Folhas soltas...
Os dias passam,
páginas são viradas
e livros novos lançados,
contam novas histórias.
O vento vem
e leva embora
algumas páginas
que ficaram soltas
e resolveram seguir
outros caminhos
para alegria de alguém
que ao vê-las partindo,
descobre seu talento
de poeta ao imaginar
o motivo das páginas
desejarem tanto voar.
Busco meus sonhos
em cada canto que eu passar
e deixo para trás,
o que é apenas peso
para eu carregar.
Bato minhas asas sem medo
porque, se eu cair,
já aprendi a levantar.
Devaneios...
Vou soltar meus pensamentos
e deixar que voem sobre o mar
para navegar sem pressa,
na velocidade da brisa
que embala o silêncio
do fim de tarde
nesse por do sol.
Voarei
para chegar onde você está,
perdido em sonhos e devaneios
na ilha em frente a minha,
mas distante como
estão o sol e a lua,
difíceis de alcançar.
Selvagem...
Eu gosto de ser selvagem
como é,
a liberdade do vento
que corre pelas planíceis
entra pelas florestas
balança as árvores
sobe as montanhas
desce em disparada,
mas chega,
como a leveza das folhas
que caem sobre o lago,
durante a madrugada.
O teu coração se desfaz,
tece um rosário de lamentos
e você continuará a desejar
que a vida mude,
mas vai descobrir aos poucos,
que é você,
quem deve mudar.
Jardins seminus...
As flores não podem murchar,
não deveriam.
Há vida dependendo delas
é preciso que outras venham
e floresçam os jardins
que andam seminus
e com a chegada do inverno,
ficarão sem o perfume
para o vento levar.
Deitados ali,
estão os sonhos dos poetas
que em seus versos,
fazem pousar borboletas
e cantar os pássaros
que de asas podadas,
já não podem mais voar.
Fechando a mala...
Não quero nada teu,
tua mala, pesa demais.
Eu só quero o que é meu,
minha bagagem é tão pouca
bem fácil de carregar
e se perder,
alguém devolve,
não há nada ali
que possa interressar.
Algumas roupas,
um batom
e um perfume de lavandas.
Vou levar uma caneta
para escrever meus dias
e borracha
para apagar alguns rabiscos
que ainda insistem
em marcar presença,
mesmo quase apagados.
Levo meu livro de poesias,
mas este,
carrego no coração.
Juntos,
me acompanham também,
meu violão desafinado,
abraços, beijos
e bons desejos
que fui recebendo,
ao longo destes anos.
Mundos...
Há muitos mundos
dentro do mundo
que imaginamos.
Há distâncias incalculáveis
e razões que não se explicam
sem compreender esse jeito
de viver tão especial.
Não há mais pressa
ao atravessar fronteiras,
o rio levará através
do seu seguir sereno
e deixará que cada um vá
e fique onde se encontrar.
Nada se explica,
tudo é natural
uma sequência de vida
sem parada para o chá,
mas ainda há um jantar
que alimenta a alma,
uma imagem
que atravessa o tempo
e salpica de estrelas
o céu do coração
que faz a oração do amor
virar um mantra,
na eternidade de cada olhar.
É melhor encher a mala de ilusões
e de sonhos impossíveis,
mas sem esquecer a coragem,
vou precisar dela para partir.
É preciso quebrar barreiras
e tudo o que incomoda.
do meu poema - Diga ao espelho
Somos todas as horas do dia,
todas as perguntas
e todas as respostas,
somos o medo e a coragem
o sim e o não,
somos, eu e você,
somos nós,
somos humanos..
do meu poema - Engrenagem
Há pessoas
que perderam tudo,
mas levantaram
e continuaram acreditando
nas possibilidades
porque nunca
se distanciaram delas mesmas.
do meu poema - Como um sol
Para o bom jogador,
há interrogações, dúvidas,
afinal, não tem certeza
se o técnico lhe ensinou corretamente
ao dizer vá sem medo
e faça o gol.
do meu poema - O bom jogador
Pedra...
A vezes,
penso ser pedra,
pesada
e imóvel,
sou nada.
Em outras,
plumas ao vento
e há ainda os dias
que me encontro
sobre a pedra
ou,
sob ela
me deixo,
mas há dias
que penso,
ser pedra e pluma.