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Frases de Demétrio Sena - Magé-RJ.

1.828 frases

HORA AGÁ Demétrio Sena, Magé - RJ. Ela me aceitava surpreendentemente, sem nenhum preconceito nem reserva, como eu sempre lhe dizia que sou. Só não estava preparada para constatar que realmente sou como dizia.
VERSOS COR DE ROSA Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho dedo certeiro pra feridas,
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VERSOS COR DE ROSA Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho dedo certeiro pra feridas, mesmo quando não sei seus endereços, quando as vidas escondem os indícios entre panos de calmas ilusórias... Trago a sina de acertos no que dói, sem saber como sei, só sei que sei, de qual lei me revisto e sou tão duro sob a capa sensível de poeta... Meus poemas desossam existências, têm machados precisos e solenes, consistência e projetos de tortura... Sou a força macabra em tom de anjo, pois esbanjo verdades carniceiras embrulhadas em versos cor de rosa...

SOBERANA SOLIDÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Solidão enche a casa; o domicílio;
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SOBERANA SOLIDÃO Demétrio Sena, Magé - RJ. Solidão enche a casa; o domicílio; toma os ares de parede a parede; desde a rede à cadeira de balanço, desde os cílios à tela da tevê... Reina sobre a pequena multidão que se junta no sonho de vencê-la, passa pela conversa coletiva e se une à fumaça do churrasco... Ela dança nas músicas batidas, nas bebidas que rasgam as gargantas, nas bravatas, nos risos e piadas... Ninguém pode vencer a solidão quando a casa em questão é só a casa; domicílio; não propriamente lar...

POEMA & POESIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho tanto a gritar, fazer protesto,
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POEMA & POESIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho tanto a gritar, fazer protesto, que me deixo esquecer do que faz bem, do que vem escondido sob as farpas ou no trem das verdades doloridas... Trago tantos espinhos entalados, tanta pedra nos rins das esperanças, a tal ponto que as flores não importam; meus estados não sentem seus perfumes... E assim muitas vezes não decanto todo encanto que a vida proporciona e não cobra direitos autorais... Elimino as crianças e os jardins dos meus sins ao poema com poesia, para ser um poeta de combate...

