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Frases de Demétrio Sena - Magé-RJ.

1.828 frases

DELÍRIO OU PROFECIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Quando a sociedade recentemente revelada se assumir dividida entre caças e caçadores - porque o poder há de precisar de seus androides fiéis para entregar cabeças pensantes e desobedientes -, quero de antemão estar entre as caças.
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DELÍRIO OU PROFECIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Quando a sociedade recentemente revelada se assumir dividida entre caças e caçadores - porque o poder há de precisar de seus androides fiéis para entregar cabeças pensantes e desobedientes -, quero de antemão estar entre as caças. Ainda que o poder me fosse grandemente favorável, minha consciência não suportaria que eu fosse um caçador. Com todos os terrores de ser ferido, amordaçado, entregue ao sacrifício, acho bem mais triste caçar, e assim sendo, ter que olhar nos olhos inevitáveis das presas, antes de consumar a maldade legalizada pela tirania oficial. A ser verdugo e vítima dos meus semelhantes, entre os quais alguns afetos, inclusive consanguíneos, prefiro mil vezes ser vítima.

TORÇO CONTRA MIM Demétrio Sena, Magé – RJ. Quero estar enganado;
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TORÇO CONTRA MIM Demétrio Sena, Magé – RJ. Quero estar enganado; ter sido alguém muito injusto; morder a própria língua... Ter uma íngua na consciência. Que tudo isto que olho não seja tudo que vejo, seja só coincidência. Sonho viver sem canga e tirar sempre da manga uma nova poesia, sem explicar aos censores por que tais linhas e cores... por que tal sintonia. Falar de tudo que sinto, sem delatores atentos aos meus universos, não quero volta no tempo em que todo meu tempo foi posse oficial. Eu não serei ser um robô que não terá por direito uma vida pessoal. E quero estar sem razão; me retratar lá fim... Desejo morrer à míngua por cruel penitência, mas aplicada por mim. Que cada um seja um; sejam todos um todo e que sejamos um toldo em uma justa peleja... para ganhar ou perder. Porém ninguém seja escravo dos caprichos e vontades; das verdades do poder.

BOLETO Demétrio Sena, Magé - RJ. Quando a conta chegar, paguemos todos;
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BOLETO Demétrio Sena, Magé - RJ. Quando a conta chegar, paguemos todos; quem a fez, quem não quis ou fez que não; sem o velho sermão do não sabia, do sabia ou da vã neutralidade... Conferir o reflexo do espelho; mensurar passo a passo a caminhada; não há nada que ao tempo se antecipe pra curar o que ainda está por vir... Pagaremos por culpa ou inocência, omissão, comissão, seja o que for, consciência, percalços, dor maior... Ao chegar o boleto só paguemos, pois não temos escolha quanto a isto; já gastamos o Cristo que nos coube...

SONETO SOBRE SER Demétrio Sena, Magé – RJ. É perfeito que haja imperfeição,
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SONETO SOBRE SER Demétrio Sena, Magé – RJ. É perfeito que haja imperfeição, quando nada interfere lá no fundo; no caráter, no próprio coração que parece faltar dentro do mundo... Será pleno quem saiba ser metade, pra que venha caber outra versão, se tiver de aceitar uma verdade onde o pé sentirá faltar o chão... Ilusão é ser cheio de certezas; é tanger e dar nó nas correntezas por sobrar egoísmo tempo afora... Solidão é ter todos em poder da soberba; do medo de perder; de querer ser eterno aqui/agora...

SINTO MUITO Demétrio Sena, Magé - RJ. Será bom pra quem tenha privilégios;
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SINTO MUITO Demétrio Sena, Magé - RJ. Será bom pra quem tenha privilégios; pra quem lustre as botinas do poder; quem se pôs a perder pra ganhar a voz onde o grito intimida os mais pensantes... A vitória será de quem vendeu sua livre vontade; o seu orgulho; se rendeu à preguiça de seguir e deixou que levassem os seus pés... Não aceito vencer passivamente; minha mente não segue a multidão sem achar as razões que me conduzam... Sinto muito por quem triunfará quando a honra estiver desprotegida; nossa vida for posse oficial...

