Estranha sensação
Não sei como ou porque acontece
De repente tenho a impressão de estar chegando
em um tempo e lugar aonde eu sempre soube que chegaria
Mas ainda não vislumbro nada
Como nunca vislumbrei, mas sempre intuí
É como uma idéia que foge antes de ser pensada
Como um sonho que não consigo lembrar
Mas que sempre me apresentou imagens que agora vejo
E ouço uma voz me dizendo: "Eu não disse?"
Mas eu nunca entendi o que ela dizia
Simplesmente porque ela nunca disse nada
Mas avisava que eu estava a caminho do inexorável destino
de onde agora vislumbro meu passado
E me faz compreender que tudo sempre esteve interligado
E que nunca fui melhor e nem pior
Nem diferente e nem igual
Mas que eu soube ser eu
E ser feliz por não ter permitido que ninguém me mudasse
E nunca ter mudado por nada e nem ninguém
Ter feito as coisas certas
Que deveria ter feito
Apesar de algumas escolhas erradas
Tenho pouco a me arrepender
Além daquilo que não fiz
Quanto mais parece perto
Mais difícil de alcançar
Mas meu coração não pára
E eu te respiro com o ar
Vou vivendo,enquanto morro
Sem esperança de socorro
Eu grito e você não me ouve
Penso em você quando chove
Te vejo em tudo que se move
E não encontro uma razão
Razão é o que menos importa
Então vem, que eu abro a porta
Ou me chama, que eu pulo a janela
Se ficar a casa é sua
E com você eu assisto a novela
E com você eu ficaria
Até o resto dos meus dias.
Às vezes penso há quanto tempo vivo,
e há quanto tempo existo
Há quantas andam meus pensamentos
e no que tenho feito pelos outros
e para os outros
E naquilo que haverei de deixar
e penso que talvez o tão procurado
segredo da vida
esteja na diferença que interpretamos
as palavras viver e existir
deixar e fazer
e no peso da palavra "Quanto?"
Poema do amor impossível
Quisera fosses sonho, pra sonhar-te
Literalmente doce, devorar-te
Se fosses um poema, declamar-te
Talvez fosses problema, resolver-te
Quisera fosses morte, pra morrer-te
Se feita pro consumo, consumir-te
E se eu te visse triste, divertir-te
Mas eu existo apenas pra querer-te
Quisera fosses fumo, incinerar-te
E se você sumisse, procurar-te
Quem sabe então; eu nunca te encontrasse
E Deus me desse a sorte de esquecer-te
A vida,o tempo e o vento
Às vezes,rosa formosa
em outras,poço de tormentos
Igual é à água da chuva
às vezes traz muita alegria
ou outras a chuva só molha
Existência que o tempo desfolha
e a vida gira a ciranda
e um dia desfaz-se a roda
Um traço na linha do tempo
Um ponto na rosa-dos-ventos
e o vento carrega os momentos
porém,nunca estamos atentos
depois nós sentimos saudade
da pequena eternidade
Uma chama distraída
A qual nós chamamos de vida
Apagada pelo tempo
carregada pelo vento
Irmãs
Um dia,eu tive três flores
Três estrelas,três cristais
Que hoje não cuido mais
três amigas,tão queridas
três pares de olhos,tão lindos
três tesouros de uma vida
Que corre,despercebida
Um dia eu era um irmão
E dividia o riso e o pão
Às vezes a gente sonha
Com a gorda,tão risonha
A magrela,sem vergonha
e a branquela sonhadora
Corre o tempo e tudo doura
Hoje eu sei que o tempo voa
Qual bruxa numa vassoura
Deixa o encanto da saudade
Que me vem na noite,insône
Patrícia,Sandra e Simone
Eu sou sua alma sagrada
Em outra pessoa encarnada
Imagino-te vazia
Sem poder dividir comigo
Uma vida de alegria
Se minha vida ao deu lado fosse
Eu seria o senhor das batalhas
Vencedor da guerra fria
Marido da Imperatriz
Enfim,eu seria feliz
Simplesmente todo dia
E tudo por ti faria
Se eu pudesse te ver face a face
Ou, quem sabe,você se lembrasse
De algo que o tempo apagou
Que existiu por alguém que pensou
Em poder alegrar o seu dia
Enquanto você dormia
A saudade é uma dor que perdura
é ter sede e a água estar impura
é mosca na fruta madura
é espinho que a carne fura
a saudade é um remédio que não cura
é solidão na noite escura
é tormenta que se atura
é uma mancha na pintura
é um lamento,uma amargura
um sofrimento,é uma agrura
é simplesmente dor pura
que atormenta e que tortura
possui um arco o poeta
mas não possui pontaria
nem sempre que lança a seta
ele acerta onde queria
Às vezes às lança à esmo
e só acerta a si mesmo
quando lê sua sextilha
diz:¨meu Deus,que maravilha!¨
Quando acerta onde queria
aí sim,ganhou o dia
todo poema tem por alvo
o coração de uma maria
Na rede descansa a criança
que nada sabe do tempo
que é dança que as pernas trança
que é luz que o escuro leva
O tempo a si mesmo leva
deixa a luz que a vista cansa
e a vista já não alcança
Mas fica no tempo a lembrança
da tarde onde dorme a criança
Sonhando que a tarde é sua
Vive aqui,vive na lua
Mas olha de longe a rua
Que não sabe aonde vai dar
Criança
À noite vê o claro da lua
A noite os mistérios inflama
E o medo deita em sua cama
Abafando a voz que o chama
Pra avisar que em alguma noite
A sua infância estará distante
E seu choro o tempo desperta
Criança
O tempo tem hora certa
de chegar aonde não se sabe
E parar ao tempo não cabe
E a noite depressa flutua
Nasce o Sol,que espanta a lua
E assim nasce mais um dia
E na rede descansa a criança
À noite,no céu brilhava
Uma estrela de luz amarela
Impossível haver estrela
Que brilhasse mais que aquela