RESISTÊNCIA CULTURAL OU INVEJA? Demétrio Sena, Magé – RJ. A resistência cultural nas periferias, por meio de movimentos e reações em forma de arte e literatura é algo de se admirar. Fala-se muito dessa resistência e do empoderamento do negro, do pobre, de forma especial do negr…
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RESISTÊNCIA CULTURAL OU INVEJA? Demétrio Sena, Magé – RJ. A resistência cultural nas periferias, por meio de movimentos e reações em forma de arte e literatura é algo de se admirar. Fala-se muito dessa resistência e do empoderamento do negro, do pobre, de forma especial do negro pobre, mas há uma enorme incoerência que se repete entre os menos favorecidos, os excluídos e as esquerdas: enquanto as chamadas elites e as direitas ocupam plenamente os seus espaços - e nunca os deixam - e ainda se permitem ocupar os espaços periféricos e de esquerda, em forma de compra ou patrocínio pervertido dos movimentos culturais dessas classes, os pobres de todas as etnias e as esquerdas políticas e sociais, quando alcançam realidades econômicas e culturais mais avantajadas logo debandam para o outro lado. Explico: os moradores pobres das periferias, ao se formarem nos cursos superiores, sobretudo fazerem mestrados, doutorados, e alcançarem condições socioeconômicas avantajadas, têm como primeira providência se mudarem para bairros nobres das zonas mais ambicionadas de seus estados. No Rio de Janeiro, por exemplo, quase todos querem morar na zona sul, com todos os riscos que isso hoje representa. Desse modo, as cabeças mais pensantes, as pessoas mais indicadas para fortalecer os movimentos culturais de suas raízes enfraquecem as áreas carentes de seu conhecimento, suas novas condições sociais e o novo poder de contribuir efetivamente para o crescimento cultural e socioeconômico de sua gente. Vão engordar as elites; fazer parte do outro lado da sociedade; viver ao lado das classes dominantes. Tornar-se classe dominante. É como se as periferias já não merecessem essas pessoas. Como se elas, depois de progredirem socialmente, já não coubessem nos meios em que nasceram e foram criadas. Aqueles bairros pobres e de pessoas sem formação superior se tornaram pequenos para seus horizontes. Não querem criar seus eventuais filhos nos bairros pobres, ainda que não violentos, nem nas áreas próximas, porque os mesmos merecem ser elite. Ser iguais às pessoas das classes criticadas e combatidas quando eram inalcançáveis para suas realidades. Tempos depois, essas pessoas voltam como visitantes, participam como convidadas ilustres de alguns eventos culturais das periferias e dizem que já foram moradoras de periferias; foram pobres; não tinham acesso a curso superior. Muitos faltam pouco dizer que já foram negros, mas... “graças a Deus”, agora são bem sucedidos e moram em lugar de gente bem sucedida. Em lugar de gente rica e culta. Dizer que venceu na vida não combina com dizer que continua morando em seu berço. Com isso, ao invés de contribuir para uma mudança de realidade socioeconômica da sua antes querida periferia, o ex-pobre, ex-morador de comunidade, quiçá ex-negro, prefere fazer o que é mais fácil: morar; levar eventuais esposa e filhos para lugares já resolvidos, onde nunca participarão da realidade que ele conhece de perto e será muito trabalhoso ajudar a mudar. Ocorre o mesmo com as esquerdas politicopartidárias, que em princípio defendem as classes menos favorecidas; os moradores de periferias; pobres; negros; negros pobres. São esquerdas, com todas as dificuldades de ser esquerda, enquanto a direita não acena com possibilidades irresistíveis de compor e abocanhar as vantagens de ser da direita. As direitas, com todas as práticas claramente perniciosas, têm o corporativismo consistente que se desmantela com facilidade na esquerda, ao primeiro sinal de patrocínio relevante; de composição vantajosa. O PMDB jamais chegaria ao poder máximo do país levando o PT na sua cola. Já o PT, para conseguir chegar lá, não titubeou em levar o PMDB, que por sua vez, não demorou a desferir seu golpe, assumindo a presidência da república. Com isso, a esquerda se dissolveu; praticamente deixou de existir; a direita está mais unida e forte do que sempre, e disposta a nunca mais deixar que tomem sua vaga. É preciso que os moradores das periferias, ao concluírem seus cursos superiores, alcançarem ascensão e acesso a uma vida melhor, ao invés de abandonarem suas raízes e seu povo, permaneçam nas periferias e ajudem o seu povo a crescer também. A se livrar dos aguilhões. A vencer a opressão local, imposta pelos exploradores locais e os que vêm de lá, das zonas nobres, com os seus patrocínios que compram os movimentos culturais e os amoldam ao seu jeito. Zonas nobres que, infelizmente, são fortalecidas pelos que saem de nosso meio e vão compô-las, cansados e, finalmente, livres da luta cotidiana contra as diferenças sociais. Felizes porque, seus descendentes já não pertencerão à classe dominada; serão também dominadores. Lutemos para sermos quem somos de formas dignas; confortáveis; relevantes... não para mudarmos de lado. Que a nossa indignação seja eivada do desejo de vencer coletivamente. Um desejo e uma resistência de todos, para que a nossa classe, o nosso povo, nossa região sejam fortes. Enquanto fugirmos, tão logo tenhamos condição econômica, tudo o que faremos será uma apologia ao que é criticado e combatido por nós. Deixarmos os nossos, as nossas raízes ao progredirmos neste contexto, é assumirmos que a nossa indignação não era solidária; era só uma questão de inveja do outro lado.

