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Frases de José Rony de Andrade Alves

71 frases

semente infeliz Era uma semente alada, com um futuro promissor.
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semente infeliz Era uma semente alada, com um futuro promissor. ganhou um berço de lata, seu futuro virou opressor. sem perceber caiu na cilada, não era admirada, cresceu, ficou entalada, não sabia que era na lata, que seu destino era a salada, e assim a morte a ceifou.

Sóbrio eu pergunto O Campo relvado Está a encantar
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Sóbrio eu pergunto O Campo relvado Está a encantar O sol elevado Está a brilhar O solo escalvado Só pode rachar Caminho silvado Só pode afrouxar Vida sem cortejo É triste de ver Amor sem pelejo Talvez deva ter Brandura na terra Raridade nos atos Candura na fera Brevidade nos gatos Talvez deva ter Um homem feliz E esse deva ser A força motriz Talvez seja um Deus Um homem distinto Presente, com seus: Os filhos extintos Virarei defunto E Assim morrerei E sóbrio eu pergunto: Para aonde irei?

Um dia serei algo Nem que seja um derrotado Um homem sozinho, isolado
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Um dia serei algo Nem que seja um derrotado Um homem sozinho, isolado Astuto, instável, inconsolado Fora de si, louco, transtornado Um verdadeiro desgraçado Um dia serei algo Nem que seja um defunto Ou ainda um conjunto: terra, lama, pó, rejunto. As vezes eu até pergunto: serei eu um consunto? Um dia serei algo Há quem diga um mineral Absorvido por um animal Internamente, parte visceral Terei um destino cru e fecal Serei um efeito colateral Um dia serei algo Nem que seja uma memória Talvez eu entre para história Triunfarei com a minha glória Ou apenas, terei uma vida ilusória Um fracasso, azarado, sem vitória Um dia serei algo Nem que seja um sonhador Um memorável doutor, Um senhor sem pudor Ou apenas um desfavor Para uma vida sem amor Um dia serei algo Nem que seja um destroçado Há quem diga um milionário Um grandioso empresário Ou apenas um esfomeado Em uma rua, desolado Um dia serei algo Nem que seja amigaço Um super-man, homem de aço Um beberrão, um bagaço. Ou quem sabe Pablo Picasso Ou apenas um palhaço Um dia serei algo Nem que seja um velho instável Há quem diga um ditador inigualável Populista, com caráter formidável Ou apenas, um pobre velho deserdado Sem afeto, simplesmente, abandonado. Um dia serei algo E assim, com caráter ferrenho Com esforço, confiança e empenho Digo a única certeza que tenho: É que um dia serei algo.

