Mendicância II
Naquela esquina deserta
Há uma sem nome
Sem rosto, sem direção
No calor do sol
No frio da noite
Molhada da chuva
Recostada em suas ilusões
Vestida apenas das suas amarguras
Que tanto pesam que nem se pode levantar
À sua frente uma sacola cheia de nada
Vazia de tudo na vida
Aberta, escancarada, arreganhada às moscas
À espera das doações misericordiosas que surgirem
Passando por lá, tu tenhas piedade também
Jogue qualquer coisa ali dentro daquela sacola
carinho,
afeto,
atenção,
amor...
Pressentimentos (acróstico)
Preciso desabafar com alguém,
Relembro sempre meus sonhos pela manhã
Especialmente os que envolvem pessoas queridas.
Sonhos bons
Sonhos maus
Em que me é revelado por diversas vezes
Notícias que hão de acontecer.
Tudo que sonho de certa forma acontece
Independente da minha vontade.
Mesmo assim essa condição nunca me
Espantou tanto quanto agora
No momento me recupero de um novo susto
Tentando me preparar para os vindouros
O que fazer com esses malditos sonhos?
S eria melhor as noites de insônia do que as noites dormidas.
Vem surgindo um novo tempo
Aproveitemos o clima festivo do Reveillon para extravasarmos nossas emoções e recomeçar!
Após todas as lutas, vitórias e derrotas no percorrer do ano, chegamos ao seu final uns com a sensação que é o fim, outros com a certeza que é a oportunidade de um recomeço, e essa certeza é o que desejo para todos nós.
Oportunidade de buscar caminhos menos tortuosos dos que os já percorridos, de pronunciar palavras mais doces dos que as já proferidas, de deixar cair as máscaras outrora utilizadas e mostrar a face ao mundo, de abrir o coração antes trancado pelas amarguras deixando-o livre para os sentimentos puros advindos desta mágica melodia de esperança cantada ao iniciar de um novo ano.
Contudo, se não for possível tal mudança de vida, dê-me um abraço apertado.
Sinta pulsar meu coração junto ao teu.
Choremos juntos, basta de solidão.
Adocicada
Sedução, ingênua sedução
Transmitida num olhar
Cabreiro e resistente
Num piscar de olhos
Nem sempre intensional
Numa respiração leve
Ou ofegante
Num entreabrir de lábios
Num mordiscar dos mesmos
No retoque do batom
No salivar
Num abrir de poros
Num exalar de perfume
Numa transpiração de desejo
Secreto desejo tão percebido
No ruborizar da pele
Na contração dos músculos
Num levantar de ombros
No acariciar os cabelos
No mordiscar as unhas
No sugar dos dedos
Num cruzar de pernas
No seu descruzar
Nos pensamentos mais quentes
Secretos pensamentos
Tão percebidos...
Soneto da Madrugada
Chuva fina lá fora
noite escura
sozinha
sombria
Aqui dentro sentimento
dor, lamento
você
em meu pensamento
Chegou de repente
sem aviso
sem convite
avassalador
Me pegou pela mão
guiou
descobriu
e me revelou.