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Frases de Fernando Pessoa

953 frases

Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo,
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Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu.

Quadras Morto hei de estar ao teu lado sem o sentir nem saber
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Quadras Morto hei de estar ao teu lado sem o sentir nem saber mesmo assim isso me basta para ver um bem em morrer Quando passo o dia inteiro sem ver o meu amorzinho corre um frio de janeiro no junho do meu carinho Teus olhos tristes parados coisa nenhuma a fitar ah meu amor,meu amor se eu fora nenhum lugar Adivinhei o que pensas só por saber que não era qualquer das coisas imensas que a minha alma de ti espera

ANÁLISE Tão abstrata é a idéia do teu ser Que me vem de te olhar, que, ao entreter
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ANÁLISE Tão abstrata é a idéia do teu ser Que me vem de te olhar, que, ao entreter Os meus olhos nos teus, perco-os de vista, E nada fica em meu olhar, e dista Teu corpo do meu ver tão longemente, E a idéia do teu ser fica tão rente Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me Sabendo que tu és, que, só por ter-me Consciente de ti, nem a mim sinto. E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto A ilusão da sensação, e sonho, Não te vendo, nem vendo, nem sabendo Que te vejo, ou sequer que sou, risonho Do interior crepúsculo tristonho Em que sinto que sonho o que me sinto sendo. Fernando Pessoa, 12-1911

Dorme enquanto eu velo... Deixa-me sonhar... Nada em mim é risonho.
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Dorme enquanto eu velo... Deixa-me sonhar... Nada em mim é risonho. Quero-te para sonho, Não para te amar. A tua carne calma É fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços. Nem quero ter nos braços Meu sonho do teu ser. Dorme, dorme. dorme, Vaga em teu sorrir... Sonho-te tão atento Que o sonho é encantamento E eu sonho sem sentir.

A tua voz fala amorosa... Tão meiga fala que me esquece Que é falsa a sua branda prosa.
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A tua voz fala amorosa... Tão meiga fala que me esquece Que é falsa a sua branda prosa. Meu coração desentristece. Sim, como a música sugere O que na música não stá, Meu coração nada mais quer Que a melodia que em ti há... Amar-me? Quem o crera? Fala Na mesma voz que nada diz Se és uma música que embala. Eu ouço, ignoro, e sou feliz. Nem há felicidade falsa, Enquanto dura é verdadeira. Que importa o que a verdade exalça Se sou feliz desta maneira? "

Outros terão Um lar, quem saiba, amor, paz, um amigo. A inteira, negra e fria solidão
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Outros terão Um lar, quem saiba, amor, paz, um amigo. A inteira, negra e fria solidão Está comigo. A outros talvez Há alguma coisa quente, igual, afim No mundo real. Não chega nunca a vez Para mim. "Que importa?" Digo, mas só Deus sabe que o não creio. Nem um casual mendigo à minha porta Sentar-se veio. "Quem tem de ser?" Não sofre menos quem o reconhece. Sofre quem finge desprezar sofrer Pois não esquece. Isto até quando? Só tenho por consolação Que os olhos se me vão acostumando À escuridão. Fernando Pessoa, 13-1-1920.

"Amore Mio" O amor, quando se revela; Não se sabe revelar;
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"Amore Mio" O amor, quando se revela; Não se sabe revelar; Sabe bem olhar pra ela; Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente; Não sabe o que há de dizer; Fala: parece que mente; Cala: parece esquecer. Ah! mas se meus olhos falassem; "Amore Mio" haveriam de dizer; Ah! se ela adivinhasse; Se pudesse ouvir um olhar; E se um olhar lhe bastasse; P'ra saber que a estão a amar!; Mas quem sente muito cala. Quem quer dizer o quanto sente; Fica sem alma nem fala. Fica só inteiramente! Mas se esta poesia puder contar-lhe; O que não ouso dizer-lhe. Já não terei de falar-lhe; Pois o seu coração; Haverá de me compreender. Minha imagem se configurará em seu olhar; Seu coração pulsará em sintonia ao meu; Seus lábios proferiram o meu nome; E o seu desejo se identificará com o meu. Os meus sonhos não serão somente meus; Minha vida não será solidão; Minhas mãos terão calor e afeto; Meu sorriso não será sem compaixão. As noites escuras traram novamente estrelas; O crepúsculo não será tão infecundo; A aurora trará à luz um novo tempo; E minh'alma arderá no fogo da paixão... certamente, um NOVO MUNDO.

Para onde vai a minha vida, e quem a leva? Por que faço eu sempre o que não queria? Que destino contínuo se passa em mim na treva?
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Para onde vai a minha vida, e quem a leva? Por que faço eu sempre o que não queria? Que destino contínuo se passa em mim na treva? Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia? O meu destino tem um sentido e tem um jeito, A minha vida segue uma rota e uma escala Mas o consciente de mim é o esboço imperfeito Daquilo que faço e sou: não me iguala Não me compreendo nem no que, compreeendendo, faço. Não atinjo o fim ao que faço pensando num fim. É diferente do que é o prazer ou a dor que abraço. Passo, mas comigo não passa um eu que há em mim. Quem sou, senhor, na tua treva e no teu fumo? Além da minha alma, que outra alma há na minha? Por que me destes o sentimento de um rumo, Se o rumo que busco não busco, se em mim nada caminha Senão com um uso não meu dos meus passos, senão Com um destino escondido de mim nos meus atos? Para que sou consciente se a consciência é uma ilusão? Que sou entre quê e os fatos? Fechai-me os olhos, toldai-me a vista da alma! Ó ilusões! Se eu nada sei de mim e da vida, Ao menos eu goze esse nada, sem fé, mas com calma, Ao menos durma viver, como uma praia esquecida…" Fernando Pessoa

Como a noite é longa ! Como a noite é longa ! Toda a noite é assim...
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Como a noite é longa ! Como a noite é longa ! Toda a noite é assim... Senta-te, ama, perto Do leito onde esperto. Vem p'r'ao pé de mim... Amei tanta coisa... Hoje nada existe. Aqui ao pé da cama Canta-me, minha ama, Uma canção triste. Era uma princesa Que amou... Já não sei... Como estou esquecido ! Canta-me ao ouvido E adormecerei... Que é feito de tudo ? Que fiz eu de mim? Deixa-me dormir, Dormir a sorrir E seja isto o fim.

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo, Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo, Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
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Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo, Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo, Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia, Seja uma flor ou uma idéia abstrata, Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus. E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo. São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores, E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também, Porque ser inferior é diferente de ser superior, E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão. Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter, E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades, E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles, E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens. Sim, como sou rei como sou rei absoluto na minha simpatia, Basta que ela exista para que tenha razão de ser.

Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do…
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Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.