Silêncio Que Domina
Prefiro me calar…
diante da insistência que não me alcança,
porque nem todo querer me merece,
e eu não negocio minha essência.
Meu silêncio não é ausência,
é pele guardando intenção,
é desejo que escolhe o momento…
e não cede à pressão.
Eu não repito convite,
nem imploro atenção,
quem entende meu olhar…
sente antes da minha mão.
Sou pausa que provoca,
mistério que conduz,
quando eu falo — é tarde…
porque o silêncio já seduz.
Helaine Machado
Não me olhe com desprezo, guarda bem essa visão,
o mundo gira rápido, não existe posição.
Hoje você tá por cima, pisando sem noção,
amanhã pode ser eu no topo da ascensão.
Subindo cada passo com suor e cicatriz,
quem desacredita hoje não sabe o que eu fiz.
Aprendi no silêncio, caí, mas não desisti,
porque quem planta verdade, colhe na raiz. Helaine machado
Verdade à Venda
Não se esconde a verdade…
ela só aprende a sussurrar mais baixo
quando o barulho das promessas
tenta calar o que é fato.
Em tempos de escolha,
tudo vira moeda, tudo vira voz,
e até a verdade… tão nua…
negocia o preço de existir entre nós.
Mas eu não negocio o que sinto,
nem vendo o que é real em mim,
porque há verdades que queimam por dentro…
e não se dobram por nenhum fim.
Helaine machado
Não É Voto, É Sobrevivência
Democracia… dizem.
Mas nas urnas, o povo vira número,
e nas mesas de poder,
vira moeda — trocada no escuro.
Eleição não é festa,
é leilão disfarçado de escolha,
promessas sobem no palco…
e caem antes de sair da folha.
Quem paga essa conta?
O mesmo de sempre — o invisível,
o pobre que vota com fome
e depois segue sem o mínimo possível.
Eles negociam futuro
como quem divide um prêmio,
enquanto nas ruas o povo
divide o pouco… e o silêncio.
Isso não é disputa — é ferida aberta,
não é política — é abandono organizado,
porque enquanto uns brigam por cargos…
outros brigam pra não morrer calados.
Helaine machado
Feliz dia do trabalhador fluminense
Trabalhador cai sem nem saber a condenação,
sem juiz, sem defesa, só sentença na mão.
Vive no fio da sociedade em decomposição,
onde nascer já define tua posição.
Cidade linda na foto, podre na realidade,
o brilho é pra poucos, sobra dor na comunidade.
Chamam de progresso, mas cadê igualdade?
Se o pobre só aparece na estatística da morte e da saudade.
Helaine machado
Não é de repente…
é no tempo certo,
no compasso do céu,
que o sonho floresce.
Deus sussurra primeiro
no silêncio do coração,
como quem planta esperança
em meio à espera
Helaine machado
Amor, poder e razão
três caminhos na mesma pulsação,
tão distantes entre si
que parecem não caber
no mesmo peito —
mas cabem.
Habita em silêncio
esse território escondido
onde o querer abraça,
o dominar insiste,
e o pensar tenta organizar o caos.
O amor pede entrega,
o poder exige controle,
a razão sussurra cautela —
e nenhum deles aceita calar.
Quando florescem,
não vêm em ordem,
não pedem licença,
não combinam entre si.
Helaine machado
Pensamos nos caminhos,
desenhamos cada passo
como se o amanhã obedecesse
à lógica das nossas mãos.
Mas Deus…
Ele escreve fora das margens,
age no invisível,
muda rotas sem aviso.
Não importa o jeito,
nem o tempo,
nem o cenário que criamos —
os planos d’Ele ultrapassam os nossos.
Helaine machado
Gatinha
Helaine Machado
Gosto de ser sua gatinha,
macia no toque,
frágil às vezes —
ou talvez só escolha.
Encosto no seu ouvido
e deixo escapar um “miau”,
baixo, lento,
quase um segredo.
Recatada…
como quem veste auréola,
mas não se engane:
minhas garras sabem falar.
Elas marcam,
arranham o que invade,
enlouquecem quem tenta
ultrapassar o limite.
Há um doce no meu veneno,
um perigo no meu carinho,
um convite sutil
pra quem ousa chegar perto.
Sou sua gatinha,
se eu quiser.
Sou sua cachorrinha,
se houver respeito.
Mas experimente faltar com ele…
e verá
que nem todo carinho
vem sem defesa.
— Helaine Machado
Chiclete
Não me culpe por ser chiclete,
é simples assim:
quando eu escolho alguém,
eu quero estar por perto.
Grudo no tempo,
no cheiro,
na presença.
É desejo, talvez no cio da entrega.
mas não confunda isso
com falta de controle.
Eu sinto — e sinto inteiro.
Mas não venha me moldar,
ditar meu jeito,
minha roupa,
minha forma de existir.
Aqui tem vontade,
mas também tem limite.
Tem entrega,
mas exige respeito.
Porque até quando você me chama
de sua cachorrinha,
sou eu quem escolhe ficar.
— Helaine Machado
Sapinha
Me chama de sua sapinha…
mas cuidado com o nome que escolhe,
eu não pertenço — eu conduzo.
Sou o veneno doce
que você pede em silêncio,
o erro que você insiste em provar.
