O adestramento do sentimento e do intelecto humano feito pelos poderosos de instituições que obtinham o controle das massas nos milênios passados continua promovendo consequências catastróficas na vida psíquica do bicho homem, e o prejuízo causado por este domínio bem sucedido, está evidente quando observamos o seu comportamento, através da tecnologia, tendo como foco as suas relações com os seus iguais.
Cérebro e coração num chip ilustrará bem o objetivo dos primórdios comandantes de súditos.
Vivemos numa sociedade onde o politicamente correto comprometeu a confiabilidade das pessoas. Ouvimos o que queremos ouvir, pois a proposta agora é ficar bem com todo mundo, o que significa, também, mentir indiscriminadamente, assumir o que não vai ser cumprido ou interagir com superficialidade só para agradar. Prevalece os interesses, descaradamente. Literalmente, as palavras são jogadas ao vento, mas a relação de aparência está salva. E cada um por si. Contudo, há raras exceções.
Prefira a companhia das borboletas, desde que você não seja um urso, porque vai ser muito difícil para elas fazê-lo voar, mesmo que este voo seja pela alma, por uma questão não só da sua natureza de urso, mas, especialmente, porque o seu tempo de hibernação é longo demais e os sonhos não se permitem existirem que não seja enquanto estivermos acordados. As borboletas não se permitem ser casulos por muito tempo.
Com dinheiro, a gente até comprar amor, amigos.- todos estilo: "Made in Paraguai" , mas é possível comprar até porque, mais do que nunca, a sociedade e os seus valores estão cada vez mais confortáveis na relação com tudo que não é original, porém não compramos credibilidade, esta é , somente, conquistada através da coerência entre as nossas palavras e as nossas ações, o que acaba nos tornando seletivos quanto a qualidade das nossas parcerias.
Em geral, quando estamos passando pelos nossos desertos, raríssimas vezes encontramos quem queira compartilhar com a gente a caminhada árdua, quase nunca nos enxergam, sequer percebem o quão esse nosso momento de viajante solitário nos fragiliza, o quão nos faria bem uma singela sombra. Beleza, faz parte do nosso crescimento caminhar só, porque nos fortalece muito, especialmente, na independência e na habilidade de nos proteger dos efeitos das indiferenças. Porém, quando o viajante do deserto é o outro não falta quem nos cobre ser o seu oásis em tempo integral. Ah, e o sol que castiga durante a caminhada deles é sempre mais quente e a sua sede mais irresistente.
Nesta altura da minha vida, raramente chego a formalizar com um ponto final uma história que vivo. Abuso, no seu decorrer, das vírgulas, dos dois pontos, das interrogações, das exclamações, dos pontos e vírgulas, dos travessões e das reticências o que faz com que o ponto final se manifeste de forma espontânea quando não há mais parágrafos para serem compartilhados com prazer comum às partes, então, no fim, só cabe o meu silêncio.
Quando, nas relações, há paz integral e a harmonia é irretocável, desconfie. Alguém está abrindo mão, por alguma conveniência, da sua paz interior e da felicidade individual para promover, exclusivamente, a paz e a felicidade do outro. Está se sabotando. Está pavimentado a estrada do rompimento definitivo. Nem paz total, nem guerra constante...diálogo é a indicação, sempre.
Importante, mesmo, são os laços, porque eles transcendem o Tempo, têm validade eterna, mantém os corações unidos mesmo quando eles estão distantes e aproxima a alma mesmo quando a distância é o próprio infinito, o resto são só abraços, que também são valiosos, mas são apenas bons momentos sem qualquer garantia de permanecerem na eternidade.
A gente até lida bem com as desculpas, mas com as mentiras é muito complicado lidar, não, só, por nós, pelo mal estar que nos causa, mas pelo próprio mentiroso, porque a nossa capacidade de fingir que acreditamos nas suas mentiras vai minando a nossa confiança nele de tal forma que até nas desculpas dele passamos a ter dificuldade para aceitar.
Cada um no seu tempo para entender o verdadeiro sentido de estarmos em trânsito neste azul esférico, porém a vida não espera e quanto mais demoramos para crescer neste entendimento, mais as nossas ações, em geral fora do contexto e com a validade vencida, se fortalecem no âmbito do dispensável para o planeta.