SABOR DE SABER Demétrio Sena, Magé – RJ. Educar não precisa ser solene
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SABOR DE SABER Demétrio Sena, Magé – RJ. Educar não precisa ser solene feito missas rezadas em latim, fim do mundo esperado em contrição por cordeiros em filas indianas... Estudar é pra vida; não pra morte; para um mundo melhor; não pra batalhas; pra ter norte, não pra ter labirinto; pra vencer desafios; não pessoas... Uma escola não tem que ser um templo, um exemplo não tem que ser severo nem o mundo precisa ser cruel... Pode ser meio circo, meio pão, ilusão que seduz a realidade de quem sabe achar sabor no saber...

PEDIDO AOS MEUS VERSOS Demétrio Sena, Magé - RJ. Se os meus poemas puderem,
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PEDIDO AOS MEUS VERSOS Demétrio Sena, Magé - RJ. Se os meus poemas puderem, não tiverem compromisso com alguns plagiadores; algumas cartas de amor; um editor satisfeito sem ter direito a pagar... Ou se não for triste caso de já cansados de si, de mim, do meu coração e da minha compulsão de compô-los toda hora, pularem fora das pautas... Não custa nada os meus versos, os meus poemas de tudo, perversos, de amor, de vida, sinceros, sonsos e tristes, alegres, duros, sensíveis, fazerem este favor... Se os meus poemas puderem, quiserem, lhes der vontade, já peço desde o momento, que me abandonem à sorte segundos depois da morte, mas vão ao sepultamento...

PASTO À ALMA Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho sono de sonhos que o sono dispensa;
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PASTO À ALMA Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho sono de sonhos que o sono dispensa; toda minha esperança está mesmo em ter fé num até, num depois, um presente que venha pra me dar de presente o futuro esperado... Quero ter um querer que não caia esvaído, que se rasgue, se frustre, mas nunca se renda, não me venda pros medos de não dar em nada, pois viver e seguir terão sido meu tudo... Sonho ter com que sonhe sem ter que acertar, sem nem ter que acordar para ver no que deu, bastará ter sentido a sensação do sonho... De sonhar acordado é que durmo sereno; merecer minhas noites dá feno aos meus dias, porque sei que outro dia refaz o percurso...

EXTRA-QUADRO Demétrio Sena, Magé - RJ. Há um ser de quem tudo se fez e sustenta;
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EXTRA-QUADRO Demétrio Sena, Magé - RJ. Há um ser de quem tudo se fez e sustenta; uma base, a raiz, a provisão do espaço, mas não faço menção de saber quem ou quê, nem me deixo supor que alguém saiba por mim... Já venci a crendice no Deus previsível que se rende ao discurso do nosso elogio, tem um cio implacável de gestos contritos e de servos entregues à sua vontade... Seja Deus, outro nome, acredito num ser sem nenhuma legenda nos livros impostos, nem a postos pra todos que lhe rendem cultos... É alguém, talvez algo, muito longe ou perto; gritará no deserto e na treva total, qualquer um que pretenda rotular um Deus...

ARQUIVO MORTO Demétrio Sena, Magé - RJ. Um amor que não sei com quem usar,
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ARQUIVO MORTO Demétrio Sena, Magé - RJ. Um amor que não sei com quem usar, porque já me cansou essa procura, feito cura que agora me adoece de sem dor e sem dar o que acumulo... Quero alguém que meus olhos possam ver dentro e fora, por todas as vertentes; desde os dentes a todos os sentidos, para ter uma história bem escrita... Tenho amor nos meus poros, nos meus eixos, na minh´alma e na caixa do meu peito, neste jeito que até me desabona... Mas não tenho a quem ter e ter certeza de que valem as penas de uma troca; cada riso e tristeza de uma vida...

