Palavras doces e lindas, ditas com formalidade e cuidado, não são, literalmente, antônimas de falsidade. Alguns palavrões são muito mais sinceros e verdadeiros do que inúmeros vocábulos harmoniosos aos ouvidos que escondem atrás de si toda uma enorme hipocrisia.
Frases de Dhieferson Lopes
267 frases
A realidade de pensamentos originários do senso comum é alarmante e evidente em nosso meio. Em muitos casos - quantia considerável e assustadora - não se pode dizer ao menos que existe pensamento dentre o senso comum. Pensar é uma virtude que todos possuem - alguns de forma limit…
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A realidade de pensamentos originários do senso comum é alarmante e evidente em nosso meio. Em muitos casos - quantia considerável e assustadora - não se pode dizer ao menos que existe pensamento dentre o senso comum. Pensar é uma virtude que todos possuem - alguns de forma limitada -, porém não são todos que a fazem. Tudo que é cômodo, para grande massa, é tido como sendo o melhor caminho, mais prazeroso, por possuir mais facilidades. A alienação se manifesta nesta massa que prefere acreditar, sem questionar, em tudo o que lhe é dita e possui preguiça ou mente atrofiada desprovida do ato de pensar. A sabedoria e a leiguice exacerbada são transmitidas de forma homogênea, todavia captadas de forma dessemelhante. O conhecimento exige do ser a quebra ou abandono, mesmo que temporário, da preguiça para acontecer e refletir através do pensamento. O saber requer comprometimento, assiduidade, perseverança e coragem, características ausentes em grande parte dos seres racionais, o que explica a dicotomia e a divergência entre os sábios e os leigos/alienados.
Pelos olhos contei meus segredos Através dos gestos falei do meu sentimento Com minha boca discursei toda a relevância
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Pelos olhos contei meus segredos Através dos gestos falei do meu sentimento Com minha boca discursei toda a relevância Pela respiração expus minhas emoções Através do abraço exemplifiquei a saudade Com minha língua manifestei o desejo Pelos desenhos que o meu rosto faz eu demonstrei o ciúme Através do calor corporal expressei o afeto Com o toque disseminei o prazer Com todo meu corpo falei Mas tudo foi em vão Ele desconhecia a língua do amor.
Eu a vi abdicar seus anseios para suprir as minhas vontades. Ela negava os seus desejos para proporcionar-me o contentamento. Aquela mulher, constantemente, de tudo fazia para ver meus lábios desenharem um sorriso. Minha mãe deu-me os primeiros contatos ao amor – a versão mais af…
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Eu a vi abdicar seus anseios para suprir as minhas vontades. Ela negava os seus desejos para proporcionar-me o contentamento. Aquela mulher, constantemente, de tudo fazia para ver meus lábios desenharem um sorriso. Minha mãe deu-me os primeiros contatos ao amor – a versão mais afável, condescendente, admirável e grandiosa, um sentimento quase palpável. Quando o meu afeto para com alguns colegas vizinhos e da escola evolucionou, uma vertente pura e doce do amor eclodiu. Nomeados como amigos, aqueles indivíduos engrandeceram-me. Trouxeram-me confiabilidade e companheirismo. A companhia deles já era o bastante para o despertar da felicidade. Minha adolescência mostrou-me uma nova vertente do amor. Esta se manifestou por alguém fora do meu âmbito familiar. Sufocamentos demasiados, suspiros intensos, batimentos cardíacos acelerados, ciúmes incoercíveis, risos soltos e incontroláveis eram alguns dos sintomas que esta recente revelação trazia. A vontade de crescer enquanto ser humano e o talante de fazer o outro feliz me dominavam. Meu repertório pessoal fora crescendo. Modos de defesas foram surgindo, causados, especificamente, pela não correspondência, por outros, ao meu sentimento. O amor havia se tornado minha concepção absoluta, o resto se pusera como elementos secundários, coisas levadas pelo vento e exterminadas pelo tempo. O amor é minha lei primordial. Ele estivera junto a mim desde os meus primeiros passos de vida, permeando por todo meu processo evolutivo, e assim permanecerá até quando algum vestígio meu existir.
