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Frases de joão andrade

33 frases

No fim da estrada, estarei sozinho. Os amores, os amigos,
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No fim da estrada, estarei sozinho. Os amores, os amigos, os parentes, os saudosos inimigos já terão me esquecido no caminho. Terei os olhos vermelhos, marca de letras nos joelhos e as cicatrizes dos carinhos.

Nada do que crio serve ao ócio, serve ao ópio,
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Nada do que crio serve ao ócio, serve ao ópio, serve ao cio. Nada do que sou serve a mim, serve à míngua, serve ao engano. Prossigo adeusando tudo que vejo, tudo que desejo, esperando o fechar das portas, o apagar das luzes, o descer do pano.

Verdadei minhas mentiras de tal modo no abismo mais profundo de mim
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Verdadei minhas mentiras de tal modo no abismo mais profundo de mim que as flores viçosas de plástico coloriram e perfumaram meu jardim. Sucumbi às minhas verdades de modo tão íntimo, tão intenso que construí com lágrimas e com lenços minha torre de marfim. Vivi de tal modo todos os meus eus, que já não sei quem me dirá adeus quando eu chegar ao fim.

Não tenho visão, sou visionário no dicionário dos pequenos. Não tenho calma, trago na palma
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Não tenho visão, sou visionário no dicionário dos pequenos. Não tenho calma, trago na palma a alma dos mais, a alma dos menos. Não tenho fama, sou difamado pelos mais amados, pelos mais amenos. Não tenho abrigo, sou amigo das estradas, das madrugadas, do sereno. Não tenho dor, vivo doendo. Não faço versos, os versos, em mim, vão se fazendo.

Conto do Desmantelo Azul Uma vez, durante a primavera, eu vi o mar. Era fim de tarde, eu era criança, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez. O encontro, no horizonte, do céu azul com um mundo de espelho azulado com moldura azul-dourada invadiu meus olhos, ar…
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Conto do Desmantelo Azul Uma vez, durante a primavera, eu vi o mar. Era fim de tarde, eu era criança, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez. O encontro, no horizonte, do céu azul com um mundo de espelho azulado com moldura azul-dourada invadiu meus olhos, arrebatou minha alma. Nunca nada mais enxerguei. Uma vez, durante a primavera, ouvi o mar. Era fim de tarde, eu criança era, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez. O encontro do marulho azul com o silêncio azulado do infinito estourou meus tímpanos, ensurdeceu minha alma. Nada nunca mais ouvi. Uma vez, durante a primavera, cheirei o mar. Era fim de tarde, criança eu era, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez. O encontro da maresia de azul salgado com o aroma celeste de um céu azulado quase noite entranhou-se pelas minhas narinas, embrenhou-se em minha alma. Nunca mais nada cheirei. Uma vez, durante a primavera, degustei o mar. Era fim de tarde, era eu criança, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez. O encontro de minha doce inocência com o azul salgado segredo das águas engravidou meu peito, emprenhou minha alma. Nada nunca mais provei. Hoje, toda tarde, sento em frente ao mar, e uma suave fluida mão anil acaricia minha pele instantes antes de meu corpo se diluir na brisa marinha e meus poros explodirem em azul ao serem penetrados pela alma do mundo.