sussurro sem som onde a gente se lembra do que nunca soube
Frases de Guimarães Rosa
307 frases
X. Sequência: “Suas duas almas se transformavam? E tudo à sazão do ser. No mundo nem há parvoices: o mel do maravilhoso, vindo a tais horas de estórias, o anel dos maravilhados. Amavam-se” Conto narrado em terceira pessoa e tematiza a predestinação, o destino e o acaso.
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X. Sequência: “Suas duas almas se transformavam? E tudo à sazão do ser. No mundo nem há parvoices: o mel do maravilhoso, vindo a tais horas de estórias, o anel dos maravilhados. Amavam-se” Conto narrado em terceira pessoa e tematiza a predestinação, o destino e o acaso. Uma vaca de propriedade de seu Rigério foge da fazenda da Pedra e atravessa o sertão. A vaca não fugiu por acaso; fugiu por amor às suas raízes, sua “querência”, a fazenda do Pãodolhão. Ela conhecia “o seu caminho” e estava determinada a chegar ao seu destino. O filho de Seo Rigério prontifica-se a encontrar a vaca e trazê-la de volta. A vaca faz o “um caminho de volta”, enquanto o vaqueiro que a persegue caminha “de oeste para leste”, chegando a perder o rastro três vezes, pois ela entrara no riacho para despistar o moço. Por onde a vaca passava, as pessoas tentavam detê-la, mas ela escapava sempre. À noite, o moço segue a sua busca orientando-se pelo brilho das estrelas e refletindo “aonde o animal o levava”. A vaca chegou à fazenda Pãodolhão, atravessou a porteira-mestra dos currais, estava de volta à sua origem, cumprira o seu destino. O rapaz chega e apressa-se a subir a escada da casa-fazenda do Major Quitério e desculpar-se pelo inconveniente. Lá, o rapaz é bem recebido. Major Quitério tinha quatro filhas. O moço apaixona-se pela segunda das filhas do Major Quitério, a mais alta, alva e mais amável. Deu-lhe de presente a vaca, já que ela era a condutora de sua travessia e de seu destino e entrega a moça “o anel dos maravilhados”. Para Alfredo Bosi, “a trajetória das personagens exercita a noção de que o direito do livre arbítrio, possível para a vaca, é imprescindível para o homem, pois quem elegeu a busca não pode recusar a travessia.”
Chegando na encruziada tive que me arrezolver... prá esquerda fui contigo... Coração soube escolher
Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.
A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero.
Mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir.
Toda saudade é uma espécie de velhice.
Tem trechos em que a vida amolece a gente, tanto, que até referver de mau desejo, no meio da quebradeira serve como benefício.
Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim…
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Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.
Um sentir é o do sentente, mas o outro é do sentidor.
Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo.
Mas; também, cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta! (...) O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
Soneto da saudade Quando sentires a saudade retroar Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
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Soneto da saudade Quando sentires a saudade retroar Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso. E ternamente te direi a sussurrar: O nosso amor a cada instante está mais vivo! Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos Uma voz macia a recitar muitos poemas... E a te expressar que este amor em nós ungindo Suportará toda distância sem problemas... Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve Como uma pluma a flutuar por sobre a neve, Como uma gota de orvalho indo ao chão. Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos, Sempre que juntos, a emoção que partilhamos... Nem a distância apaga a chama da paixão
O amor não precisa de memória, não arredonda, não floreia: faz forte estilo. E fim.
Para onde nos atrai o azul?
O que lembro, tenho.
Amor? Um pássaro que põe ovos de ferro.
Significa que posso não ter muito conhecimento e/ou experiência, porém desconfio de como as coisas sucedem já que possuo imaginação. (Riobaldo - Grande Sertão: Veredas)
Sempre vem imprevisível o abominoso? Ou: os tempos se seguem e parafraseiam-se. Deu-se a entrada dos demônios.
Sorriram-se, viram-se. Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou o amor. Enfim, entenderam-se.
Sem malícia, com paciência, sem insistência, principalmente.
Quem desconfia, fica sábio.
O que leva o homem para as más ações estranhas, é estar diante do que é seu, por direito, e não sabe...Não sabe...Não sabe...
Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!