CONTRADITORIAMENTE Demétrio Sena, Magé – RJ. Políticos nunca me decepcionam. Podem até me encantar. Muito raramente, mas podem. Decepcionar, não. É que se trata de uma classe tão mentirosa, trambiqueira e daninha, que me ocorre o seguinte fenômeno: quando um político entre um m…
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CONTRADITORIAMENTE Demétrio Sena, Magé – RJ. Políticos nunca me decepcionam. Podem até me encantar. Muito raramente, mas podem. Decepcionar, não. É que se trata de uma classe tão mentirosa, trambiqueira e daninha, que me ocorre o seguinte fenômeno: quando um político entre um milhão cumpre a palavra ou o compromisso, fico encantado com a surpresa. Quando não cumpre, não tem problema; eu já esperava por isso.

EM DEFESA DO MEU EU Demétrio Sena, Magé – RJ. Pelo visto, você acabou descobrindo que eu sou um ser humano. Decepção; né? Não cabia em seu conceito, que um poeta romântico e socialmente sensível tivesse lá seus arroubos de franqueza tosca. De crueza e até de alguma injustiça. F…
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EM DEFESA DO MEU EU Demétrio Sena, Magé – RJ. Pelo visto, você acabou descobrindo que eu sou um ser humano. Decepção; né? Não cabia em seu conceito, que um poeta romântico e socialmente sensível tivesse lá seus arroubos de franqueza tosca. De crueza e até de alguma injustiça. Ficou estampado em sua concepção distorcida, que um brinquedo padronizado como eu jamais lhe contrariaria. Que a minha ingenuidade como carrossel afetivo a manteria no lombo enquanto você quisesse... e sempre do jeito que você bem quisesse. Precisei derrubá-la de seu andor. Não por maldade, mas por defesa. Em nome de minha pessoalidade; a manutenção de meu eu mais fundo. Alimentar seus caprichos, mesmo involuntários, de quem quer e não quer, expulsa e chama e no fim das contas não sabe a que vem ou não vem, fere frontalmente minha natureza livre. Resolvida. Dona do querer que tem. Sempre de bem com os próprios erros, acertos, defeitos e até virtudes que autenticam a própria existência. No fundo, bem lá no fundo, não foi um problema para mim você não saber o que queria. Isso é bem compreensível. Eu mesmo, tantas vezes me flagro sem a menor ideia do que eu quero. O que me fez cair do poeta e ser abruptamente humano, foi a renitência com que você forjou querer como eu, me levando ao aparato ridículo de cena e cenário que serão sempre ridículos nas esperas frustradas não exatamente de quem não sabe o que quer... mas de quem não sabe o que não quer.

CONSCIÊNCIA EM GUERRA Demétrio Sena, Magé – RJ. Minha paz não tem paz com gemidos em volta;
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CONSCIÊNCIA EM GUERRA Demétrio Sena, Magé – RJ. Minha paz não tem paz com gemidos em volta; com as guerras e crises; as balas cruzadas; a revolta estampada nos olhos do mundo que perdeu a razão e se deixou ruir... Meu sossego é cruel, sem sentido e verdade, se me perco na caixa de minha ilusão, ponho grades em torno do reino abstrato e da frágil versão do meu sonho ideal... Só terei consciência se não for tranquila, pois também me aniquila o que aniquila os outros; se não for aqui mesmo, será mais à frente... Criminosa é a mente que repousa e dorme sobre todos os gritos de agonia e morte, sob a nuvem de sorte que banha o seu ego...

POVO BRASILEIRO Demétrio Sena, Magé – RJ. A gente pega doença em hospital;
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POVO BRASILEIRO Demétrio Sena, Magé – RJ. A gente pega doença em hospital; a gente vira bandido na prisão; a gente fica maluca em sanatório; a gente come veneno por dieta... É atleta sem força nem saúde, é artista sem arte que se veja, faz velório de morte pré-datada na capela mortuária da vida... Uma gente marcada feito boi, pra pastar nos desertos do direito que não vale pra gente como a gente... A gente sempre foi vista como bicho pelo lixo que a gente põe nos tronos pra sugar o que a gente já não tem...