“Um amor desigual àquele que se manifesta entre os heterossexuais não é natural.” Esse foi o caminho mais simples, encontrado pelos leigos, para definir o que as línguas não conseguem pronunciar e o que as palavras são incapazes de exprimir.
Acabo de ver um homem e uma mulher de mãos dadas na rua. Que pouca vergonha! Não há como exigir respeito quando se age com desrespeito perante a sociedade. Esses heterossexuais passam dos limites. Tudo bem ser um, mas ninguém precisa saber. Estão pedindo para apanhar. E, ainda, d…
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Acabo de ver um homem e uma mulher de mãos dadas na rua. Que pouca vergonha! Não há como exigir respeito quando se age com desrespeito perante a sociedade. Esses heterossexuais passam dos limites. Tudo bem ser um, mas ninguém precisa saber. Estão pedindo para apanhar. E, ainda, depois que são espancados saem a dizer por aí que foi por causa de heterofobia. Para eles tudo agora é heterofobia.
Existe algo em você que me modifica. O corpo junto a alma são como um fruto. O corpo, o externo, é a casca, a parte mais vulgar. No interior concentra-se o espírito, o apreciável, o componente mais valioso. Estar ao seu lado e escutar as coisas que você diz fazem minha alma trans…
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Existe algo em você que me modifica. O corpo junto a alma são como um fruto. O corpo, o externo, é a casca, a parte mais vulgar. No interior concentra-se o espírito, o apreciável, o componente mais valioso. Estar ao seu lado e escutar as coisas que você diz fazem minha alma transpor. Vivo próximo ao surreal e distante de qualquer realidade que possa levar-me ao fim.
Deito na cama com os braços e pernas esticados em direções opostas. Formo com o corpo o desenho da antepenúltima letra do alfabeto. Sinto um formigamento na ponta de cada um dos meus dedos, como se meu interior estivesse saindo através das extremidades das minhas unhas. Encontro-…
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Deito na cama com os braços e pernas esticados em direções opostas. Formo com o corpo o desenho da antepenúltima letra do alfabeto. Sinto um formigamento na ponta de cada um dos meus dedos, como se meu interior estivesse saindo através das extremidades das minhas unhas. Encontro-me no vácuo, sem o meu espírito, vazio como o nada, assustadoramente oco. Vejo minha alma a me observar, flutuando próxima ao teto do meu quarto. Ela me fala das suas frustrações, do quão pequeno é o espaço para ela viver, das imensas limitações impostas pelo sistema vil e comprometido criado pelos indivíduos terrestres. Conta-me sobre a liberdade, desconhecida por praticamente toda a massa. Ela ri sarcasticamente e faz cara de decepção ao falar sobre as pessoas que se julgam libertas, quando estão a viver reféns de padrões estéticos; obrigadas a seguirem um modelo definido como certo; estagnadas às normas do capitalismo; presas aos conceitos e aos dogmas incodizentes aos anseios mais puros de seus instintos. Chora por viver junto à suas semelhantes que, talvez, morrerão sem descobrir essa vertente crucial da vida e ao mostrar suas asas estendendo-me a sua mão para levar-me a liberdade. O despertador anuncia o nascer de mais um dia, é hora de acordar.
Sentimentos parciais trazem-me abnegação. Indivíduos vazios despertam-me pena excessiva, me causam repulsa. Pessoas, emoções, sensações, e outra infinidade de aspectos fracionados não me fazem vivo, não me cativam, não me animam, são incapazes de instigar em mim qualquer migalha…
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Sentimentos parciais trazem-me abnegação. Indivíduos vazios despertam-me pena excessiva, me causam repulsa. Pessoas, emoções, sensações, e outra infinidade de aspectos fracionados não me fazem vivo, não me cativam, não me animam, são incapazes de instigar em mim qualquer migalha de interesse.
Gosto de amores veementes que não medem esforços para a prática de amar. Apaixono-me por amores loucos, inibidos, que tomam quaisquer atitudes, provindas do montante de sentimento, sem importarem-se com os possíveis efeitos causados nos outros. Encanto-me e extasio-me por amores…
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Gosto de amores veementes que não medem esforços para a prática de amar. Apaixono-me por amores loucos, inibidos, que tomam quaisquer atitudes, provindas do montante de sentimento, sem importarem-se com os possíveis efeitos causados nos outros. Encanto-me e extasio-me por amores que se expandem naturalmente pelo espaço, a atravessar os limites do corpo humano e invadir as fronteiras desconhecidas. Fascino-me por amores que não divulgam a existência do amor, mas que expõem, inconscientemente, o sentimento através do modo que os gestos naturais – tocar, olhar e falar – são transmitidos.
