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Frases de Demétrio Sena - Magé-RJ.

1.828 frases

A VIA CRÚCIS DO LIVRO LIVRE Demétrio Sena, Magé - RJ. Chegamos ao ponto em que os ambientes que mais rejeitam livros livres e "livradores", quando podem fazê-lo, são as escolas. Exatamente as escolas, que têm a função de fomentar a leitura, principalmente a não obrigatória e of…
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A VIA CRÚCIS DO LIVRO LIVRE Demétrio Sena, Magé - RJ. Chegamos ao ponto em que os ambientes que mais rejeitam livros livres e "livradores", quando podem fazê-lo, são as escolas. Exatamente as escolas, que têm a função de fomentar a leitura, principalmente a não obrigatória e oficial, para contribuir com a formação de cidadãos leitores... Leitores por prazer, porque terão aprendido que a leitura não é uma obrigação; que o livro não é uma canga, uma ferramenta de tortura nem objeto de capricho formal imposto pelos que mandam. O grande problema, origem do mal supremo deste século é que o preconceito contra os livros livres e os "livradores" (aqueles que plantam, editam e principalmente os que distribuem livros não adotados formalmente) não se manifesta no aluno, que só é a vítima terminal dessa cadeia contra o saber democrático. Tal preconceito é parido no poder público central; depois imposto às secretarias de educação e coordenadorias de ensino. Logo à frente, adotado pelas direções escolares e os professores. Os alunos, a depender da escola, nem chegam a saber que existe a leitura extra-quadro... O livro não receitado como paliativo amargo; "remédio sem remédio". É preciso ruirmos a ignorância dos que regem, coordenam, distribuem ou vendem o ensino. Também é preciso que se vença o esquema de favorecimento e corrupção entre as editoras apadrinhadas pelos poderes e os grandes executivos da educação. Sobretudo, é urgente que os educadores essenciais (docentes e diretores escolares) assumam a identidade que lhes cabe, de educadores essenciais, e se permitam educar além do formal; do formol; da fossilização. Quebrem o gelo e o gesso estabelecidos pelos primeiros escalões, ainda que às vezes isto signifique um risco aos seus postos de possível confiança política. O que esses educadores, das redes públicas e privadas não podem é continuar absorvendo e reproduzindo a ignorância e a ditadura daqueles superiores hierárquicos cujo compromisso não é exatamente com a educação. É, acima de tudo, com o poder, com o próximo pleito eleitoral e o monopólio das editoras que financeiramente os recompensem mais.

ESCRAVO DE SER LIVRE Demétrio Sena, Magé - RJ. Minha sina é ser preso à liberdade;
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ESCRAVO DE SER LIVRE Demétrio Sena, Magé - RJ. Minha sina é ser preso à liberdade; suportar as algemas da soltura; rastejar nas alturas, não ter solo pra firmar estes pés que apenas voam... Uma dura verdade o sonho exposto; a fiel utopia enfileirada; levo todo meu nada sem pra onde, quem ou quando; nenhuma explicação... Sou escravo da carta de alforria que alcancei de nascença e natureza; correnteza; corrente que me arrasta... Meus amores me arranham na passagem, minha casa é pastagem sem cercado, meu estado nasceu sem capital...

NÃOS OCULTOS Demétrio Sena, Magé - RJ. Sei do não que se oculta num sim de soslaio,
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NÃOS OCULTOS Demétrio Sena, Magé - RJ. Sei do não que se oculta num sim de soslaio, num balaio de olhares; meneios; trejeitos; ouço cada palavra do discurso mudo cujo nada diz tudo e não discuto além... Quero sempre o querer de quem ouve a proposta, quem aposta em meus olhos e ganha comigo, nunca o jogo de falas de quem não declara, mas me cerca; me apara; me faz retornar... Não aceito que aceitem por temor velado, meu projeto, meu sonho, meu dado na mesa; neste caso prefiro a leitura das costas... Tenho apego à palavra que soa incisva, nasce viva; desnuda; legível; direta; linha reta pros olhos, ouvidos e mente...

