Pular para o conteúdo

Frases de Gonçalves Dias

30 frases

em que céu azul celeste? em que mar azul escuro? em que ilha do pacifico
Continuar lendo

em que céu azul celeste? em que mar azul escuro? em que ilha do pacifico estara você? em que chão contaminado talvez esteja ate molhado! em que mar de agua doce estara voce? em que meio em que cidade encontra-ra a felicidade? em qual tempo em qual muro? sera que tens medo do escuro? em que fruta sem semente? sera que esta em minha mente? editado por amandaamor..

⁠O Canto do Guerreiro I Aqui na floresta
Continuar lendo

⁠O Canto do Guerreiro I Aqui na floresta Dos ventos batida, Façanhas de bravos Não geram escravos, Que estimem a vida Sem guerra e lidar. – Ouvi-me, Guerreiros, – Ouvi meu cantar. II Valente na guerra, Quem há, como eu sou? Quem vibra o tacape Com mais valentia? Quem golpes daria Fatais, como eu dou? – Guerreiros, ouvi-me; – Quem há, como eu sou? III Quem guia nos ares A frecha emplumada, Ferindo uma presa, Com tanta certeza, Na altura arrojada onde eu a mandar? – Guerreiros, ouvi-me, – Ouvi meu cantar. IV Quem tantos imigos Em guerras preou? Quem canta seus feitos Com mais energia? Quem golpes daria Fatais, como eu dou? – Guerreiros, ouvi-me: – Quem há, como eu sou? V Na caça ou na lide, Quem há que me afronte?! A onça raivosa Meus passos conhece, O imigo estremece, E a ave medrosa Se esconde no céu. – Quem há mais valente, – Mais destro que eu? VI Se as matas estrujo Co’os sons do Boré, Mil arcos se encurvam, Mil setas lá voam, Mil gritos reboam, Mil homens de pé Eis surgem, respondem Aos sons do Boré! – Quem é mais valente, – Mais forte quem é? VII Lá vão pelas matas; Não fazem ruído: O vento gemendo E as matas tremendo E o triste carpido Duma ave a cantar, São eles – guerreiros, Que faço avançar. VIII E o Piaga se ruge No seu Maracá, A morte lá paira Nos ares frechados, Os campos juncados De mortos são já: Mil homens viveram, Mil homens são lá. IX E então se de novo Eu toco o Boré; Qual fonte que salta De rocha empinada, Que vai marulhosa, Fremente e queixosa, Que a raiva apagada De todo não é, Tal eles se escoam Aos sons do Boré. – Guerreiros, dizei-me, – Tão forte quem é?

⁠Marabá Eu vivo sozinha; ninguém me procura! Acaso feitura
Continuar lendo

⁠Marabá Eu vivo sozinha; ninguém me procura! Acaso feitura Não sou de Tupá? Se algum dentre os homens de mim não se esconde, — Tu és, me responde, — Tu és Marabá! — Meus olhos são garços, são cor das safiras, — Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar; — Imitam as nuvens de um céu anilado, — As cores imitam das vagas do mar! Se algum dos guerreiros não foge a meus passos: "Teus olhos são garços, Responde anojado; "mas és Marabá: "Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes, "Uns olhos fulgentes, "Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!" — É alvo meu rosto da alvura dos lírios, — Da cor das areias batidas do mar; — As aves mais brancas, as conchas mais puras — Não têm mais alvura, não têm mais brilhar. — Se ainda me escuta meus agros delírios: "És alva de lírios", Sorrindo responde; "mas és Marabá: "Quero antes um rosto de jambo corado, "Um rosto crestado "Do sol do deserto, não flor de cajá." — Meu colo de leve se encurva engraçado, — Como hástea pendente do cáctus em flor; — Mimosa, indolente, resvalo no prado, — Como um soluçado suspiro de amor! — "Eu amo a estatura flexível, ligeira, "Qual duma palmeira, Então me responde; "tu és Marabá: "Quero antes o colo da ema orgulhosa, "Que pisa vaidosa, "Que as flóreas campinas governa, onde está." — Meus loiros cabelos em ondas se anelam, — O oiro mais puro não tem seu fulgor; — As brisas nos bosques de os ver se enamoram, — De os ver tão formosos como um beija-flor! Mas eles respondem: "Teus longos cabelos, "São loiros, são belos, "Mas são anelados; tu és Marabá: "Quero antes cabelos, bem lisos, corridos, "Cabelos compridos, "Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá." E as doces palavras que eu tinha cá dentro A quem nas direi? O ramo d'acácia na fronte de um homem Jamais cingirei: Jamais um guerreiro da minha arazóia Me desprenderá: Eu vivo sozinha, chorando mesquinha, Que sou Marabá!