Exijo respeito
mesmo quando a pele grita,
porque o meu jogo
não aceita distração.
Eu me entrego…
só o suficiente pra te prender,
e recuo
quando você acha que venceu.
No meu toque mora o perigo,
no meu olhar, a sentença:
você não me tem —
você me deseja.
E é isso…
que tempera a nossa relação.
— Helaine Machado
Montada por camadas, a sociedade finge não ver,
Todos só querem ser felizes, custe o que custar,
Pra disfarçar a hipocrisia já escrita antes de nascer,
Um roteiro invisível que ninguém quer questionar.
Colocam jovens pra decidir destinos que não entendem,
Sem o peso real do futuro que vão herdar,
Enquanto os que mandam fingem que defendem,
Mas só sabem se beneficiar.
Helaine machado
As camadas que a sociedade revela
Mostram instintos que ninguém quer ver,
Primitivos, rasgando a superfície,
Nem a educação consegue conter.
É a luta cega por poder,
A cortesia ficou pra trás,
Na ânsia de sempre querer mais,
Esqueceram do coletivo, da paz.
Helaine machado
Gosto de ser sua mulher, porque você me faz sentir a mais especial do mundo.
Mesmo quando meu corpo mostra imperfeições — por eu ser gorda e não ter seios —, você me enxerga de um jeito único.
Todos os dias, você me conquista novamente.
Me traz café na cama, me deseja como se fosse a primeira vez, como lá no começo, há 28 anos atrás.
Você, Osmar, é o homem que me faz sentir amada, desejada e completa.
Ao seu lado, eu me sinto, de verdade, a mulher perfeita.
Helaine machado
Lar é onde o coração repousa,
onde o amor não cabe — transborda.
É oração que nasce em silêncio,
é dois corações no mesmo compasso,
batendo por um só propósito.
Helaine Machado
Topa tudo por dinheiro,
até engole o próprio nome,
vende a alma no varejo
e ainda chama isso de “fome”.
Finge valor, posa de digno,
mas negocia até o caráter,
no leilão sujo da vida
quem paga mais vira mestre.
Cortesia? Já morreu faz tempo,
foi enterrada sem velório,
hoje o respeito tem preço
e a verdade é só acessório.
Helaine machado
A maior virtude do amor
não é ser leve,
nem bonito aos olhos do mundo —
é ser forte o bastante
pra calar o ódio
quando ele grita dentro da gente.
Porque o ódio invade,
rasga, consome,
faz do peito um campo de guerra
onde tudo perde cor.
Helaine machado
não existe mais original.
Tudo é cópia — mal feita, mal intencionada, mal disfarçada.
A verdade foi falsificada
e vendida no mercado negro da conveniência.
Antes, pirataria era gambiarra do pobre,
um jeito de sobreviver sem acesso.
Hoje é sistema.
É método.
É regra não escrita.
Nada é confiável.
Nada é limpo.
Nada é inteiro.
Helaine Machado
“Politicamente incorreto?
Então olha de frente:
no Brasil, quem nasce sem nada
aprende cedo a baixar a cabeça.
Não por escolha —
mas porque o sistema já escolheu antes.
O pobre não herda liberdade,
herda dívida, silêncio e sobrevivência.
E chamam isso de mérito
quando ele consegue respirar.”
Helaine machado
Verde, branco e grená pulsando no peito,
um canto que nasce como vento no Rio,
ecoando histórias de glória e respeito
nas arquibancadas de um sonho antigo.
És mais que um time — és memória viva,
das Laranjeiras brota tua raiz,
cada chute carrega a alma altiva
de quem nunca deixou de ser feliz.
No toque leve, na arte em campo,
há poesia em cada jogada,
como se o futebol fosse um canto
de esperança jamais calada.
Fluminense, chama que não se apaga,
mesmo na dor, insiste em brilhar,
porque quem ama não se entrega —
aprende, luta… e volta a sonhar.
Helaine machado
Quero ser lembrada —
não por vitória, não por glória,
não por nada que caiba em mãos humanas.
Quero ser lembrada
porque desaparecer em vida
é uma morte que ninguém enterra.
Eu não quero aplausos,
quero prova de que eu não fui um vazio andando,
de que meus passos não foram só barulho perdido
num mundo que esquece rápido demais
Helaine Machado
A vida não pede licença —
ela chega, ensina, marca,
às vezes com mãos suaves,
às vezes com golpes que rasgam a alma.
Cada dor carrega um segredo,
cada queda sussurra uma verdade,
mas só entende quem aceita
que aprender também dói.
Há lições que queimam por dentro,
que a gente tenta negar, fugir, esconder…
mas quando, enfim, as abraçamos,
elas deixam de ser feridas
e se tornam armas silenciosas.
Helaine machado machado
Chegam sem alarde,
sem passos que ecoam,
quase como quem pede licença
ao próprio ar.
Mas quando ficam…
mexem em tudo.
Viram o avesso da alma,
tocam onde ninguém ousou tocar.
Não gritam, não exigem,
não fazem tempestade —
são chuva fina
que insiste…
até encharcar o coração.
Têm cheiro de abrigo,
voz de oração baixa,
mãos que curam
sem anunciar milagre.
Helaine machado