dogmas foram mais fortes, podou a fechadura sem corroer.
Há algo de diferente em você que às vezes briga querendo sair,
mas você por medo se fecha, pedindo a Deus para aquilo não existir.
Há uma dúvida em você, se sai correndo para libertar quem você é,
ou se fica em casa, trancado, esmagando os sonhos como quem nada quer.
Há algo que uma hora você precisa deixar florescer,
correr teus sonhos sem se enfraquecer.
Há sempre espaços novos para você existir,
sem crenças, sem dogmas, sem conto de fadas, sem receitinha de bolo,
mas um espaço livre para você mesmo descobrir.
O tal do si.
Às vezes tudo que você precisa é um de espaço seguro para manter o foco em si, redirecionar a atenção, o cuidado, o investimento do grandioso tempo, para si.
Às vezes o “si” , se colide com algo que poucas pessoas conseguem enxergar, mas o segredo é manter essa janela para si. Se o outro quiser ver, que a destranque e a abra.
O “si” é um espaço sagrado, é o lar, o refúgio das almas inquietas que estão a todo momento lutando para não transbordar e quando ela vaza de “si”, se torna instantaneamente vulnerável.
Às vezes é necessário parar, olhar ao redor e dar uma pequena vasculhada no “si” e investigar se realmente é ali que ele pertence, para que ele não se perca e o “si” permaneça onde se deseja e onde se cresça.