Lótus...
Mergulhei muitas vezes
até descobrir
que minhas raizes,
estavam fixadas
lá no fundo do lago.
Demorei para entender
que em minha prisão,
eu mesma,
construía as grades.
Estava livre para ir,
mas precisava aprender
a respirar fora da água.
Eu nasci flor e flor eu seria
e em forma de um lótus
na água viveria para ensinar
que não importa o lugar,
mas como vamos melhorar
o que nos cerca e nos faz chorar.
by/erotildes vittoria
Pranto...
Se eu regar com meu pranto,
não posso esperar nada desta terra
que eternamente úmida,
vai apodrecendo as raízes
de cada semente
que brotar ali.
by/erotildes vittoria
Meu rancho...
Andei pelos becos
em noites de tempestades
e deixei minha marca
gravada com ferro quente,
em cada pedacinho
dessa terra onde pisei.
Meu cavalo,
já cansado das andanças,
soltei em um pasto abastado
que feliz, corre pelas várzeas
em busca da liberdade
que ainda desconhece,
acostumado com meu peso
sobre seu lombo.
Construi meu rancho,
bem na beira do riacho
que rega meu pomar e minha horta
quando a chuva se demora,
lá por outras bandas.
A cerca é de pitangueiras
as mais doces que já provei
e o mel, é do laranjal,
dos meus tempos de guri.
Minha viola, anda comigo
dessa eu não me afasto
é minha companheira de tristezas,
mas também do meu sorriso.
by/erotildes vittoria
Sorriso...
Cada um,
possui sua cota de alegria,
alguns, não sabem sorrir,
outros, fazem sorrir
e há ainda,
os que além do sorriso,
sabem enfrentar a vida
de um jeito bem mais simples,
mas poucos, são tão felizes
com um pouco
do pouco que recebem.
by/erotildes vittoria
Metamorfoseando...
De em flor,
vou sem pressa,
meu dia é longo
e amanhã,
serei outra a perambular
pelos jardins
que novamente sem pressa,
inicia uma nova vida
porque tudo muda,
vai transmutando
e nada é realmente,
um fim.
by/erotildes vittoria
Perfume...
Se o perfume da vida foi esquecido,
volte no tempo
e deixe a rosa lembrar
da fragrância ainda presente,
nas entrelinhas
que marcaram tantos momentos.
by/erotildes vittoria
Fresta na janela...
Sim, eu fecharei as portas
e deixarei aberta,
apenas um fresta na janela
para que o sol se mostre
e o canto dos pássaros,
possa adentrar o quarto e mostrar
que ainda há vida lá fora.
Também quero,
sentir o perfume das flores
misturado ao cheiro da chuva,
me fazendo companhia.
Deixarei meus sonhos quietos,
escreverei minha última poesia
que talvez,
nem tenha mais sentido,
mas me fará sorrir ao lembrar
que em muitos dos meus dias,
eu fui feliz.
by/erotildes vittória
A velha cerejeira...
As folhas secas cairam
e muitos galhos secaram.
Foram podadas as arestas
e um novo ciclo se iniciou
dando vida nova ao velho tronco
que ao longo dos anos,
foi enfraquecendo
e suas flores e frutos,
escasseando.
by/erotildes vittoria/
Lua..
E essa lua
que insiste
em se mostrar bonita
e finge não saber
que recheia de inspiração
o coração do poeta.
Fica quieta lá céu,
mas se mostra sem receio
quando reflete sobre o mar
que surpreso com sua beleza,
implora para as ondas,
flutuarem mais devagar.
by/erotildes vittoria
Menino...
Vá pela rua,
cante, grite, sorria,
suba na árvore da esquina
e contagie a todos com esta alegria
que há em ti porque menino,
ainda pode ver a vida
do jeito que vai sonhando.
Faça teu gol,
chute esta bola na rede
que te impede de ir
e pule os obstáculos
que te impuseram,
mas continue sorrindo
e correndo livre
porque ser feliz
é ser um menino
que alimenta no coração,
esta vontade de viver.
by/erotildes vittoria
Uma poesia...
E foi quando eu descobri
que minha vida era uma poesia
com muitas linhas suaves
escritas na cor rosa
e outras tantas,
marcadas em negrito,
mas rimavam entre si
porque ambas,
falavam do amor,
da mesma forma
que descreviam a dor.
As vezes, o amor era bonito
não doia,
mas quando ia embora,
ficava a dor
que não queria passar.
by/erotildes vittória
Instante...
Sim, a cada passo,
há mais vontade de viver
e desejo de continuar.
A vida é uma fotografia
que grava no papel,
um instante bem vivido
para fazer dele,
uma eternidade de dias
que serão lembrados.
by/erotildes vittoria
Sem pressa...
Com o passar dos anos,
deixamos de sonhar o impossível
e vamos alimentando somente
o que podemos alcançar,
sem levantar a ponta dos pés.
Tiramos uma folha seca, ali,
outra, lá e sem pressa,
deixamos o botão da flor abrir
para saber de sua cor.
Tudo o mais,
passa a pesar bem menos
e se couber em nossas mãos,
seguramos, senão,
deixamos que vá.
by/erotildes vittória/
Plane sozinho...
Abra tua prisão
e solte esta águia
que deseja voar livre
e ver a vida, sem grades.
Aprenda a voar,
crie asas
e deixe tua imaginação levá-lo,
até onde nunca chegou.
Solte-se do medo
que te amarra,
fingindo te proteger
e plane sozinho
sob um céu sem fim.
Crie você, teus limites
e não tenha medo de ousar.
by/erotildes vittoria
Beija-flor...