A anormalidade sofre conturbações no seu significado. Sua definição, por interferência dos leigos, adquiri um novo conceito, errôneo por sua vez . A expressão verídica e singular da personalidade do indivíduo é encarada pelo senso comum como aberração - para esta fração da socied…
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A anormalidade sofre conturbações no seu significado. Sua definição, por interferência dos leigos, adquiri um novo conceito, errôneo por sua vez . A expressão verídica e singular da personalidade do indivíduo é encarada pelo senso comum como aberração - para esta fração da sociedade nada pode fugir dos protótipos criados por ela. Intitulam-se como certos apenas por reproduzirem um modelo padrão de características pessoais, exercida por grande percentual dos indivíduos. Portadores de um pensamento homogêneo e desprovidos da ousadia de construir e/ou expor seu verdadeiro eu são incapazes de enxergar que são os próprios doentes do meio pelo qual vivemos.
A alma é habitada por formas benignas e malignas que vivem a lutar por conquistas de maior espaço. Estas batalhas afetam a mente que, por sua vez, reflete, de imediato, respostas às partes físicas do corpo.
Lutar e persistir às lagartas é necessário para chegar até as borboletas.
A liberdade é frágil, escassa entre os humanos, sensível e delicada, fácil de perder. Muitos já nascem estagnados, presos a uma realidade onde a liberdade não existe. Outros, no decorrer da vida, adotam e adaptam-se a costumes, a condições e a comportamentos impostos por clãs, gr…
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A liberdade é frágil, escassa entre os humanos, sensível e delicada, fácil de perder. Muitos já nascem estagnados, presos a uma realidade onde a liberdade não existe. Outros, no decorrer da vida, adotam e adaptam-se a costumes, a condições e a comportamentos impostos por clãs, grupos e sociedades por uma infinidade de motivos - aceitação, suposta salvação, exibicionismo, conquista de algo ou alguém, dentre outros mais fúteis. Muitos seres humanos são incapazes de aproveitar a vida, mesmo cientes de que esta é única, em virtude do medo do julgamento de terceiros ou até de supostas leis superiores que, no que lhe diz respeito, não possuem uma veracidade convincente e provável. Desde que surgira, o universo possui uma jornada imensa. Muitas pessoas, iguais a nós, documentaram relatos e alteraram outros já escritos. Seja quem for o nosso Criador, Esse não nos pusera aqui para vivermos condicionados às normas, criadas por outras criações, que impedem a nossa vivacidade. Ele não criara filhos para viver a temer ou com receio de agir conforme sua real personalidade. O Criador não fizera uma criatura para viver infeliz ou para deixar de fazer qualquer coisa que amplificasse a própria alma, desde que não afete outras criações e não infrinja Sua lei. O único mandamento convicto, neste mundo que habitamos, é o amor e tudo aquilo que provém de benigno deste sentimento celeste.
Concepção alheia: você aceita, respeita ou propaga ira? A verdade é múltipla, diversa e divergente. O processo de aceitar/respeitar as concepções de vida heterogêneas está envolto a uma complexidade que se intensifica ao modo mantido pelo senso comum. A aceitação de pensamentos,…
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Concepção alheia: você aceita, respeita ou propaga ira? A verdade é múltipla, diversa e divergente. O processo de aceitar/respeitar as concepções de vida heterogêneas está envolto a uma complexidade que se intensifica ao modo mantido pelo senso comum. A aceitação de pensamentos, formas de vida e posicionamentos opostos não é tão necessária quanto o ato de respeitar. A compreensão de conceitos desiguais aos que possuímos exige um pensar profundo, um desapego às noções que nos confortam e às convicções que possuímos. Porém o respeito é primordial para que o relacionamento humano seja saudável. O ato de respeitar não inclui, necessariamente, o entendimento, ou o tentar entender – para isso é essencial um estudo do desconhecido –, tampouco a inserção das verdades pessoais. O entendimento da diversidade humana carece de uma análise intrínseca, uma exploração veemente dos registros que permeiam o âmbito. Para que haja o respeito não é preciso impor explicitamente o que pode ser certo ou errado. A aplicação, verbal ou escrita, do que vem a ser o correto ou incorreto afeta e influencia mentes não desenvolvidas o suficiente para corrobar, processar e pensar de forma crítica. O estabelecimento do que pode vir a ser incerto, oriundo da avaliação individual, gera transtornos, conflitos, ódio e, até mesmo, a morte, o que se impõe inteiramente ao respeito. Respeitar é diferente de expor uma opinião pessoal, especificamente quando essa exibe vertentes que sustentam e disseminam o ódio.
