REALIDADE
Enquanto viajava nas letras
Dos grandes poetas, fui bruscamente
Puxado pela realidade.
Porque tens que ser tão dura
E sisuda?
É para ti que despertamos todos os dias,
E quando já não mais suportamos,
Fechamos os olhos e caímos como mortos,
Ou ao menos como quem deseja a morte.
Todos os dias estamos juntos a ti,
Ainda assim não te apieda de nós?
Quão cruel, terrível e tirana és,
Tirando-me o único alento que me faz
Mergulhar no mar de encanto... e vens me tirar?!
Cruel, terrível e tirana!
“Preciso escrever,
Confesso que,
Não sei ao certo por quê,
Mas, preciso escrever
A carência é tamanha,
Que a igualo a necessidade
Que o pulmão tem do ar.
Do contrário, sucumbem,
Ele e eu.”
“Paredes invisíveis do horizonte,
Porque não te tornastes um domo
Intransponível?
Se assim houvera sido,
Os fantasmas d’além do horizonte
Não me atormentariam.”
ENGANO
Fui enganado, desde cedo,
Acredite que fantasmas existiam,
Me convenceram do contrário, aceitei.
Hoje, tenho certeza que eles existem,
No entanto, fui enganado novamente,
Pois, eles não são como eu imaginava.
Eles são memórias,
Isso os tornam mais assustadores,
Não há como fugir.
Onde quer que formos,
Eles nos acompanham.
São eximíeis em suspense,
Parece que se foram...
E logo nos surpreendem,
ou melhor, nos assombram.
“Não importa a distância
ou quais sejam os planos
do Cronos...
Sempre terei fresco
em minha memória
Teu meigo e doce sorriso.
...
Reafirmo aqui, meu
Egoísmo com relação a você!
- Não importa para onde vá,
ficarei com um pedaço seu.
A fim de não ser leviano,
tenho que retificar...
Há sim uma consequência
da distância;
quando encurtada,
a memória toma a lembrança
pela mão e juntas bailam
pelo reino do tempo”