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PAI!
Quero que saibas que se apenas agora aqui eu estou, foi porque
Pra ti dediquei as minhas mais puras atitudes de amor e isso, cá
Entre nós, hás de convir, tornaria supérfluas quaisquer palavras
Que ousasse compor, além do mais, pai, temia que o poema não
Fosse compreendido direito por ti, assim, com o mesmo respeito
E jeito tão sem jeito que sempre te amei e defendi, total, acharia
Até natural, já que há anos nós andamos tão sós, solitários com
Os físicos raquíticos pelo desamor e solidários nos tísicos espíritos
Pela dor, vivenciando à triste distância às nossas duas crianças.
Todavia, pai, saibas que o passado não está morto e enterrado e
Que o que importa e conforta, na hora do agora, é que descubro
Que o fracasso é do sucesso o primeiro passo, que acerto errata
Da reta na linha torta, que venço minha postura imatura, que me
Reconheço na saudável loucura, que os defeitos e qualidades me
Aproximam do patrimônio emocional da tua hereditariedade, que
Vais embora, mas não me sinto deficiente espiritual, pois clamo à
Tua juvenil curiosidade, tolerância e coragem, para que não fique
Órfã da tua santa piedade até apagar a chama da tua mortalidade.
Saibas que no universo do sentimento igual o verso te pede e segue,
Que vai ser entregue, independente da tua leitura, postura e perdão,
Porque traz como objetivo perpetuar o amor de uma filha que se não
Foi a mais querida, foi a que mais bem te quis, se não foi a mais bonita,
A que mais bonito te viu, se não a mais inteligente, a que mais tentou
Ser digna do pedaço melhor, mais antigo, efetivo, afetivo, precioso e
Preciso de gente, até mesmo quando vil a vida a jogou como um dado,
Como um João Bobo que faz de conta que topa ser tapado, tapeado e
Estapeado, pois sabe que seu caráter jamais será vergado ou tombado.
Até porque foi no teu sangue que o meu aprendeu a pulsar grande, que
Sempre acreditei que visionaria novamente nos olhos azeitonas pretas a
Energia da tua interior alegria, anterior ao dia em que a culpa preencheu
Todos os cantos da nossa casa de desculpas, em que sobrevivi triste, já
Que partiste e só um lar de saudades dividiste, pois, perdi a tua maneira
Feiticeira de me encantar por inteira e nunca mais me permiti ser bonita,
Como foste em toda minha vida, tanto é que estou te confessando que
Sequer a poesia que aqui pretendia, conseguiu ser mais que um pretexto,
Que o soletrado pranto onde chorei com todas as letras que te amo tanto!
Guria da Poesia Gaúcha