Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas
com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos
estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei,
ainda nos podemos mexer.
Os modernistas brasileiros, confundindo o ambiente literário do país com a Academia, traçaram linhas divisórias rígidas (mas arbitrárias) entre o bom e o mau. E querendo destruir tudo que ficara para trás, condenaram, por ignorância ou safadeza, muita coisa que merecia ser salva.
Na véspera o diretor me tinha dito:
— Necessitamos um governo forte, seu Luís, um governo que estique a corda. Esse povo anda de rédea solta. Um governo duro.
E eu havia concordado, naturalmente:
— É o que eu digo, doutor. Um governo duro. E que reconheça os valores.
Considerava-me um valor, valor miúdo, uma espécie de níquel social, mas enfim valor.
(em Angústia, 1936)