EM CONSERVA Demétrio Sena, Magé - RJ. Vejo dom de visão em muitos cegos
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EM CONSERVA Demétrio Sena, Magé - RJ. Vejo dom de visão em muitos cegos e cegueira nos olhos que só olham; é olhar e não ver que fecha o mundo entre os egos que vivem para si... Corações burocráticos só cumprem uma fria missão percussionista, quando a mente só serve pra manter sua lista específica e formal... Tantas vidas guardadas no formol, quantas almas mecânicas detidas onde o sol do sentido não alcança! São robôs que podiam ser humanos, mas os danos notórios do egoísmo têm mais força que a própria humanidade...

EXPRESSO 666 Demétrio Sena, Magé - RJ. Há um Cristo forjado entre seres de bem;
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EXPRESSO 666 Demétrio Sena, Magé - RJ. Há um Cristo forjado entre seres de bem; uma crista que aguça exaltações febris; um além prometido pra este momento em que todos precisam de alguma miragem... Multidões enaltecem a lenda fugaz; bradam raivas ungidas, fanatismo pátrio; pregam paz e guerreiam redundantemente, por efeito maciço de alguma hipnose... Um rebanho tangido por gritos de ordem; umas tristes ovelhas alegres de tontas; todas prontas pro dia de seus holocaustos... São regidas por ódio e por frases sagradas, vão marcadas pra terem uns dias de glória e depois amargaram seus anos de culpa...

PROPOSTA Demétrio Sena, Magé – RJ. Também sei não ter tempo, às vezes paciência;
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PROPOSTA Demétrio Sena, Magé – RJ. Também sei não ter tempo, às vezes paciência; ser distante, presente, a depender do surto, ter meu curto circuito conforme o capricho, dar os olhos, ouvidos, e depois tirar... Tenho todo poder que se tem de ser vago, de sumir e voltar como quer o meu ego, mas querer que algum prego pendure as esperas pela boa vontade que nem sempre tenho... Só não sei fazer uso dessa pretensão; modelar a meu modo as expectativas do que tenho, não tenho, quando e não pra dar... Sempre vejo pessoas como gente, mesmo; não imponho; proponho minha identidade como toda verdade redistribuída...

VEIAS RECOMPOSTAS Demétrio Sena, Magé - RJ. Hoje sei que vivi; levei meus tombos,
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VEIAS RECOMPOSTAS Demétrio Sena, Magé - RJ. Hoje sei que vivi; levei meus tombos, mas me dei de presente a caminhada; não fiquei sem saber no que daria; minha estrada foi tudo pros meus pés... Dei aos olhos um álbum de paisagens, li o mundo nas linhas, entrelinhas, vi miragens e dei ao meu deserto mais verdade, sentido e direção... Uma vida com muitas quase mortes, muitos cortes e veias recompostas; de respostas temidas; esperadas... Tive todas as vidas, não importa se a porta pro fim já é notória; deixo história que vai além de mim...

PERCURSO Demétrio Sena, Magé - RJ. Quem quiser me laçar terá surpresa,
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PERCURSO Demétrio Sena, Magé - RJ. Quem quiser me laçar terá surpresa, porque sou abstrato, embora tátil; não sou presa; nem fácil nem difícil; nem sou preso a verdades engradadas... Cace ovelhas em outras direções; há um bicho arredio e sem medida, uma vida sem forma, fôrma e bula sob a casca ilusória que revelo... Minha mente não cabe num redil, sou do vento e talvez o próprio vento, quem me viu já não vê momento após... Meu amor e meu ódio são bem meus; venda deus pra quem queira revender; quero sempre o percurso natural...

DO QUE PENSO QUE SEI Demétrio Sena, Magé – RJ. Aprendi a não ser o guardião da vida
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DO QUE PENSO QUE SEI Demétrio Sena, Magé – RJ. Aprendi a não ser o guardião da vida e não ter as certezas que nos equivocam, nos evocam pro salto nesse cais do caos de quem acha que tudo se rende a seu olho... Sei que sei muito aquém do que penso que sei, porém algo; pois nada, só quem não viveu; há um eu razoável curtido em meu peito que não tem pretensão de ser cofre do mundo... A estrada termina para quem chegou; quem é pleno está pronto para ser colhido; tem um show que nos pede para prosseguir... Alcancei a ciência de crer no futuro, meu agora é o escuro sobre o que será, só existe o saber que se constrói sem fim...

