Quando o professor usa de sua práxis pedagógica para educar para a sociedade, contribui para a transformação da escola, quanto instituição responsável pela construção de uma equidade social, em um aparelho ideológico do Estado, sendo assim ele não educa, mas molda seus alunos aos intereses sociais que o controla.
Diante da concepção de que não há uma metodologia única capaz de contemplar a diversidade de uma sala de aula, acredito que não há educação significativa, se a mesma for dissociada da realidade do aluno, e muito menos se a mesma não for focada no desenvolvimento integral, que seja capaz de perceber a individualidade do aprender que cada discente trás consigo e precisa ser apropriado por ele.
Ser educador está para além do cumprimento de um currículo, para além da sala de aula, para além dos muros da escola. É enxergar as diversas facetas do corpo discente que compõe a escola e perceber que nunca haverá uma técnica, metolologia ou procedimento pedagógico ideal, capaz de contemplar essa diversidade.
No dia em que a sociedade enxergar
que a educação, verdadeiramente humanizadora,
é o caminho mais curto para uma vida social dos iguais,
sem exploração e discriminação,
teremos o prazer de ver a educação
como uma temática priorizada
em nossos diálogos diários
Enquanto a escola estiver
assumindo como seu foco
as exigências de um sistema de ensino,
para o qual ela está subordinada,
bem como, atribuindo ao currículo,
o norte de suas ações,
a formação integral de seus alunos,
continuará se perpetuando
como uma utopia,
oriunda de um discurso
desagregado de sua prática.
A escola tem que funcionar
como uma extensão da realidade
que o aluno encontra no meio em que vive,
para que ele encontre significação
no que aprende.
Aquele que muito busca
entender o que ninguém
Conseguiu explicar,
Sofre porque deixa
De viver sem o tormento
Do querer saber,
Sem ter onde encontrar
As respostas para as suas
Inquietações que tanto
Lhe faz flagelar.
O neoliberalismo transformou a escola
em uma empresa que produz ensino,
onde o aluno é um cliente
para a instituição privada
e um número para a pública.
Enquanto que na primeira
o foco no cliente tem o propósito
de garantir o acúmulo de riqueza,
na segunda o uso do número
é o recurso estatistico utilizado
para sinalizar que estão no caminho certo,
capaz de garantir a ideia falseada
de uma qualidade que não se traduz em
uma verdadeira aprendizagem significativa.
Vivemos um mundo
onde o importante para as pessoas
é ser igual, mas esse igual não é
no sentido da equidade,
mas da popularidade, porque para essas pessoas
o que verdadeiramente importa
é a evidência.
Se acreditarmos que uma montanha
pode ser composta de pequenos grãos,
podemos fazer de cada dia uma fonte de aprendizado,
onde cada conteúdo aprendido
vai compor um capital cultural
que nos tornará, em um futuro não muito distante,
em alguém que poderá compreender
que nem só de grãos se forma uma montanha.
O que verdadeiramente significa para uma pessoa,
pode não ser o que ela demonstra significar,
pois o que ela usa para mostrar como significativo
é apenas uma fuga para o que o torna
insignificante quanto ser.
Enquanto a escola mantiver
um currículo, apenas, como
pano de fundo de suas ações
os professores continuarão
exercendo um papel
de meros colaboradores,
de um sistema de ensino,
que prioriza os resultados como
determinantes de uma qualidade questionada.