E é o sonho que nos move
silenciosos ou estrondosos
será que chegaremos?
E é pelo sonho que vamos
esperançosos ou descrentes
será que um dia há de ser?
Há que se renovar a fé no inominável
acreditar no brilho do inexplicável
ter confiança na força do acaso
alimentar a alma , o coração
sorrir diante do imensurável .
Sonhar. Crer. Sonhar. Partir. Ser.
Até que não sejamos mais que
uma lembrança no azul do tempo.
Toda vida
observando lirismos:
tantos versos ...
Toda via
acalentando pensamentos:
tontos devaneios...
Todavia ,
sucessão de casualidades
passam
e a vida além espaça ...
Muito além daqui estrelas ecoam palavras
coração as digita no azul do infinito ...
O dia acordou azul
azul-céu, azul-paz
cantarolam os pássaros
pousam nas flores as borboletas
aquece o corpo e a alma o astro-rei
e tudo é tão simples
tão certo, tão fugaz
assim como os pensamentos
que vêm ou vão ou não...
"...irmão das coisas fugidias..." como a poetisa assim me vejo , assim me sinto. Percorro caminhos ladeados de incertezas e sonhos. E, as coisas efêmeras como as nuvens , os raios de sol e o tempo acalentam meus passos por aí . Incessantemente vou querer muito mais do que vejo, do que aspiro. Vou sempre buscar flores e céus azuis pelo tempo que eu existir, olhar além do que pode ser visto . Sentir o aroma de jasmim dentro de mim mesmo sendo inverno. Quero palavras que possam clarear o dia pintado de cinza , quero corações abertos para o amor , quero canções brilhantes de sol e luar , quero a poesia nossa de cada dia por toda a eternidade, amém !
Expostos à efemeridade
caminhamos para onde reluz
o ponto iluminado do sentir
em passos silenciosos
essa noite você o meu sonho visitou
e como um poema surrealista
de nuvens mares e azuis meu sonho inundou
ao longe o som do vento ouvi
e a noite imensa se tornou ao tilintar do teu nome
uma palavra permanece ao nosso alcance
lá onde os sonhos habitam eternamente.
Soneto do amor sem fim
Surgiu em meu caminho como uma brisa
Enchendo de luz meu frágil coração
Foi se chegando como quem não avisa
Como um límpido céu azul de verão .
Teu olhar sereno minha alma atravessou
Como uma estrela etérea e iluminada
Teu sorriso de sol e lua me encantou
E agora tuas palavras são minha estrada.
Te amar é transcender os limites da razão
É como voar leve contra o vento
Apreciar então a mais esplêndida visão .
Te guardarei sempre em meu pensamento
Revestido de cor , poesia e emoção
És vida , luar , meu eterno sentimento .
Rabisco nas nuvens
pensamentos absortos
pequenos relâmpagos faíscam
e abraçam o imponderável.
Toda palavra é precipício e salvação
chuviscos dentro da alma
invadindo o porão de lembranças.
E numa esquina do acaso
às vezes
avista-se o amor.
E então, inevitavelmente,
a alma emudece
o coração saltita
o olhar paralisa
as mãos se agitam
o corpo, em êxtase ,sorri.
O instante esperado
a certeza do achado
a emoção do encontro.
Como descrever em palavras
o que não cabe no infinito?
sou inteira recordações
somos
aromas, palavras, toques
passeio por esses caminhos
passeamos
encontros, acasos, desencontros
o céu todinho em meu olhar
no nosso
estrelas, nuvens, aquele luar
o que faço com tanto azul?
o que fazemos...
Paisagens deslizam na distância
entre minha alma e a sua
uma coleção de azuis irrompe
dos olhos meus procurando
um porto para ancorar
uma nuvem para descansar
uns versos para se encontrar
enquanto isso a luz da lua invade o quarto...
Sentada na calçada
espero as estrelas que não sei se vêm
o vento paira sobre a solidão do jardim
pétalas de uma rubra rosa
tombam no final da tarde
e a noite em passos leves se impõe
com toques de poesia
A noite entoa canções
no silêncio vasto e abstrato
que enche de luz
os passos cambaleantes
os pensamentos distraídos.
Entre as estrelas o vento sopra
palavras em chamas e
no caminho do silêncio à palavra
poemas – constelações surgem
riscando o céu do coração.
Às vezes é apenas um momento
uma doce lembrança que vem
e quebra o silêncio da noite.
Da janela entreaberta
um aroma de flor invade:
presságio de poesia
E aos poucos as palavras
se aproximam
se engatam
se unem
e um poema nasce:
a vida acontece.
Na curva do horizonte
o infinito deságua
e caímos nos braços da ilusão
vestida de nuvens e imensidão.
Na reta da tarde
a noite se aproxima
incendeia o céu
e se veste de paixão e dor.
No silêncio da aurora
a alma descansa e sonha
com mares mais azuis
com o sorriso da eternidade.