VOLTANDO A CHORAR Demétrio Sena, Magé – RJ. Passei muitos anos sem chorar. Sem verter uma lágrima; fosse de alegria, tristeza, dor. Era um ser humano impassível por fora. Cheio de sentimentos; ressentimentos; emoções contraditórias; porém, sem pranto.
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VOLTANDO A CHORAR Demétrio Sena, Magé – RJ. Passei muitos anos sem chorar. Sem verter uma lágrima; fosse de alegria, tristeza, dor. Era um ser humano impassível por fora. Cheio de sentimentos; ressentimentos; emoções contraditórias; porém, sem pranto. Quando minha mãe morreu, a maior dor que já senti foi também minha cura. Rachaduras imensas se abriram dentro de mim, para que o Velho Chico acumulado em minh´alma entornasse todo. Fiquei surpreso comigo, ao recuperar a capacidade perdida. Sabia que não me tornara desumano, mas criara uma casca bruta, grossa e destruidora para o meu ser, que definhava dentro do corpo. Naquele momento, eu chorava copiosamente pela mãe que tanto fiz chorar quando saí de casa. Quando fui conhecer o mundo e a fiz andar por longo tempo em meu encalço, numa luta insana para me acompanhar sem ser percebida. Para saber com quem eu andava. Quem me acolhia e dava guarida. Sobretudo, para não me perder de vista e ao mesmo tempo não negligenciar meus oito irmãos. Chorar a morte de minha mãe foi reencontrar minha humanidade. Fazer voltar ao âmago meu eu perdido. Esquecido entre os escombros da primeira infância triste, reprimida e de violência paterna, que depois virou abandono paterno e obrigou a todos nós – meus irmãos, nossa mãe e eu – lutar com unhas e dentes contra um mundo que não nos deu moleza. Uma vida que nos testou muito além dos limites. Mas vencemos. Foram muitos anos, e muita gente pensou que não sobreviveríamos, mas vencemos. E a minha mãe – nossa mãe Maria de nove santos demônios revoltados por todos aqueles anos de muitas privações e quase nenhuma esperança – nunca esmoreceu. Nós os filhos, muitas vezes esmorecemos; porém ela juntou filhos, mundo e vida, carregou a todos nas costas, no colo e no coração, sempre que os nossos passos cederam ao peso de uma realidade que fechava todos os horizontes. Depois que minha mãe morreu virei manteiga derretida. Não por coisas grandiosas nem emoções criadas para fazer chorar, mas por sutilezas. Delicadezas entranhadas nas brutalidades do mundo e percebidas por mim, que aprendi a percebê-las. Vira e mexe um acontecimento sutil, de significado ou ressignificado discreto me arranca lágrimas também discretas, e às vezes, até nem tão discretas. Mesmo na hora da morte, minha mãe fez algo tamanho por mim. Ela me curou de não chorar. Devolveu minha percepção emocional. Fez-me rever a vida pelo prisma da simplicidade, o valor do afeto, a beleza em nuances e o quanto precisamos uns dos outros, quer sejamos família, familiares, amigos, colegas, vizinhos e até conhecidos de nos cruzarmos nas ruas em direção à padaria. Só tive, pela vida inteira, motivos para ser grato à nossa mãe. E à vida, com todas as pedras no caminho, por todos nós, os nove, sermos cheios de graça, porque somos filhos de Maria... de Maria do Mundo.

