"São os homens e não as leis que precisam mudar. Quando os homens forem bons, melhores serão as leis. Quando os homens forem sábios, as leis por desnecessárias, deixarão de existir. Mas isto, será possível somente, quando as leis estiverem escritas e atuantes no coração de cada um de nós."
Os grandes mestres são assim como o mar.
Imensos e cristalinos.
Dão tudo o que têm.
Não negam aos que sabem buscar,
aos que buscam saber.
Deles os homens se aproximam para tirar proveitos.
Neles se reconfortam.
Deles querem muito.
Mas... acovardados, ficam na praia.
Ficam ali,
imaginando os tesouros que a profundidade esconde.
Os grandes mestres são assim como o mar.
Lavam as impurezas dos que mergulham e, não obstante, continuam imaculados.
Assim como o mar, os mestres são inesgotáveis.
Por mais que lhe saquem,
mais ainda têm para dar...
(Hermógenes)
A canção do sabiá continua nas árvores.
Ele canta indiferente a que haja ouvidos sensíveis à sua beleza.
Se fosse esperar quem o escute,
ficaria até agora sem cantar.
Da mesma forma se, para continuar a brilhar,
para comover poetas,
guiar os pescadores em alto-mar,
as estrelas dependessem dos aplausos
ou agradecimentos dos homens,
já teriam todas se apagado.
Assim faz o homem sensato.
Ele está feliz, independentemente de reconhecimento, gratidão, correspondência ou admiração das multidões ocupadas.
O homem está fugindo...
As portas de escape são muitas.
LSD, aquisições, aplausos, divertimentos, prazeres,
euforizantes, vícios, pervertidos ócios, negócios
sufocantes...
Que pavor da solidão!
Todas a portas parecem válidas, mas são frustradoras.
O homem está fugindo.
Foge dos outros.
Foge do tédio, do perigo, da ansiedade, do vazio,
da fome, da guerra, da privação, da morte...
Mas a fuga principal é aquela com que procura escapar do
encontro consigo mesmo.
Cada um se sente, para si mesmo, a maior ameaça, a
decepção maior.
O homem tem medo de saber o que ele é.
Todas as portas de escape são buscadas, contanto que se
aliene do que é ou supõe ser.
Foi-nos insistentemente ensinado: "Conhece-te a ti mesmo".
Têm-nos insistentemente repetido que a "verdade que liberta" nos salvará.
Mas, até agora não aceitamos.
E o escapismo universal segue devastando o homem e tudo.
A procura de si mesmo - em silêncio e só - é a esperança.
E a minha esperança é que se voltem para ela todos os
homens.
Que pavor da solidão!
Que pavor do silêncio!
Poucos podem aceitar que a salvação está na direção
oposta à da fuga.
A libertação, o remédio e a paz estão no fim da
estrada do silêncio e da solidão.