STEPHEN HAWKING: CELEBRIDADE REAL Demétrio Sena, Magé - RJ. A morte do físico Stephen Hawking, considerado por quase todos da comunidade científica mundial, o maior cientista de nosso tempo... que do interior de um corpo inerte falava por meio de computador, e assim mesmo ajudo…
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STEPHEN HAWKING: CELEBRIDADE REAL Demétrio Sena, Magé - RJ. A morte do físico Stephen Hawking, considerado por quase todos da comunidade científica mundial, o maior cientista de nosso tempo... que do interior de um corpo inerte falava por meio de computador, e assim mesmo ajudou tanto a humanidade com suas teorias, máximas e descobertas, privou o mundo moderno de uma celebridade plena. Real. Totalmente justificada pelo sentido original do vocábulo. Apesar do contexto fútil, que gerou a ressignificação popular já registrada nos dicionários, originalmente celebridade aponta para o que é celebre: distinto; ilustre; louvável; grandioso. A pergunta que me faço é se não soa injusto chamarmos de celebridades pessoas tão simplesmente famosas. Que além de serem famosas, não têm atributos nem histórias que possam torná-las compreensivelmente célebres; distintas; ilustres; louváveis; grandiosas. Não contribuem de nenhuma forma para tornar o mundo, pelo menos o seu país, quem sabe a sua comunidade um pouco melhor. Não influenciam de formas grandiosas e consistentes os hábitos de um povo. Muito menos ajudam a gerar transformações, mudanças relevantes de conceitos, e principalmente: não duram. Não ficam para a eternidade. Passam sem deixar marcas. Suas trajetórias logo mostrarão que tanto faz elas terem ou não vivido, porque o mundo, a nação, o estado, sequer a comunidade sentirão falta. Suas vidas não disseram a que vieram. Enquanto tratamos como celebridades pessoas que participam de um reality show; que surgiram agora numa novela; estão no auge da moda repentina e visivelmente passageira por causa de uma musica vazia; uma polemica sem qualquer peso nem importância, os gênios da humanidade ou do nosso entorno vão ficando esquecidos: cientistas, inventores, filósofos, artistas plásticos, pensadores, grandes professores, ícones da solidariedade humana, escritores, ativistas, cantores, compositores... pessoas simples de qualquer meio, que deixaram ou que ora constroem trajetórias previamente memoráveis por seus contextos, profundidades e sentidos amplos. Autores de obras ou atos perfeitamente capazes de causar impactos positivos nos que tiveram ou têm a sorte de conhecê-los, pessoalmente ou não. Pessoas que foram ou não reconhecidas, e se não foram, azar do mundo. Perdemos em Stephen Hawking, uma das últimas celebridades do planeta. Estão morrendo as celebridades. E o mundo, e os nossos países, e os nossos entornos não estão sendo beneficiados com reposições a contento. A sociedade atual está muito fútil; muito massificada; imediatista; consumista... muito ávida pelos resultados rápidos; o lucro para ontem.

DE BOA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. Prefiro me fazer de bobo, a ter uma consciência maliciosamente permissiva. Dessas que me levariam a fazer o próximo de bobo.
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DE BOA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. Prefiro me fazer de bobo, a ter uma consciência maliciosamente permissiva. Dessas que me levariam a fazer o próximo de bobo. Tenho muitos defeitos. Muitos, mesmo. Tantos, que até sufocam e anulam, não raras vezes, as poucas qualidades que me permito saber que tenho. Que ainda tenho. Das minhas bem poucas qualidades, creio poder afirmar que sou um homem de boa fé. Ou se você preferir: de boba fé.

ÚLTIMO ATO Demétrio Sena, Magé - RJ. Chega o tempo em que a vida nos amansa,
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ÚLTIMO ATO Demétrio Sena, Magé - RJ. Chega o tempo em que a vida nos amansa, em que o mundo nos faz conter os atos, pois a força descansa em nossos sonhos; nos boatos que vencem as certezas... Uma vida que o tempo desbotou, onde os atos se ajustam para o mundo, não restou a sonhar senão boatos de que o fundo, no fundo, é bem além... E assim chega o tempo em que já chega, mas o resto se deixa remoer pra nos dar um consolo sem sentido.. É um ato em que a vida que se tem já não é de se ter, mas ver passar no teatro que o mundo impõe ao fim...