A imobilidade da luz Agora do mesmo jeito que os fiz, desfazer-los-ei. Morrem uns para existir outros. Às vezes, o tédio ou falta de perspectiva me faz deletar em massa. Assim eu era. Sei que podia parecer algo cruel deletar a existência de “alguém”, (espero que entenda) não faz…
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A imobilidade da luz Agora do mesmo jeito que os fiz, desfazer-los-ei. Morrem uns para existir outros. Às vezes, o tédio ou falta de perspectiva me faz deletar em massa. Assim eu era. Sei que podia parecer algo cruel deletar a existência de “alguém”, (espero que entenda) não fazia isso por que queria ou por que gostava, simplesmente porque era preciso. A vida foi, a princípio, uma ideia que me surgiu em um momento de tédio; Eu não esperava tanto; simplesmente me surpreendi! Quando tive a primeira ideia da criação, estava passando por um momento conflituoso, tinha me entediado com tantos projetos monótonos e acabei destruindo o meu último projeto que era uma esfera consideravelmente grande de energia branca, e foi aí que tive a ideia de algo mais interessante: resolvi criar uma galáxia invés de constelações e centros sugantes. Mesmo assim, vi que aquilo não passava de uma ampliação dos meus projetos anteriores. Então, fui a pasárgada refletir; estava muito exausto e nenhuma ideia boa ainda me exsurgia. Após algumas consideráveis eternidades, vislumbrei algo que seguia um fluxo próprio e fugia da monotonia; algo que era regido por uma regra geral. Era a gênese da vida. Assim sendo, foi nesse momento que me debrucei em um projeto magnificente: A Criação. Remodelei os destroços da esfera de outrora, criei a natureza e os animais. Com o pulsar das gerações e o dardejar dos milênios, sucumbi ao ver o grande equívoco da criação: foi a pior monotonia que já vivera; antes pelo menos eu podia ter eternidades para outras coisas, entretanto, daí em diante, tive que tutelar esse projeto. Nesse momento, tive muito trabalho, deletando e renovando existências que no fundo seguem uma lógica continua de perpetuação. Isso tudo me dava calafrios em gastar algumas das minhas eternidades nesse fastidioso trabalho. Sei que para infinitas eternidades que tenho, algumas não iriam me fazer diferença. Entretanto, isso me fustigava lentamente e me causava uma monotonia cruel. Foi então que decidi criar uma vida que se destacasse. Por tentativa e erro, comecei por macacos, depois sapos, aliens, e por fim, sapiens. Já estava com as mãos doloridas de tanto misturar. Com o tempo acabei gostando dessa criatura. Pensei, que talvez deveria misturar dois deles. E assim ficou: Sapiens Sapiens. No final do processo, só restou uma criatura, e assim, intitulei-o de Anão. Ah não, não era esse nome; lembrei: Adão. E assim o foi. A criatura a cada “secundos” demonstrava destreza, sabedoria e, assim, me alegrava. Certa vez, resolvi criar o Destino para cuidar da vida e da morte. Com tempo livre, ocupei-me em outros projetos, e acabei deixando a minha criação em segundo plano. E de supetão quando estava no cinturão de Orion, uma ideia catucou a minha mente, sugerindo-me a criação de uma companheira para a criatura. Estava sem tempo para visitar frequentemente a minha criação, e por isso, resolvi dá a luz à ideia. Só que quando fui criá-la, tinha esquecido da fórmula. Misturei sapo, macaco, peixe e acabei criando uma mistura de sapiens com peixes; vi que não estava legal para uma companheira. Chamei-a de sereia para não ser desprezada. E sem obter sucesso, resolvi arrancar uma costela do Adão, e assim, formei uma companheira; intitulei-a de Eva . Vi com o tempo que ambos estavam felizes. Mas isso não me agradava nem um pouco. Felicidade é monótono e monotonia me causava incômodo. Então coloquei uma arvore com frutos afrodisíacos para testar a resiliência de ambos. Eles passaram um tempo se contendo em comer os frutos; foi então que decidi colocar uma serpente para atentá-los. A serpente fez um ótimo trabalho. Ainda me recordo da retórica da serpente que usou para ludibriar Eva: —Estes frutos têm poderes especiais, por que não comes um? —Porque fui proibida; estes frutos não fazem bem. —Não seja tola, se o criador colocou uma árvore desta no paraíso, é claro que foi para vocês. Ele devidamente está testando a inteligência de vocês. E desta forma, ele quer que vocês ultrapassem as restrições e façam a diferença. —hum, talvez tenhas razão —É claro que tenho; sou fruto do criador!. venha aqui; Tome este fruto, este é seu; partilhe-o com Adão. E assim, Eva levou o fruto, e Adão, ingenuamente, comeu o fruto de Eva e não percebeu que caíra na tentação da serpente. Dessa forma, acabei vendo a fragilidade dessas criaturas; vi que estavam muito longe da minha sapiência. E nessa lógica, vi que eles jamais iriam chegar perto dos meus Arcanjos. Com efeito, condenei-os a lei do Destino. E assim ao Destino declarei: —Estarás incumbido de ceifar a vida deles, toda vez que chegar a hora. Eles terão o fado de nascer, crescer, procriar e morrer. Eles não mais viverão uma eternidade. Vão sentir a dor carnal. sofrerão com os temores e seguirão a Lei Natural. Depois me ausentei e deixei-o regendo a criação. Após algumas finitas eternidades, resolvi visitar a criação. Senti um verdadeiro abalo ao ver aonde a minha criação chegara. As criaturas de outrora não mais seguiam a Lei Natural. Criaram a sua própria lei. O Destino estava cada vez mais com problemas. As criaturas estavam dominando cada vez mais a inteligência. Estavam adiando o veredicto do Destino. Guerras, miséria, contrastes, tecnologia, temor, destruição, estavam caracterizando a criação. Aquilo de fato não era monótono, era extremamente inconstante. Talvez a minha ânsia pela fuga da constância tenha a impulsionado à Evolução. Não os via mais como uma criação. Via-os como uma transmutação. E destarte, resolvi me ausentar novamente e esperar mais algumas eternidades para ver até onde eles irão chegar...