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Frases de Fabio Gomes Ferreira

69 frases

⁠Na garoa fina que vinha caindo as crianças corriam para as ruas esperando a chuva que viria do céu numa alegria a qual contagiava aquela cidadezinha inteira. Os telhados coloridos falavam de histórias não contadas e a luz mansa da manhã brilhavam todas galharias daquelas árvores…
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⁠Na garoa fina que vinha caindo as crianças corriam para as ruas esperando a chuva que viria do céu numa alegria a qual contagiava aquela cidadezinha inteira. Os telhados coloridos falavam de histórias não contadas e a luz mansa da manhã brilhavam todas galharias daquelas árvores que o tempo nunca desbotara. Naquelas águas coloridas as crianças brincavam e bordavam sobre os tapetes brancos estendidos para elas. Tinha gosto de jujubas, de uma infância eternizada daqueles momentos.

⁠Não prescindia nada além do refúgio de estar consigo mesma. Aprendera desde criança que podia estar em qualquer lugar quando fechasse os olhos. Faria grandes viagens para dentro si e descobriria o que não lera em livro algum. Na verdade tudo já fora escrito, mas disso ela não sa…
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⁠Não prescindia nada além do refúgio de estar consigo mesma. Aprendera desde criança que podia estar em qualquer lugar quando fechasse os olhos. Faria grandes viagens para dentro si e descobriria o que não lera em livro algum. Na verdade tudo já fora escrito, mas disso ela não sabia, ainda. Em seu seguir distraída deparou-se com o grilo falante, portento grilo. Foi então que ele lhe cantou aquela primavera que destoava seu pequeno mundo naquele frágil instante de percepções. Quando voou ela compreendera que havia muitas flores naquela composição melódica e que ao abrir as janelas deveria se juntar aos seus pares num prenúncio do belo que haveria de ser. Aquele canto não estava escrito ainda, foi assim que ela descobriu.

⁠Uma vez construí um castelo de areia para nele abrigar meu desengano. Quando as ondas chegaram seus segredos foram levados para o horizonte, num todo querer de abandono. Fiquei ali parado entre o âmbar do céu e toda névoa de areia e sal. Toda imensidão de vidas entre eu e meus m…
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⁠Uma vez construí um castelo de areia para nele abrigar meu desengano. Quando as ondas chegaram seus segredos foram levados para o horizonte, num todo querer de abandono. Fiquei ali parado entre o âmbar do céu e toda névoa de areia e sal. Toda imensidão de vidas entre eu e meus mundos refletia também um vazio cantante. Mas vazio de que? Como a vida que talvez repousasse também não seguia premente suas decisões em tantos tons de anil? Voltarei amanhã e quiçá não encontre uma concha marinha onde em seus labirintos escute o que não vim buscar...

⁠Cada existir realmente acaba um dia? Se o espaço parece tão infinito, que me caberia dizer do tempo? Mas se toda existência não acabasse, qual propósito teria para o espírito em sua continuidade? Já me peguei acordado enquanto a cidade dormia toda sua forma humana, atravessando…
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⁠Cada existir realmente acaba um dia? Se o espaço parece tão infinito, que me caberia dizer do tempo? Mas se toda existência não acabasse, qual propósito teria para o espírito em sua continuidade? Já me peguei acordado enquanto a cidade dormia toda sua forma humana, atravessando espírito alegre que no seguinte repousar seguia sendo sobre a vida; uma compreensão de amor tardio e vasto para aquelas horas. O que havia para amar naquele silêncio e tão grande escuridão? Era meu próprio existir efêmero fulminante que simplesmente transladava barreiras silenciosas no compasso de cada respiração do que viria a descobrir depois.

⁠Em realejo o sol nunca deixa de ser azul, há sempre uma canção que faz ninar as crianças enquanto vagam com seus unicórnios. Como é possível sabe-lo? Os gatos cantam e os pássaros desfilam sobre a relva que cresce linda. De repente num interlúdio de pássaros vi uma clareira de f…
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⁠Em realejo o sol nunca deixa de ser azul, há sempre uma canção que faz ninar as crianças enquanto vagam com seus unicórnios. Como é possível sabe-lo? Os gatos cantam e os pássaros desfilam sobre a relva que cresce linda. De repente num interlúdio de pássaros vi uma clareira de formigas dançando de mãos dadas, era sobre a chuva daquelas esquinas esquecidas e entre pássaros e formigas que cantavam, as anêmonas esverdeadas dançavam canções de sereias do mar que já molhadas estavam.

⁠Revi a teia do grande mistério; não pela metade mas, por inteiro. Dona Aranha não anda nos trilhos, não anda em bandos, existe seu simbolismo paciente para além dos limites. Em cada fio um outro passo na jornada, sem esconderijos, apenas a narrativa da própria existência nessa v…
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⁠Revi a teia do grande mistério; não pela metade mas, por inteiro. Dona Aranha não anda nos trilhos, não anda em bandos, existe seu simbolismo paciente para além dos limites. Em cada fio um outro passo na jornada, sem esconderijos, apenas a narrativa da própria existência nessa viagem.