LETRA NOVA PARA UMA VELHA CANÇÃO Demétrio Sena, Magé – RJ. É tanto pranto
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LETRA NOVA PARA UMA VELHA CANÇÃO Demétrio Sena, Magé – RJ. É tanto pranto para chorar, que é como ter um mar em mim... Guardo as águas de muitas mágoas; dor sem fim. Em minha estrada sem horizonte, não acho ponte pra outro amor... Morro aos poucos, na solidão dessa dor. Estou sem céu, sem lua, estrelas, meu caminhar é infinito... Abafo angústias e meu silêncio devora o grito. Nem mais espero a quem amar como te amei num tempo findo... Já não vivo, percebo apenas que vou indo. Agora eu sei, não há no mundo um sentimento mais denso e fundo... Este amor é minha sorte; vida e morte.

DECISÃO Demétrio Sena, Magé – RJ. Quem tem apego à existência, sente a dor sem sentir doer o bastante para levá-lo a desistir. Chora sem lamúria e não deixa que a doença o adoeça. Que a própria solidão o torne alguém irremediavelmente só. Muito menos que a morte o acometa por t…
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DECISÃO Demétrio Sena, Magé – RJ. Quem tem apego à existência, sente a dor sem sentir doer o bastante para levá-lo a desistir. Chora sem lamúria e não deixa que a doença o adoeça. Que a própria solidão o torne alguém irremediavelmente só. Muito menos que a morte o acometa por toda a sua vida. Viver bem tem muito a ver com abrir mão de qualquer grau de autopiedade. Com nunca se abandonar por nada e ninguém. Isso ocorre quando passamos a não deixar que o sofrimento seja, exatamente, um sofrimento para nós. A vida é uma decisão que precisamos tomar.

MAL CONTRA O MAL Demétrio Sena, Magé - RJ. Somos meros recrutas de forças insanas;
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MAL CONTRA O MAL Demétrio Sena, Magé - RJ. Somos meros recrutas de forças insanas; que se doam por nada e se acreditam nobres; gastam pobres verdades que nunca têm troco, mas insistem no erro dessa escravidão... Temos voz reprimida que a caverna engole, não dá eco, reflexo nem esperança, só a dança do engodo numa canção muda que não toca os ouvidos dos donos da terra... É assim quando somos pregões dos poderes; coroamos heróis que se auto nomeiam e recheiam de sombras toda boa fé... Serão sempre frustradas as nossas apostas ou as armas expostas com que nos perdemos alistados na guerra do mal contra o mal...

TELHADO DE VIDRO Demétrio Sena, Magé - RJ. Ter algumas manias ou esquisitices pessoais que facilmente seriam condenadas nos meios em que vivo e frequento, faz de mim um ser humano menos pior em relação ao próximo. Sublinha em meu consciente o sentido real daquelas máximas como…
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TELHADO DE VIDRO Demétrio Sena, Magé - RJ. Ter algumas manias ou esquisitices pessoais que facilmente seriam condenadas nos meios em que vivo e frequento, faz de mim um ser humano menos pior em relação ao próximo. Sublinha em meu consciente o sentido real daquelas máximas como "quem sou eu para julgar". Quando a "Rádio Amizades", a "Rádio Empresa" ou a "Rádio Família" difunde certas pessoalidades de um membro, em tons de sensacionalismo e condenação, estou sempre desarmado e pronto a entender, não porque sou melhor, mas exatamente por não me sentir em condições de fazer julgamento e dar veredito. É claro que me refiro ao que não seja crime nem atente contra direitos públicos, individuais, a fragilidade ou a inocência de alguém. Nestes casos, o meu primeiro pensamento é autoavaliativo e com viés inalienável para a seguinte comparação: "Se ele (ou ela) é desta ou daquela forma em sua individualidade, sou daquela ou desta desta forma em minha individualidade; logo, meu telhado é de vidro. Se eu não atirar a minha pedra, será menos uma pedra para, lá na frente, ser também atirada em mim". Tenho pavor da ideia de me flagrar infectado pela mais ínfima ilusão de ser perfeito; melhor do que meus iguais. A consciência de ser alguém condenável para os milicianos da pureza e da rigidez de comportamento individual tira um grande peso dos meus ombros. O peso da hipocrisia.