O ato de julgar o próximo apenas define aquele que o faz.
Liguei para a mãe de Gabriel, apenas para saber como ele estava a se passar. Chateado com as minhas atitudes, ele pôs-se a rejeitar todas as minhas mensagens e ligações, depois do nosso término. Dona Virgínia, calma e atenciosa como sempre, disse-me que seu filho passava bem, que…
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Liguei para a mãe de Gabriel, apenas para saber como ele estava a se passar. Chateado com as minhas atitudes, ele pôs-se a rejeitar todas as minhas mensagens e ligações, depois do nosso término. Dona Virgínia, calma e atenciosa como sempre, disse-me que seu filho passava bem, que estava trancado no quarto escutando músicas no volume máximo – esse era um de seus lugares e momentos prediletos. Porém eu não ouvi nenhum ruído de guitarra provindo dos rocks preferidos de Gabriel. Meus amigos, conhecidos e toda aquela gente que gostava de falar da vida alheia já haviam comentado: Gabriel já estava saindo com outro. A senhora Virgínia apreciava muito a nossa relação, e talvez tivesse medo de comentar algo com receio de que eu me afundasse em depressão profunda, pulasse da janela do meu quarto, saísse a gritar pela rua, chorasse em frente à sua casa, dentre outros que apenas um homem exagerado como eu era capaz de fazer. Uma absoluta certeza gritava a me dizer que Gabriel estava bem, que já tinha outro. Eu só não queria acreditar. Eu tinha um manual de instruções fixado à minha mente, sabia todo o funcionamento do meu ex-namorado. Ele estava muito distante de mim, seu silêncio não costumava remeter às coisas boas. Ex-namorado, como era difícil aceitar isso, meu consciente negava-se a concordar com esse estado, meu pensamento esperneava como as crianças mimadas fazem ao receberem negações em público de pais que não sabem dizer não. Vi o carro de Gabriel passar pela rua, ao seu lado um jovem circundava seu braço esquerdo por trás de seu pescoço, acariciando de leve o seu ombro. Agradeci com voz trêmula. Desliguei o telefone. Olhei para o chão com intuito de achar algo que prendesse minha atenção. Observei por todos os lados, mas não tinha ninguém para dar-me a mão. Busquei alguém para abraçar, mas não tive êxito. As lágrimas molharam o meu rosto. Chorei sem disfarçar. Eu tentava conter os soluços, porém eles pulavam como se estivessem ali dentro de mim por três gerações. Fiquei desnorteado, perdi o caminho de casa. Imaginei todo o meu amor e como ele era pouco, insuficiente ou incompatível a Gabriel. Qual a razão de desenvolver ou de ter um sentimento tão grande a alguém que não corresponde ou que o desdenha sem, ao menos, sentir dor? Tropecei em um degrau que havia surgido do além- talvez o chão me amasse, pois ele persistia em sentir meu corpo sobre ele, sempre que podia. Apoie-me no poste. Andei sem direção e sentei-me na beira da estrada. Desejei que minhas lágrimas fossem meu amor para com Gabriel, almejei que ele estivesse saindo de mim. Todavia não era simples assim, o amor estava ali, ele vivia em mim. Talvez eu não soubesse amar. Talvez minha mãe estivesse certa. Ainda que eu desconsiderasse a opinião da minha mãe a esse assunto. Mamãe, naquela época, não tinha digerido a história de que seu filho caçula andava a beijar outro rapaz. No primeiro momento ela não se importou tanto com a minha sexualidade polêmica, mas sim com que dona Maria dizia, o que o senhor Francisco pensava, o que tio Paulo comentava, e o todo o resto dos familiares e a vizinhança, assim como muitas mães de filhos como a mim fazem – a mania ridícula que muitos seres humanos possuem de dar relevância aos dizeres alheios. Porém todas as teorias caminhavam em sentidos opostos. Até as revistas de previsões diziam o contrário – mesmo sem acreditar nelas, eu pus-me a pesquisá-las. Eu sentia um exercito contra a mim, praticamente