Dê aos tolos, o que desejam,
todo o ouro do meu reino,
não vale um único segundo
sem liberdade.
Traga-me, a brisa do anoitecer
e silencie o toque do clarin
que durante a madrugada,
leva embora meus sonhos.
Deixe os pássaros no jardim,
cantam alegres,
ao raiar de um novo dia.
Peça ao sol
que aqueça meu corpo,
minha alma, meu dia
e ao beija-flor, nada peça,
observe suas asas
e como ele,
me ensine a voar.
Rosas...
Há pessoas
que são como as rosas,
moram em um jardim especial
e junto com elas,
perfumam nossos dias.
Há nelas,
uma estação de todas as flores
que permanece
no jardim de cada alma
que cultiva seu roseiral.
by/erotildes vittória
Procurando...
Eu procurei qualquer coisa,
mas não era qualquer coisa
que me faria silenciar.
Abri a porta dos fundos
e soltei os fantasmas
que não desejavam mais
aquele escuro pertubador.
Voltei e sentei ao lado da lareira
que queimava papéis
com cheiro de mofo
e sem valor algum.
Bebi outro copo de vinho
e voltei a escrever o quinto capítulo
daquele interminável conto.
Quebrei meu silêncio
com notas de uma música
ao tocar as teclas do piano
que pedia afinação.
O dia amanhecia e resolvi caminhar,
a insônia, foi junto e juntas,
vimos o sol nascer.
by/erotildes vittoria
Vida de borboleta...
Não sei quanto tempo
ainda me resta
para aproveitar meus dias.
Não sou eu quem determina
se meu voo por jardins de flores,
será duradouro.
Meus predadores me caçam
e sem perceber,
viro uma presa fácil.
by/erotildes vittoria/12 de março de 2015
Entrelinhas...
Nada sabemos da vida, mas continuamos a sonhar e acreditar que tudo é como imaginamos.
De repente, o vento vem, derruba e espalha aquilo que parecia tão sólido e bem fundado sobre alicerces firmes.
Talvez, seja o momento de repensar valores, situações, rever condições e aprender a se conhecer melhor e valorizar mais, pequenos detalhes nas entrelinhas das páginas apresentadas em branco, mas recheadas de poemas, retratados pela vida.
By/erotildes vittoria/10 de março de 2015
Ainda...
Ainda posso sentir o perfume das flores que em meio a tanta hipocrisia, insiste em tocar a alma do homem com cores suaves e fragrâncias delicadas.
Ainda tento resistir aos toques deselegantes e vulgares que receio, sejam apenas o conteúdo da humanidade que caminha doente por ruas desconhecidas e proibidas pelas almas que por elas, já experimentaram as dores das noites onde peregrinavam sem destino.
Ainda posso ver uma fresta iluminando parte da vida de pássaros solitários que tentam em vão, reconstruir seus ninhos sobre as montanhas de gelo que envolve cada brecha onde rios, desciam cantando sobre as pedras agora, cobertas pela regidez do frio.
Ainda quero acreditar que é só um vendaval e sem noção da destruição, resolveu acampar em terras cobertas pela lama que se formou quando tudo transbordou no coração do homem que sem escrúpulos, destruiu o que ele mesmo demorou tanto para edificar.
Ainda me resta a esperança que sem eu saber a razão, insiste em me abraçar e pedir para que eu acredite em uma trégua e em dias claros porque as nuvens negras, serão levadas pelo vento, tão logo alguém possa soltá-lo e deixá-lo novamente livre para voar.
By/erotildes vittoria/9 de março de 2015
Um novo espetáculo...
Descubra onde estãos as flores
que enchiam os campos de perfume,
de cor, de suavidade, de encanto.
Vá pelo caminho do despojamento
onde andam despreocupados
aqueles que vagavam pela cidade
e desconheciam, a leveza dos passos
quando em estado de graça.
Ouça o sopro do vento
é a voz da poesia da vida
que alimenta o coração
e faz a alma, feliz.
Levante a cabeça
e olhe para os lados,
a vida te convida e mostra
que ainda há música
e um novo espetáculo, sempre pronto
para começar.
by/erotildes vittoria/10 de março de 2015
O peso dos anos...
Na esperança de um sorriso, há tantas histórias a serem contadas que se adicionadas ao coração, seriam como um sopro de vida.
Os anos passaram e as dores, parecem amenizadas porque deixadas para trás, foram substituídas por novas descobertas que preencheram campos vazios.
Não há mais ilusões e as tardes, foram reservadas para o chá que ainda continua com o mesmo aroma e servido no mesmo horário.
As xícaras de porcelana inglesa, também continuam a fazer parte de uma história quase sem memória, mas que se repete a cada volta no tempo que continua a existir e a demorar muito mais para a contagem das horas.
Os amigos foram partindo e a família, se distanciando, deixando saudade e também indiferença, impaciência, intolerância pela forma como a minha história foi escrita.
Já ultrapassei a última curva da vida, mas há uma reta que agora se torna longa e que desprovida de alguma vantagem, parece ainda mais distante de um mundo constituído de lógica.
O monge segue o mesmo caminho diariamente e nessa vontade de continuar, prossigo também, mas com passadas mais curtas e tentando não me amedrontar.
Alguns poucos amigos ainda tentam acompanhar minha caminhada lenta, com passos trôpegos e pernas fracas para suportar um corpo com músculos flácidos.
Como um presente, tenho a minha mente que lúcida, não me deixa temer o peso dos anos e me força a continuar e a não desistir.
By/erotildes vittoria