NOSTALGIA PATERNA Demétrio Sena, Magé – RJ. - Saudades de você, minha filha.
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NOSTALGIA PATERNA Demétrio Sena, Magé – RJ. - Saudades de você, minha filha. - Ué, pai; mas estou aqui todos os dias. Que história é essa? - Saudades de você na cadeirinha da bicicleta. Pedindo para ver canoas no Rio Suruí. Feliz da vida com um presentinho de nada. Chorando porque me ouviu dizer, de brincadeira, que trocaria nossa casinha humilde por uma mansão. Dando gargalhadas gostosas por qualquer brincadeirinha boba. Deitada na rede, lendo livrinhos infantis. Pulando no upa-upa. De olhinhos arregalados, ouvindo minhas histórias. Dormindo ao som das musiquinhas que fiz para niná-la. Gostando de ser chamada de molequinha. - Ih, pai; por que esse papo agora? Já acabou? - Não, filha, tem mais... - Mais o quê, pai? - Saudades de quando você não perguntava “que história é essa”... nem dizia “ih, pai; por que esse papo agora?”. - O que mais, pai? - Já terminei. Agora o beijo de boa noite. - Tá bom; pai. Beijo. Boa noite.

SER ALGUÉM Demétrio Sena, Magé - RJ. Que mais quero do mundo é ser mesmo do mundo;
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SER ALGUÉM Demétrio Sena, Magé - RJ. Que mais quero do mundo é ser mesmo do mundo; ter os pés na poeira, no sonho e nas nuvens, pra caber no sentido de suas verdades ou no fundo real das mentiras que lavro... Quero ser o que sou na magia do estar, conhecer meus espaços, poder preenchê-los, pra restar de mim mesmo a cada sensação de vazio insondável que o tempo me causa... O que mais me preenche nos vácuos da vida é levar a certeza de que nada é certo, mas que toda incerteza nos conduz além... Ser alguém me provoca, não posso insistir em querer desistir quando tudo é pesado para os ombros da alma que leva o meu corpo...

HOMEM DE RUA Demétrio Sena, Magé - RJ. É na rua que a vida se anuncia
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HOMEM DE RUA Demétrio Sena, Magé - RJ. É na rua que a vida se anuncia triste ou plena; de luz e sedução, mas não perde os contornos de magia da certeza que cede à dedução... São as ruas que acendem mais o dia, mesmo sob a mais funda solidão, quando a hora parece mais tardia do que aquele pecado sem perdão... A minh´alma se afoga e logo volta, pela força do amor e da revolta que me fazem ter fome da verdade... Quero a rua e preciso do seu colo, só nas ruas consigo encontrar solo pra plantar e colher identidade...

REMUNDO Demétrio Sena, Magé - RJ. Começar novamente; renascer do fim;
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REMUNDO Demétrio Sena, Magé - RJ. Começar novamente; renascer do fim; desenhar outro mapa e recompor os passos; é assim que me levo, me deixo e costuro nos espaços que o mundo apresenta e propõe... Foram tantos os fins, tantas mortes vividas, tantos tombos,levantes e sonhos refeitos, que vi mortes, vi vidas em moinho e série a tal ponto que nada será novidade... Reestar e resser fazem parte de mim; sei dizer sim ou não, só não sei não dizer, não agir e fazer o que a vida provoca... Resgatei mil verdades; repintei o fundo; dei um novo sentido ao repor o cenário; há um mundo que gira, sem gíria e figura...

PÁTRIA NADA BRASIL Demétrio Sena, Magé - RJ. Seguirão desatentos, fiéis e tristonhos;
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PÁTRIA NADA BRASIL Demétrio Sena, Magé - RJ. Seguirão desatentos, fiéis e tristonhos; nada mais os desperta e provoca sentidos; são robôs desarmados de visão e sonhos, que se pensam completos, mas estão partidos... Servirão ao poder, faça ele o que faça; não importa que o próximo sofra com isto; sacrificam afetos no fogo da praça, se lhes for ordenado pelo novo Cristo... Cumprem ordens expressas de nada e ninguém, obedecem aos gritos que julgam de além, mas que nascem da raiva generalizada... Tinham Deus, mas agora escolheram ter dono; já não olham pro céu, se renderam ao trono duma pátria perdida com vista pro nada...