E a noite,escura moldura
Tão sem cor,era aquarela
E eu buscava alguma pista
Que indicasse qual artista
Que criou tão bela tela
Quando chega a luz do dia
Saudades da noite fria
Da noite que permitia
Gostar do brilho que eu via
Essa amiga tão antiga
Estrela da minha infância
Divide comigo a saudade
Comigo divide a distância
Compartilha da tristeza
De não ter mais a esperança
Que eu tinha,quando era criança
Quando a noite,como cortina
Se abria pra bailarina
Na sua amarela dança
vem nevoeiro,tudo abarca
apaga marcas,parcas lembranças
anuviadas,de cegas vistas
pistas deixadas varrendo rastros
mastros sumidos da vista ao longe
que não guardaram lembranças minhas
agora eu olho para o Sol
para imprimir a sua imagem
como a atestar sua passagem
e lá se vão as alcatéias
que dominaram tantas vidas
além das que abreviaram
fechei meus olhos,já me deixaram
termina sonho,começa vida
está num ponto em que é dividida
onde começa a eternidade
também terminam as ilusões
sou figurante em meu próprio sonho
ao qual sonhei por vontade alheia
testemunhando algo sem tamanho
sob meus pés não existe areia
não há mais mundo,não há mais nada
só o julgamento de um crime antigo
não ganho nada,sequer castigo
agora eu olho para o Sol
para imprimir a sua imagem
como a atestar sua passagem
tão distante quanto o monte
que se perde no horizonte
presente no vapor
aonde o céu encontra o mar
o vento que carrega
a nuvem do seu pensamento
que vive no momento
mais distante que lembrar
lembrar que é tão florido
seu passado colorido
saber que é menos triste
recordar erro recente
que o tempo de vitórias
que não vão jamais voltar
do tempo tão contente
quando não tinha correntes
capazes de impedir
o seu desejo de voar
voar pro seu futuro
preso no seu quarto escuro
cercado pelo muro
que você fez levantar
Dez vezes eu tentei
nove vezes me iludi
oito vezes perdoei
sete vezes desisti
seis vezes eu errei
cinco vezes me enganei
quatro vezes eu chorei
em três vezes ninguém viu
duas vezes eu morri
uma vida só vivi
Tem horas em que o infinito
responde com um monte de "nadas"
devido à natureza de perguntas
querendo ouvir respostas sobre coisas
que apesar de nunca terem estado juntas
estão e estarão eternamente
intrinsecamente relacionadas
apesar de parecer que perguntei em vão
estes "nada" de repente
elucidam-me a questão
talvez você entenda
talvez não
talvez você esteja distraído
pode ser que esteja atento
não faz mal
não é todo mundo que me entende
quando transcrevo
As palavras que ouvi do vento.
Bailarina aparece-me em sonhos
flutuando me mostra sua dança
vem dançar cá, na palma da mão
eu não sei como e se cansa
de trazer-me esta curta alegria
vem fazer rir meus olhos tristonhos
anuncia a chegada do dia
mais um dia a viver de saudade
eu queria poder te dizer
é tão linda esta nossa amizade
alivia a pena de existir
bailarina, porque tens que ir?
eu te espero outro dia surgir
passa a vida, não passa tua idade
vem menina, vem me fazer rir
hei te te esperar na noite que anteceda
o dia da hora de partir
pra um lugar que não tenha mais nada
nada além de um sorriso de fada
A voz do povo não é e nunca será a voz de Deus. A voz do povo escolheu Barrabás à Jesus.
As pessoas se reúnem em assembleias para errar juntas e poder culpar umas às outras mais tarde, eximindo-se assim da própria responsabilidade. Uma pessoa é uma pessoa, fuja das multidões. O anonimato é o refúgio dos covardes.
Fechei meus olhos para não chorar
chorei pra dentro sem ninguém ver
as lágrimas escondidas
são sempre as mais sentidas
menos acreditadas
e apesar de ter chorado
sou eu quem precisa perdoar
Não creia no político que apregoa a própria honestidade, no atleta que exalta seus próprios feitos, no policial que elogia sua própria coragem, no ladrão que se orgulha da própria astúcia, na mulher que propagandeia a própria virtude, no amigo que lhe garante a própria amizade, no homem que fala bem de si mesmo. Qualidades verdadeiras existem sem saber seu valor, são o que são simplesmente pelo fato de existirem, não pedem nada em troca. Quando alguém lhe disser que tem a mente aberta, com certeza você não vai encontrar nada lá.
Em vez de viver minha vida
eu passo o tempo procurando
dizer o que nunca foi dito
fazer o que não pode ser feito
encontrar o que o tempo esqueceu
desvendar o que a vida escondeu
procurar o que é preciso perder
em vez de viver simplesmente
quero entender o que aflige tanto a gente
e consertar o que incomoda tanta gente
desativar o que controla tantas mentes
falar, onde o tempo se cala
desamarrar onde a corda prende
dormir, enquanto o mundo acorda
discordar quando você concorda
caminhar enquanto a Terra se abala
calar, sempre que o Mundo fala
ouvir, sempre que um mudo cala
Lembrar, no lugar de esquecer
morrer ao invés de viver
Um dia você descobre
que a vida não foi à toa
e que, apesar de não ser tão boa
não há dor que não se cure
não há dor que pra sempre dure
e que, infelizmente
não existe dor que não doa
o que existe realmente
é dor que se sente à toa
tem a dor que te consome
e a dor que sem pena te rói
mas a dor menos amena
é a dor que apesar de ser dor
você nunca sabe onde dói.