Soletro as tuas vértebras uma a uma Para descobrir os poemas Que existem no teu corpo
Frases de Fernando Reis Luís
145 frases
Seguindo um rumo à deriva Só depois de pisado Se saberá se o chão é firme
A arte de saber olhar É conseguir observar Para além da penumbra do nariz
Em ritual de água e fogo Misturo as folhas dos livros E faço uma tisana de palavras
Olhando para além das sombras Conseguiremos ver Para além da luz
Os instantes da metamorfose da voz Poderão construir o corpo Ou ser ecos perdidos
Até que o silêncio os dissolva Os ecos perdidos no ar Repetem-se ocos como balões de papel
Pelas mãos dos poetas As palavras libertam-se Dos ferretes dos dicionários
Mais que rimar palavras Importa à poesia Rumar as ideias
Renovadas nas mãos dos poetas As folhas caídas no outono Voltarão a ser folhas de papel
As rugas profundas da pele São os vales dos rios Que nos levaram para a foz
A idade é a arte De respirar o chão tangível E os ecos do seu sopro
O homem inventou as letras E estas retribuíram Inventando o Homem
Os impulsos do coração Não chegam para alcançar Os frutos nas árvores
Porque é mais leve Que as folhas das árvores O corpo do poeta é levado no vento
O poeta é um mágico Capaz de transformar palavras Em candeias de luz na noite
Cada manhã é um manancial de oportunidades Repetidas ao acaso na luz E que terás que agarrar antes do ocaso
A poesia não é o final do atalho É o próprio caminho E o seu odor silvestre
Os espelhos quebrados Desfocam o mundo Contando a vida em fascículos
O destino é uma linha recta Que se vai divertindo no caminho Fazendo meandros no rio
O destino é um fruto incerto Sobre uma árvore na madrugada Esperando os sortilégios do sol
No filão das palavras Os garimpeiros são os poetas Escravos da sua liberdade
O tempo é uma sombra fugidia Passando em geometria No girassol dos olhos
As rosas são belas Até ao momento em que os acúleos Nos rasgam a pele