E os olhos dela me dizem tudo!
Tudo o que eu precisava saber...
Tudo aquilo que sua boca insiste em não dizer.
E os olhos deixam claro;
Mais do que água,
A verdade estampada
Em sua doce face.
Os teus olhos te denunciaram!
Deixaram bem claro,
Deixaram transparecer;
O quê? não sei, me diga você
A galinha veio antes do ovo, isso é certo.
O poeta não veio antes dos versos, os versos vieram antes
Sem dúvida alguma;
A lágrima também veio primeiro que a angústia.
Os rios deixaram de correr,
A morte veio me visitar ontem à noite.
Os sonhos se despedaçaram;
Como paredes de vidro.
A morte me visitou hoje pela manhã.
Acordei com um imenso gosto de sangue na boca;
Os lábios ressecaram e a saudade penetrou-me o coração,
Como se fosse uma lança.
A morte me visitará hoje à noite..
SOCIEDADE PADRÃO
Nas normas da sociedade, palavras são desnecessárias;
O importante é o quanto você calça,
Para que consuma o mais novo tênis que as ondas televisivas
Divulgam e que a massa,
Está usando.
O padrão é ser igual, na sociedade atual.
Divergências são aberrações;
E a anorexia embala as mais tristes canções.
A bulimia contrasta com os sonhos das crianças;
Que apenas queriam ter uma bela infância distante do preconceito e do riso sombrio que as amedronta.
Sociedade padrão!
Padrão socializado em meio ao caos e preconceito.
Sociedade padrão!
Antro de desrespeito, de contradição;
Onde uma vida vale menos que um celular; e o BIG MAC comercializa o câncer em forma alimentar.
Os padrões são moldados e confeccionados.
Depois são enlatados e comercializados.
Os padrões destroem, corroem e fazem cirurgias
Sem anestesia.
Os padrões nos cercam, entorpecem, e envenenam até mesmo a alma;
Que depois de certo tempo, também se torna padronizada.
Entre a BELEZA e o CONHECIMENTO
A beleza se esvai com o passar do tempo.
O conhecimento é agregado com o passar do mesmo.
A flexibilidade é perdida, mas o conhecimento é agregado e,
Prolongado.
A beleza se esvai em um acidente horrendo.
O conhecimento nunca é extinguido,
Mesmo sem as pernas o menino ainda é rico;
A mulher mesmo sem seus seios, ainda é rica;
O homem mesmo sem seus testículos e músculos, ainda é rico
Quando ele mesmo busca o conhecimento ao invés da beleza corporal;
Seja ela em forma de bíceps grandes ou abdômen sarado.
A beleza se esvai com o passar do tempo.
É como uma chuva passageira, que molha a cidade inteira, porém
Não atinge seus reais objetivos;
É como uma rocha forte e grande, que mesmo com estas características
Nunca será capaz de brecar, a ação do tempo e sua corrosão impetuosa.
A beleza é tão frágil quanto uma criança sem amparo;
O conhecimento é tão forte quanto a rocha, com uma diferença gritante:
Nem mesmo o tempo será capaz de atrofiá-lo;
Já para a beleza, o ontem e o hoje se entrelaçam constantemente.
O maior precipício em que podemos cair, é a falta de união.
Sem esta, nada é possível; e o pouco possível nada mais será que um benefício mínimo.
Quando não se divide o pão, não se divide a riqueza.
Quando não se divide de forma igual, a desigualdade brota com ferocidade e certeza.
Em um mundo onde até os abutres dividem o alimento; o que será da humanidade se apenas dividir os seus lamentos?
ABSTRATO
Corri para me perder, me perdi para encontrar tudo o que desejava.
Andei só por andar, por entre pessoas que pensam ainda estarem vivas.
Sucumbi ao bem para me tornar mal de corpo, alma e coração;
Sofri para sorrir e acabar deitado no chão.
Despi-me de tudo para que assim o nada pudesse me completar.
Fiz de mim mesmo morada da tristeza e do caos, para desta forma ser mais um imortal
Que morre com facilidade;
Triste do homem que conhece a verdade.
Os templos vagam pelas ruas de terra onde as pedras ficam sempre nos sapatos.
Sou bipolar e não nego, faço do céu inferno e na água não navego;
Prefiro os versos, estes sim são sinceros e acima de tudo, eternos.
Do homem ou da mulher nada espero, do matrimônio sou réu e quem sabe até refém.
Os animais falam as línguas incomunicáveis de fato, os saltos tampouco são altos;
Mas a saúde dos seres vivos é escassa como as latas da dignidade.
Os papos estão sempre cheios, mesmo que de arrogância e ignorância;
As lanchas andam nas ruas e os ônibus nas lagoas.
As pessoas vão quase sempre sobre rodas, pouca gente se incomoda com a moda
Mesmo quando ela é retrógrada.
Plantei cerejas, elas nasceram.