⁠O Carubé-de-Pernambuco se foi e Ararinha-azul também não vejo mais. Lembram quando nas noites os vagalumes transitavam feito fagulhas estelares no céu?! Homens de concreto talvez não compreendam ou sintam essa ausência. Encontramos pairando nos galhos secos nenhuma explicação pr…
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⁠O Carubé-de-Pernambuco se foi e Ararinha-azul também não vejo mais. Lembram quando nas noites os vagalumes transitavam feito fagulhas estelares no céu?! Homens de concreto talvez não compreendam ou sintam essa ausência. Encontramos pairando nos galhos secos nenhuma explicação profunda de tudo que está ficando para trás. Adiante talvez mais tropeços de estômagos que simpatizam com mais grama; respirando qualquer porção de meias verdades que embrulham de ânsia todas páginas corridas no dedo e barcos navegando o lixo deixado para as gaivotas recolherem. Ah, os ursos clamam por uma história não soterrada; os macacos optam por não conversarem um idioma conhecido; do contrário, além de extintos poderiam ser escravizados, enquanto governos esclerosados empilham vagões até mesmo sem trilhos (como se isso fosse alguma vantagem em justificar outros meios) para nenhuma direção real, verdadeiramente alimentada. E na satisfação de caminhar por uma cultura consciente a Araucária mirabilis secou, como tantos outros nomes de uma lista que não será lembrada por nenhum acelerado atraso estúpido de um sinal verde dizendo: pare!

⁠O dia nasce em enormidade, antes dos homens degenerados amanhecerem atômicos; jogando quem perde vida mais rápido. Poderia ser apenas a chuva desgastando pedra que cantou rã, escorregou peixe, num expelir entendimento de um sonho estranho que, encontra-se escorado, esperando um…
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⁠O dia nasce em enormidade, antes dos homens degenerados amanhecerem atômicos; jogando quem perde vida mais rápido. Poderia ser apenas a chuva desgastando pedra que cantou rã, escorregou peixe, num expelir entendimento de um sonho estranho que, encontra-se escorado, esperando um senso comum juntar folhas escancaradas no tique-taque de todo barulho lá fora. Por enquanto aos nascidos nas águas de hoje ainda é aconchegante toda possibilidade.

⁠Tenho fantasias abstratas e em alguns sonhos um amanhã abstrato também. A morte não fecha meus olhos ao adormecer, mas espreita o que minha vida pode oferecer. Liberto na dimensão dos sonhos é sempre alívio conseguir ser; ausente dessa condição minha própria posteridade vaga cem…
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⁠Tenho fantasias abstratas e em alguns sonhos um amanhã abstrato também. A morte não fecha meus olhos ao adormecer, mas espreita o que minha vida pode oferecer. Liberto na dimensão dos sonhos é sempre alívio conseguir ser; ausente dessa condição minha própria posteridade vaga cemitérios de almas pêndulas diante uma realidade de pura ilusão. Meu coração não quer engasgar com nenhuma pobreza de sentido.

TODO VERDE Num respiro de dia passando por ali O verde se pôs a cantar
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TODO VERDE Num respiro de dia passando por ali O verde se pôs a cantar Todo vento vinha soprando ligeiro Num azul de céu clarinho feito azul de mar Deixa a vida escorrer Toda nascente carrega um espírito que seguirá O dia não abandona nenhum sentido Na folha está o vislumbre de mais vida continuar As árvores guardam o Tempo Diante a realidades dos fragmentos que escrevo Enquanto os pássaros cantam Os sonhos dessa manhã que não esqueço

⁠Aquela manhã era derramada de azul, sem o excesso desgosto onde na noite um querer fatigado se esconde. Era uma garça ou simplesmente o divino manifestando de maneira diferente uma chegança, anunciando outra saída para a vida aqui de dentro?! O que escapava era a loucura silenci…
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⁠Aquela manhã era derramada de azul, sem o excesso desgosto onde na noite um querer fatigado se esconde. Era uma garça ou simplesmente o divino manifestando de maneira diferente uma chegança, anunciando outra saída para a vida aqui de dentro?! O que escapava era a loucura silenciosa, entrelaçada às nuvens de sal que ornamentavam toda passagem transformada. O pequeno graveto calculava a distância de onde seria noite àquelas horas e dos olhos que adormeciam alinhados à grande lanterna dourada que ia desbotando as cores do amanhecer. Como um espichar barbante e tocar eloquente qualquer inutilidade que naquele momento crescia também em qualquer quintal... Qualquer azul que derramava sol ou caía púrpura num minuto que existia o mundo inteiro.

⁠A verdade destroça feito gole em garganta seca, percorrendo fendas sólidas onde mora a tolice e seus telhados tremulando orvalhos de tragédias. A verdade pode ser furiosa; não pensa olhos nem ouvidos, escorre saída de confusões encontradas. A verdade pode assombrar a alma, perco…
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⁠A verdade destroça feito gole em garganta seca, percorrendo fendas sólidas onde mora a tolice e seus telhados tremulando orvalhos de tragédias. A verdade pode ser furiosa; não pensa olhos nem ouvidos, escorre saída de confusões encontradas. A verdade pode assombrar a alma, percorrer as órbitas pseudoentendidas e num suspiro cair no sono em batimentos da própria jornada. A verdade também sonha.

⁠É como o correr das águas que a existência procura sentido, ou talvez simplesmente significâncias tardias no caminho. A chuva quando cai, não parece liberta para a salvação dos que sonham o verde frágil de seu encolhimento?! Água não tem barreiras; quando inquieta translada um n…
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⁠É como o correr das águas que a existência procura sentido, ou talvez simplesmente significâncias tardias no caminho. A chuva quando cai, não parece liberta para a salvação dos que sonham o verde frágil de seu encolhimento?! Água não tem barreiras; quando inquieta translada um novo começo, num instante revoluções para outras vidas. E nós, quanta água permanece adormecida? Quantos mergulhos mais precisamos para não recuar dessa sobriedade restaurada que não hesita e nem dormirá outra vez?! Água é lançamento imediato de momento nascido que nunca encontra estranhamento; como de um tempo antigo que vive em nós o entendimento de não pensar, apenas molhar a vida e sonhos num provável respiro de existir água.