Queima como brasas tocando a fina pele, tornando aquilo que era, em nada. Desmanchando tudo que foi construído, quase que como um rio de lava apagando todo rastro de vida pelo caminho. Labaredas ardentes que sufocam, numa combustão avassaladora de puro calor e ruínas.
És a fonte do ardor que vem no peito, trazendo a dor em seu efeito. Já prepara-me eterno leito.
Andei numas estradas de estilhaços de vidro, a cada passo senti um dor forte e agonizante, que me fazia querer desistir, mas eu continuei e foi nesse momento que aceitei aquilo. Como uma labareda que se apaga aos poucos, tornando frio como o gelo.
Não devia ter que ser assim.
O que significa ser forte?
Eu sempre repito que sou, pra mim mesmo, mas ainda não consegui me convencer disso.
Deixo que me entrem e me habitem, mas sempre deixam a casa desorganizada e destruída. Até que eu deixe alguém entrar novamente e vejo toda a história se repetir.
Qual o significado?
Pra mim pode haver vários, mas pra esta multidão de pessoas que vem e vão não significa nada, porque sou forte. Eu suporto. Eu vou superar isso.
Então não tem porque se preocupar não é mesmo? Deixa que eu me viro.
Então repita pra si mesmo até que sua culpa vá embora, se assim preferir.
Mas entenda, pessoas fortes também tem sentimentos, também sofrem e choram, mesmo que façam isso somente quando estão sozinhas.
Guarde sua "pena" no seu bolso. Não é de pena que precisamos, é empatia.
Solidão Cósmica
Flutua pelo vazio do espaço
Quem faz da dor um grito silencioso
Vagando sem rumo através dos astros
Desenha palavras não ditas
Que ecoam como algo precioso
Passa por cometas e estrelas
Sobrevivendo ao frio e ao calor infernal
Se fortalece cada vez que morre
Mas as marcas que ali ficam
Lembram que a dor é incondicional
Alguma vez no vasto universo
Orbtaria um majestoso lugar
Numa via de estrelas distanciadas
Descansa na sombra de um planeta
Com vista para um belo luar
Outono
Já frágeis e ressecadas, suas folhas caíram
No toque suave de uma brisa foram levadas para longe
Jamais voltaria a ser aquilo que um dia foram
A árvore, já sem folhas, ali permaneceu
Esperando mais uma primavera
Onde se encheria mais uma vez de vida
Onde tudo de renovaria
Onde ela retornaria mais forte
E suas folhas que caíram já não seriam mais uma lembrança triste, mas um lembrete que tudo faz parte de um ciclo
Última vez
Certa vez falei que seria o último mergulho
Então pulei de cabeça até o fundo
Prendi a respiração e ali fiquei
Não queria mais sair,
Aproveitando cada segundo
Cinco minutos mais, ali fiquei
Mesmo que o frio tivesse chegado
A água já não parecia agradável
Então sai e me enxuguei
Dali eu me retirei
Pois tudo já tinha mudado
Lia muitas histórias bonitas
Os finais eram sempre felizes
Mas na vida real nem era bem assim
Como um último mergulho, as coisas acabavam
Precisavam de um desfecho
Mostrando o seu verdadeiro fim