QUEREÇÃO Demétrio Sena, Magé – RJ. Você não é obrigada a querer o que eu quero. Também não sou obrigado a não querer o que você não é obrigada a querer, e por isso quer que eu não queira. Quero que fique evidente que não quero nada que deponha contra mim, querer... e que neste…
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QUEREÇÃO Demétrio Sena, Magé – RJ. Você não é obrigada a querer o que eu quero. Também não sou obrigado a não querer o que você não é obrigada a querer, e por isso quer que eu não queira. Quero que fique evidente que não quero nada que deponha contra mim, querer... e que neste caso, é sem querer que eu quero o que você já nem quer querer. Seja como for, muito obrigado. Foi um prazer querer o que você queria que eu não quisesse, para que o meu não querer se ajustasse ao seu, pois nosso querer ou não querer jamais seria o mesmo. No entanto, você só me quereria dentro dos contextos do seu querer. Deu pra mim. Não deu. Quero sossego, embora sossego seja tudo que não quero neste campo, ou pelo menos queria não querer. Sobrou respeito, a respeito e despeito do que se quer, não quer, queira ou não queira que se queira ou não, de modo que o respeito nos recomenda o pior, que neste caso será o melhor para nós.

DEPOIS DO TEMPO Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho muito a domar nos meus impulsos,
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DEPOIS DO TEMPO Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho muito a domar nos meus impulsos, a conter nos meus passos desmedidos, nos avulsos de minha intransigência sobre tantas questões que não domino... Levo tantas verdades prematuras que as verdades formadas logo abortam, minhas asas começam a se abrir e se cortam no vento mal cortado... Uma lida já gasta e não aprendo, não me rendo ao sentido que não faz tanta busca por pouco a ser fruído... Quero muito querer pousar meus sonhos nos arbustos da idade resolvida, pra que a vida resolva o que fazer...

MODA E MODO Demétrio Sena, Magé - RJ. Muitos já entenderam que a última moda nunca é a última. E que sempre virou moda não estar na moda. Mais ainda: tudo é cafona quando vira moda, porque uniformiza. Deixa todo o mundo ridiculamente semelhante... vira farda nacional.
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MODA E MODO Demétrio Sena, Magé - RJ. Muitos já entenderam que a última moda nunca é a última. E que sempre virou moda não estar na moda. Mais ainda: tudo é cafona quando vira moda, porque uniformiza. Deixa todo o mundo ridiculamente semelhante... vira farda nacional. Só fica mesmo na moda, e mesmo assim por instantes, quem a põe no mercado. Quem inventa ou usa primeiro, quando ninguém imagina que algo às vezes tão ali, tão aos olhos e à mão faria tanto sucesso. E quem inventa ou usa primeiro, deixa de usar assim que aquilo se massifica, e vai lançar outra novidade. Outra moda. Moda, mesmo, é o modo individual de ser, estar, vestir e se propor. O resto é cópia. É querer ser o outro, numa constante mutação agoniada e vertiginosa em busca da opinião alheia. Inventar moda é grande. Segui-la, por sua vez, é ficar visivelmente invisível.

SER-NÃO SER Demétrio Sena, Magé - RJ. É pra manter, pois que zele;
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SER-NÃO SER Demétrio Sena, Magé - RJ. É pra manter, pois que zele; se for pra esfriar, congele; vai ferir, então flagele; jamais protele o querer... Não vai montar, sequer sele; pra não pintar, nem pincele; sem ser total não parcele, nunca se atrele sem ir... A vida exige vontade, quer que sejamos verdade, quem tem argila modele... Um ser-não ser gera trauma; enquanto amor, seja alma; quando paixão, seja pele...