Plantei café, ele nasceu e fiz um pouco.
Plantei laranjas, elas nasceram e fiz um suco.
Reguei ás flores, elas cresceram e sorriram para mim.
Pesquei um peixe quando isto se fez preciso; mas tem gente que mata por puro vício.
Criei um gato e ele miava sempre;
Eu descontente comprei um cachorro.
Ele latia sem parar; eu sei entender o porquê o dei de presente para uma criança.
Prendi um pássaro para o ouvir cantar, pois seu canto era belo e entusiasmante;
Ele cantou, mais não como antes.
Seu canto mais parecia um pranto, seu encanto ficou de canto.
Não para o meu espanto, pois ninguém tem motivos para sorrir ou transmitir felicidade,
Estando numa cela fria privado de sua própria liberdade.
O silêncio é a chave que abre todas as portas.
Alivia a tensão no momento da ira, da revolta;
Na sequência abre as portas da reconciliação
Com o teu amor, ou quem sabe até mesmo, teu irmão.
O silêncio é a chave que abre a porta da sabedoria.
Pouco valem as palavras em dias de agonia.
Pois em suma, elas resultam em uma morte precipitada;
É como uma faca cravada no peito de quem amava.
O silêncio é a chave que abre todas as portas.
Depois que os cravos fincaram-se no peito,
Depois que os lamentos foram todos em vão;
Depois que a saudade corroeu o coração,
Depois que a solidão penetrou-lhe os músculo como lança
Pontiaguda;
Nada mais adiantou. nada mais lhe serviu.
O tempo não mais sorriu; as flores não maios desabrocharam;.
A saudade, a solidão, o lamento, o desespero,
Todos estes falaram mais alto que sua sanidade!
E que sanidade?
Não sei ao certo; a sanidade do homem talvez seja em vão e sem nexo...
Até mesmo as flores murcham depois que são pisadas.
Assim também é com o amor minha cara
Por maior que seja, um dia ele acaba, se esvai como a areia por entre os dedos.
O amor deve ser como águas calmas de um mar sem fim; mas nunca um pesadelo indescritível.
Os sorrisos causados pelo amor devem ser incompreensíveis; mas nunca tristes.
O peito cravejado de amores perdidos,
Deixa explícito as cicatrizes de outrora.
O peito cravejado de tristezas sem fim;
Relatam ao poeta os espinhos que ficaram
E os lamentos das noites em claro...
SOCIEDADE MODERNA
Sociedade moderna gera sequela,
Não que a antiga não deixasse.
Mais a sociedade moderna usa de praxe.
Sociedade moderna conserva a cerveja mais não a vida;
Salva os animais e não os seres humanos,
Não que que o primeiro não tenha valor;
Mas salvar os dois seria de fato um ato humano sim senhor.
Sociedade moderna, aquarela de sangue sem fim.
Sociedade moderna em tecnologia da informação,
Mas não em apertos de mãos.
Sociedade moderna, onde o negro ainda não tem seu valor reconhecido e.
Os direitos das mulheres são negligenciados.
Sociedade moderna, onde as selvas deram lugar as pedras sobre pedras;
Não por opção, ou quem sabe escolha,
Porque a sociedade moderna é movida a ambição e corrupção.
Sociedade moderna onde padrões ainda definem quem é quem e,
O carácter não vale se quer um vintém.
Sociedade moderna onde a passagem de trem é a mesma há muito tempo;
Mas a de ônibus não e o cidadão, que paga seus impostos
Não tem direito ao pão.
CONCEPÇÃO DAS OLIMPÍADAS
A molecada ver de longe, bem além do horizonte, os safados que se divertem enquanto minha gente passa fome.
A molecada ver de longe, bem além do horizonte, a festa que acontece, enquanto outras crianças que deviam estar jantando se entorpecem.
A molecada ver de longe, bem além do horizonte, seus sonhos se desfazerem como poeira ao vento; suas vidas se extinguirem com o passar do tempo;
E no relento deste país paralelo, onde o certo nem sempre está certo por que o dizem ser errado, e o errado está sempre com a razão por fazer parte deste crico armado;
As crianças veem de longe, bem além do horizonte, seus sorrisos entristecerem e dissolverem com a noite.
Minha concepção sobre as "olimpíadas".
BARQUINHOS DE PAPEL
Crianças fazem barquinhos de papel
Adultos criam arranha-céus.
Crianças preferem carrosséis
Adultos preferem motéis.
Crianças fazem barquinhos de papel
Adultos jogam suas vidas ao léu.
Crianças preferem doces e salgados
Adultos sofrem antecipado.
Crianças fazem barquinhos de papel
E com eles são felizes.
Adultos se entregam as mazelas e,
Nunca cortam suas raízes.
Barquinhos de papel que vão e que vêm
Como as ondas do mar.
Num barquinho de depositei minha esperança
Pois Já fui, sou e ainda serei, criança.