Ocupando minha posição
Estou esgotada de abraçar os meus joelhos.
De pôr-me em xeque, por meus devaneios.
A posição fetal, não será mais uma opção.
Não mais darei esmolas à minha satisfação.
E só por ser efêmera, serei plena.
Ditarei as regras, moldarei minha arena.
Os meus medos, em abismos viverão.
E eu, apenas recrutarei determinação.
O passado será meu aliado
O futuro será por mim adotado
Porém será no presente
Que minha posição ficará evidente.
Enide Santos 03/01/20
Minha canção do exílio
Minha terra perdeu as palmeiras
Tristes se foram os Sabiás
Aquelas aves não mais gorjeiam
Nem aqui e nem lá.
Em nosso céu ainda há estrelas
Nossas florestas tornaram-se mar
De fogo e de maldade
Do governo que aqui esta.
Matutando, em isolamento,
o medo de não vingar
Vejo minha terra enchendo-de cruzes
nem aos mortos podemos chorar.
Minha terra sem palmeiras
Tristes se foram os sabiás.
Enide Santos10/07/20
Soluços do universo
Hoje, ouço soluços
Vindos de todos os cantos
E até das palavras, emanam prantos
As minhas rimas
Refugiam-se no fugidio leito
Do esquecimento das coisas
Os olhos de carne
Dos sentimentos que hoje
Escolhi para sentir, flamam
E as lágrimas mortas
Que foram proibidas de sair
Depuram-se, renovam-se
Guiando-me por caminhos
Regenerados pelos sonhos
Restaurados pelo amor.
Hoje, os soluços do universo
Foram calados
E por sonhos e amor foram trocados.
Enide Santos 14/04/20
Colo
A minha dor dorme
Na fuga do pensamento.
E de uma lembrança
Descobre o sentimento.
Me deparo com o destino
Agora coberto de pó
E num furor matutino
Percebo que não estou só
Pinto o tempo a mão
E a cor de ideia triste
Desde já inexiste
No colo do amigoirmão.
As horas de todas as cores
Um conselho vem doar
Aproveitas todos os amores
Antes de o tempo acabar
(mote)
Fique inteiro.
Ande...
De carinho.
Seus amigos estão ao seu lado.
Não desperdice este ninho!
Enide Santos 07/04/20
Depois que passar o vento
Tempestades não são eternas
Rasgam, rompem, ferem
Nos atravessam, nos modificam
Só extraí de nós
O que já não nos pertencia.
São totalmente indiferentes a nós
Então, deixe que vá
Leve consigo seus trovões
Façamos como a terra
Que acolhe as folhas órfãs
Sem romper a mudez dos humos
Depois que passar o vento
Contemple o silêncio
Se purifique
Emerja sem lamentos
Volte à tona
Subscreva o seu existir.
Enide Santos 11/10/20
Ar
Se de de presente
para este ar
Não o impeça
de te assediar
deguste esta corrente
que quer te arrebatar
não o enfureça
deixe-o te levar
abra a janela ciente
que vai acordar
da dor, se despeça
deixe o ar te guiar
espire contente
permita-se exalar
apareça, aconteça
viver é amar.
Enide Santos 11/10/20