todos julgavam meu amor a Gabriel como uma obsessão. Falavam por toda a parte que eu o amava mais do que necessário, mais do que a mim mesmo. Diziam que para amar o próximo carecíamos, posteriormente, possuir o amor próprio. Quando despejavam essa avaliação sobre mim eu sempre recordava da história de Jesus. Jesus morrera na cruz por muitos, até mesmo àqueles que ele não conhecia. Ele amou muito mais aos outros do que a si mesmo. Seria certo dizer que o indivíduo só é apto a amar o outro caso ame-se mais? Todo aquele montante de sentimentos vinha de um lugar desconhecido, onde as palavras tornavam-se indizíveis e inaptas a explicar. Ninguém igual a mim, minha mãe, meu pai, fulano, ciclano, beltrano, poderia afirmar com convicção que o meu sentimento não era amor. Nenhum indivíduo possui propriedade para definir um modelo do que pode, ou do que vem a ser o amor. O mundo guarda elementos inexplicáveis, incapazes de serem explicados por humanos, coisas que nem mesmo a ciência é habilitada a designar. Aquele dia eu observei a noite se desfazer diante dos meus olhos. Gabriel não ficara com aquele rapaz. Ele partiu para o exterior dois anos após o fim do nosso vínculo. Eu busquei esquecê-lo, destruí todas as nossas lembranças físicas. Mudei de cidade. Casei com Davi aos trinta e quatro anos, amava-o muito, mas não tanto quanto amara Gabriel. Meu amor sempre esteve vivo, mesmo que estivesse guardado no meu profundo. Qualquer recordação, que vinha de modo irreprimível e involuntário, fazia meu coração pulsar e minha alma vibrar à caça dele. Eu pensei em Gabriel até o último dia que se fiz presente aqui na Terra. Até o meu derradeiro suspiro, os meus lábios soletraram o seu nome. Um verdadeiro amor não se apaga, não deixa de existir com o surgimento de outro, ele toma nossas mãos e nos segue como um fiel companheiro, por toda a eternidade.
Carta de um ex-apaixonado Imune dos teus ataques estou. O conjunto formativo do meu ser criou um escudo imbatível. Ele responsabilizou-se a proteger-me. Em algumas ocasiões posso aparentar ser frio, mas esta é apenas uma resposta automática do meu corpo que visa evitar recaídas.…
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Carta de um ex-apaixonado Imune dos teus ataques estou. O conjunto formativo do meu ser criou um escudo imbatível. Ele responsabilizou-se a proteger-me. Em algumas ocasiões posso aparentar ser frio, mas esta é apenas uma resposta automática do meu corpo que visa evitar recaídas. O amor, próprio e para com os outros, ainda se encontra no meu interior. O fato de você me ignorar já não me faz sofrer noites de ansiedade, meus pés não soam demasiadamente, como antes, a espera de uma resposta sua. Sua frieza já não me arranca lágrimas. A sua ausência deixou de me causar dores internas. Meu corpo aprendeu a comportar-se no mundo sem o seu do lado. Você trouxe a mim outra concepção do uso do amor para com indivíduos frios. Deixei de me portar como quando me conhecera. Pensava eu que aqueles incapazes de corresponder um amor e/ou exageradamente insensíveis não carecessem de amor. Todavia eu estava equivocado, eles necessitam muito mais de amor que os demais, eles não sabem o que é esse sentimento, estão estagnados às geleiras contidas em suas almas, desconhecem o calor e a vivacidade proporcionados pelo amor. Mesmo após ter a ciência que você precisava extraordinariamente de amor, ainda assim, eu decidi afastar-me de você. Cresci enquanto habitante deste mundo de errantes. É natural procurar seres evoluídos quando nos elevamos como ser humano. Cansei de transbordar amor pelos poros e permitir percorrer sentimentos benévolos pelo meu corpo aos inaptos a corresponder tamanha magnificência. Ignorar não faz parte de mim, ainda lhe tratarei como alguém valioso. Porém você jamais terá o que um dia fora capaz de receber da minha pessoa.
