Foram tantas vidas...
Tantos sonhos...
Que deixei pra trás...
Perdidos no caminho das incertezas, dúvidas e medos.
Um pedaço de mim que o tempo apagou e que deixou um vasto vazio.
Vidas que morreram...
Sonhos que por deverás vivem...
Sonhos que vivem adormecidos na alma em profundas horas de sono.
E que de vez em quando é acordada por um pesadelo que insiste em dizer: Acorda! A uma pobre alma que jaz no esquecimento, e que só diz: deixe-me descansar! se possível por eternidade.
Por trás dos meus olhos cristalizado há uma esplêndida luz que carrega uma visão profunda do mundo, e um filtrador de sombras a dissipar toda forma de trevas que permei ao meu redor, por trás do peito um coração humano demais que pusa ritmicamente ao ponto de arremessar qualquer ato desumano a ano-luz de mim. No corpo escondo a sete chaves à alma de um anjo por uma busca incansável por sentidos e propósitos. Infelizmente por onde andei alguns não me compreenderam, e EU nunca compreenderei determinadas atitudes de alguns. Sei que alguns querem cortar minhas asas e, até mesmo me prender em gaiola, outras querem me barrar, muitas que eu desapareça, e EU continuo seguindo minha caminhada não como às ondas limitada de um mar, mas como as correntes d'água de um rio que não aceita obstáculos
Vi o tempo levar vidas...
Vi as estações fugirem...
Vi às horas correrem...
Vi o sol a lua e as estrelas desaparecerem...
Vi as nuvens mudarem de cor...
Vi no céu arco-íris e raios darem sinais..
Vi flores nascer e morrer, mas não vi aquela velha pedra se mover.
De todas as delícias e de todos os sabores dessa vida, a única coisa que se possa desejar de melhor nessa vida a um pobre de espírito:
Que escale um vale de dores;
Que se afunde em um oceano de lágrimas;
Que atole seus pés em um deserto de areia movediça, e que tenha a crença de encontrar um Deus por lá;
E se por acaso encontrar, me avise por favor!
Quando o seu chão desabar; erga à cabeça ao céu e lembre-se das nuvens. O criador não permitiu que ambas tivessem a força de contrapor à bravura do vento, mas assim permitiu que à fúria do vento as partissem entre si, e as carregasse para onde bem quisesse, há quem diga que algumas foram para o norte, sul, leste e oeste,
mas ninguém sabe o rumo certo de cada uma, mas o criador sabe.
Deus fez o homem a sua semelhança, e o homem contemporâneo fez de Deus um pequeno boneco inflável e o colocou preso em um pote de vidro.
Um Deus que só a eles pertencem
Um Deus que eles próprios colocam palavras em sua boca
Um Deus que não tem voz e nem vez
Um Deus que eles pintam e bordam
Um Deus enfeitado de fantasias
Um Deus que eles próprio ditam suas regras
Um Deus que não pode se manifestar no inferno ou até mesmo ir ao inferno
Um Deus que tem seu preço
Um Deus ao mesmo tempo intocável
Um Deus que só pertence ao mundo deles
Um Deus limitado demais, pra caber em um mundo infinito.
Me leva Deus para onde a escuridão habita, e que as tuas resplandecentes estrelas me faça enxergar todos os dias o quão raro e belo é o fato de tu existir . Onde a leveza do vento me faça sentir seu toque a me acariciar.
Onde o silêncio me faça ouvir sua doce voz a sussurrar aos meus ouvidos. Onde a nascente do amanhecer me acorde todos os dias com os cantos dos pássaros a anuciar que à minha vida continua. Onde o tempo não me encontre. Onde o aroma do lar seja apenas das flores. Onde a fonte da água viva possa me afogar todos os dias sem me matar. E que minha fome seja saciada todos os dias pela tua graça.
Quem me dirá se as lágrimas que caíram dos meus olhos eram bem mais profunda do que o oceano que me banhava?
Quem me falará se o pequeno pedaço de chão onde meus pés pisaram era bem mais firme que as ondas da maré que vinha constantemente me bater onde naufraguei?
Quem adivinhará se morri ou sobrevivi naquela profundeza de um mar profundo que me lançaram? Ah! e o ar que eu prendi me diz tantas coisas (...) uma delas que estou vivo!