Há anos olho-me no espelho
e não consigo mais me reconhecer.
Porque me deixei ficar assim?
Eu era tão formosa e tão viva,
Com uma imensa luz própria,
Luz que irradiava por onde passava,
E tocava a todos que chegassem perto.
Porque me deixei ficar assim?
Sem vontade de viver, sem interesse
de amar e me amar.
Olho-me no espelho e sucessivamente
Pergunto-me, onde foi que me perdi?
Porque me deixei ficar assim?
Se queres ficar, fique.
Não serei eu, a quem irei lhe pedir.
Se queres partir, parta.
Não serei eu, a quem irei lhe impedir.
Sinto amor por tí, não nego.
Mas nada se compara ao amor,
que eu sinto por mim.
E ao colocar meus pés na água do mar,
já não sou mais eu, adulto anestesiado,
mentalmente cansado, não sou mais.
Sou uma criança,
Uma típica criança feliz à brincar,
chuto as ondas, corro, mergulho,
boio, pulo, caio e até me arranho,
Planto bananeira para sentir
o vento nos pés.
Visto-me de algas/almas marinhas
e prossigo a dançar.
Transformo-me em peixe, sereia, tritão,
Tento abraçar infinitamente,
toda vastidão desse belo mar.
Me ausentei tanto de mim,
estando presente para você,
que acabei esquecendo
do meu eu.
E hoje à única coisa que se faz
Presente, é a tua ausência
Mesclada com a minha.
Excesso.
Se queres dividir algo,
dividi teu amor, tua dor,
tua solidão comigo.
Deixe-me fazer dela
a minha também.
Acolhe-se em meus braços,
sem medo, vem!
Pois se depender de mim,
são neles quis irás morar,
para não mais partir.
Senti, és flor
pétalas, cor
Formosura, poesia
Senti flor,
sente-se e diga
Que cor de flor serias?
Senti, és sonho
unicórnios, amor
Mundos, dimensões
dia é noite
Noite é dia
Que intensidade
esse sonho teria?
Sonhar com cada cor de flor
Sentir cada flor no sonho
Amar, céu, mar, infinito.
Ser.
Passarinho danç/cant/ante
Movimentos e assobios,
Sai a tristeza, entra os sonhos
Bate as asas, por um instante
sente-se liberto.
E vai parando, e vai calando,
E reparando na enorme gaiola,
E enfim acorda, Eis a realidade!
E apesar de todo esse meu silêncio,
De todo esse meu recuo, de não esboçar nenhum sentimento, tentando manter distância de tí, o desejo ainda continua intenso, imenso, me rasgando por dentro.
Acendes-te uma fogueira de amor no meu coração, não tenho mais o poder de controlar um minuto sequer, porque ele só quer você, apenas você, mulher.
Quanto mais navego em mim,
Mas arrasto-me a escuridão meridional.
Quanto de mim é sol?
Quanto de mim é chuva?
Embora, tudo passe de passagem,
As lágrimas me reveste.
Ainda que o tempo bata asas,
A penúria insiste em me visitar
E eu a espanto como um touro arredio,
Por vezes, como libélula
E prossigo a navegar.
Quanto de mim sou eu?
Quanto de mim são os outros?
Meu coração é calmaria,
Até o momento em que
não encontra o teu.
Depois disso, é trovoadas
tempestades, Furacões,
Puro desatino,
inúmeras sensações.
Meu coração quando
encontra o teu,
Já não é mais meu,
ele é somente seu,
Perdidamente seu,
E de mais ninguém.
Ô minha menina, vem cá, deixe-me acalentar teu melancólico coração.
Não esboçarei um só palavra se tu não quiseres, apenas ficarei ao teu lado, fazendo-te companhia.
E dessa tua melancolia, trocarei por amor em demasia, até não haver mais espaço para qualquer tristeza que possa vim a te atormentar.
aminhando nas águas do mar,
sinto o vento em demasia,
ventania que sopra para dentro,
bem no fundo do âmago,
E ao mesmo tempo,
ecoa um longo silêncio,
Calmaria de um túmulo.
Deparo-me com o horizonte,
Um leme a cortar o mar,
Que desvaneia de esperança
E pelo mastro veleja.
E mais acima, um ataque de belas
gaivotas invadindo essa calmaria.
A/mar, meu horizonte inteiro,
é de pura nostalgia.
Falar de tí
é trazer a tona desejos e recordações
incomensuráveis, ainda enraizados
dentro de mim.
É te ver vestida como tarde de primavera
em meio ao outono, e me deslumbrar ao ver seus cabelos longos sendo acariciado pelo vento.
É me desmanchar em intermináveis gotas salgadas de tanta tristeza, por não estás mais aqui.
Falar de tí, ainda me dói.
Ainda que me arranque a língua e os dentes,
ruminarei o poente e tudo que há nele.
Atravessarei o avesso do meu avesso,
Mesmo com a melancolia esparsa.
Quando tudo me facina,
Acelera,
Dilacera,
Desistência torna-se inexistente.
Como é extraordinário o sabor da resistência
Quando se vê uma faísca na esquina onde contorna liberdade.
Não falo de sentimentos ambíguos,
Onde sempre a penumbra sobrevém,
É mais além.
Não é a solidão em outra solidão,
É mais além.
É tarde cheia do destino,
É perder-me de mim e me achar ante o espaço do não ser, e ainda sim, ser.
É um eu atemporal,
A essência que persiste como essência.
Angústia Atroz
Chega, finca raízes, fazendo-me viver
A sobressaltos por dores inexplicáveis.
Trazendo-me penumbra,
sabotando o facho de luz que
aos poucos consegui alcançar.
Pausando como uma canção de espera,
A mente pulsar, no entanto não resta nada.
Não há verso, poesia que diminua
essa agonia que me causas.
E ainda que eu mergulhe dentro de mim
na busca de me reencontrar e te arrancar,
será em vão.
Pois sei, só há lençóis amarrotados de
memórias embranquecidas e manchas de
chagas profundas, e mais afundo,
o silêncio de minha alma escassa.
Passa angústia, Passa.
o velho e fútil amor que insiste em voltar.
Te quero, não nego,Te quero intensamente,
Com todo ardor e alma, te quero.
Porém, bem longe daqui.
Ao ponto de esquecer a minha existência,
Porque da tua, não sobrou mais nada em mim.
E quando eu escrever a palavra sorriso,
Saiba que estou falando de você meu amor.
Desse teu sorriso encantador, que me tira e me põe de volta nos trilhos.
Que é a fagulha de esperança que acende em meu coração, sempre quando sinto que nada mais faz sentido.