A água cai do chuveiro até atingir as minhas costas e percorrer as curvas do meu corpo. Olho até o líquido no chão que segue para o ralo. Ao entrar em contato com a minha pele, a água assume tons distintos. As cores diversificam-se conforme meu estado. O líquido é tingido pelas m…
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A água cai do chuveiro até atingir as minhas costas e percorrer as curvas do meu corpo. Olho até o líquido no chão que segue para o ralo. Ao entrar em contato com a minha pele, a água assume tons distintos. As cores diversificam-se conforme meu estado. O líquido é tingido pelas minhas emoções, ele sofre metamorfose ao tocar e correr pela minha pele que exala uma porção demasiada de sentimentos. A raiva faz a água contrair um tom vermelho sangue, a luz do banheiro adquire autonomia acendendo e apagando em intervalos incalculáveis. A felicidade gera um líquido verde, um aroma viciante, tranquilizante e sedutor ocupa o pequeno cômodo. O ódio gera uma lama escura, os músculos se contraem, as sobrancelhas tornam-se uma só linha, a locomoção é impossível, a escuridão domina o pequeno cubículo, os olho se tornam incapazes de ver. A água funde-se em tons marrons e cinzas ao deparar-se com a tristeza, o corpo se contrai, a respiração fica ofegante. As lágrimas são incontroláveis pelo consciente, jorram dos olhos como cachoeiras em meio a uma tempestade. O amor transforma o transparente da água em azul reluzente, feito água do mar quando atingida pelo sol de fim de tarde, a água purifica o azulejo tirando a sua cor, focos de luz cintilante saem das paredes,do teto e do piso, o corpo assume uma postura leve, como se não existissem partes palpáveis. A respiração invade o interno, atinge todos os pontos e extremidades do corpo. Minha alma salta, gira freneticamente sem medo de obter lesões ao atravessar, com braços e pernas, as paredes. Um sorriso abrilhanta a minha face, a benevolência domina todos os cômodos da casa. Sou sentimento em carne e osso, meu corpo é um depósito formado para comportar minhas emoções colossais.
Você pode ser hétero, mas não aja como aqueles mais conhecidos. As pessoas não precisam saber da sua heterossexualidade.
Guardo a sensação do seu abraço e do seu beijo em algum lugar dentro de mim. Todas as vezes que eu não me sinto bem, eu a deixo escapar parcialmente para que esta invada o meu redor, acalme meus pensamentos, diminua minha dor e conforte a minha alma. Sigo preservando esse sentime…
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Guardo a sensação do seu abraço e do seu beijo em algum lugar dentro de mim. Todas as vezes que eu não me sinto bem, eu a deixo escapar parcialmente para que esta invada o meu redor, acalme meus pensamentos, diminua minha dor e conforte a minha alma. Sigo preservando esse sentimento que reflete no meu espírito, o máximo que posso, até encontrar-te novamente e preencher o meu reservatório.
Conselhos partem de uma individualidade pessoal. Cada ser humano possui sua particularidade, uma essência única. Recomendações carecem de uma filtragem, uma seleção das coisas ditas, um recolhimento daquilo que suscite efeitos positivos quando inclusos à realidade que nos constit…
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Conselhos partem de uma individualidade pessoal. Cada ser humano possui sua particularidade, uma essência única. Recomendações carecem de uma filtragem, uma seleção das coisas ditas, um recolhimento daquilo que suscite efeitos positivos quando inclusos à realidade que nos constitui. Não há um conselho universal a ser seguido que não sejam a abundância de amor e a escassez do ódio.
A obtenção, o acompanhamento ou o auge do padrão estético de uma época, conhecido como beleza externa, não compensa, não diminui, tampouco inibe, a imundície interior do ser humano.
Palavras podem ter uma multiplicidade gigantesca de significados, mas nenhuma delas é comparável à infinidade de interpretações existente em um olhar.