SINCERAMENTE ADEUS Demétrio Sena, Magé - RJ. Sempre fui um perito em saltar das relações que apresentem o mais leve declínio. Se tem que haver o infarto, que seja fulminante. Morrer a prazo está fora de cogitação para os meus afetos... os meus.
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SINCERAMENTE ADEUS Demétrio Sena, Magé - RJ. Sempre fui um perito em saltar das relações que apresentem o mais leve declínio. Se tem que haver o infarto, que seja fulminante. Morrer a prazo está fora de cogitação para os meus afetos... os meus. Toda conquista é gradativa, e vale a pena subir degrau por degrau, porque o prazer é assim. É como beber socialmente; gole a gole. Fazer a língua estalar com sutileza no céu da boca, e sentir bem mais do que o sabor... a essência do que se bebe. Desconquista, não. Ela não pode ser gradativa, porque neste caso, é agonizar. Se há de reduzir a cumplicidade, frear a entrega ou estabelecer parâmetros, é o começo do fim. Contagem regressiva. Quando percebo essa contagem, prefiro ignorar os degraus e ir direto ao fim, pois é melhor me quebrar do que me consumir. Não quero mais sua tática de me fazer notar que os tempos mudaram. Que já não somos os mesmos daqueles anos. Rejeito a contabilidade ou administração fria de uma nova forma de afeto, por ser uma novidade somente sua. No que tange a nossa relação, ainda sou aquele menino e os tempos não mudaram. Não me tornei prudente ou probo. Meu afeto não despertou para os novos rumos da realidade que nos rodeia. Posso dizer que não cresci. Por esse olhar adverso, essa contramão de conceitos que divergem na forma de revivermos nossa história, resolvi dar adeus. As adaptações racionais, as aparas e a contemporização criam sucos gástricos que me consomem nas entranhas do sentimento. Pulo da escada que você sugere. Vou direto ao chão, para não chegar lentamente à mornura de uma relação básica. Uma espécie de limbo afetivo que não combina com o que já fomos... ou fui por nós.

SONHO DE AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Essa lua já foi o nosso lustre;
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SONHO DE AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Essa lua já foi o nosso lustre; seus luares banharam nossos olhos, deram luz às promessas hoje turvas entre as curvas incertas da saudade... Muitas noites teceram fantasias das mais belas verdades provisórias; uma colcha de sonhos momentâneos numa história com tons de para sempre... Foram tantas as nossas madrugadas de suave cansaço e rendição à canção de ninar da natureza... Fomos raios de sol; de renascença; uma crença ilusória no amanhã que já veio embalado pra ser ontem...

AMOR TRANCADO Demétrio Sena, Magé - RJ. O silêncio se rende aos teus passos lá fora;
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AMOR TRANCADO Demétrio Sena, Magé - RJ. O silêncio se rende aos teus passos lá fora; eu me atenho às caladas desta sala escura; fantasio, desejo, percebo de ouvidos, que vieste segura, e porcerto estás bem... Quero abrir essa porta para o corredor e mirar o teu porte, fazer gentileza, ver a cor do vestido com que foste hoje, mas me vem a certeza de não ser prudente... É preciso estancar este quase rompante, pra manter meu instante, meu culto secreto e sonhar com a chance que jamais terei... Logo escuto ruídos da chave que fecha tua porta pra minha, teu mundo pro meu; o museu de miragens deste coração...

MISTÉRIO Demétrio Sena, Magé - RJ. A doença incurável de quem pode morrer a qualquer momento em razão da mesma ou ter vida longa sem grandes dores nem sequelas, não parece doença. Uma pessoa inteiramente sã tem suas dores normais e também pode morrer em noventa anos ou a qualqu…
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MISTÉRIO Demétrio Sena, Magé - RJ. A doença incurável de quem pode morrer a qualquer momento em razão da mesma ou ter vida longa sem grandes dores nem sequelas, não parece doença. Uma pessoa inteiramente sã tem suas dores normais e também pode morrer em noventa anos ou a qualquer momento, por uma bala perdida, um choque ou até um armário que resolva cair do sexto andar de um prédio.

ANTI-AJUDA Demétrio Sena, Magé - RJ. Depois de muito viver, sem dar a vida ou morrer por coisas que não valem meu sangue, porque são coisas, crio e sanciono minha lei: não. Não "posso, quero e faço". Nesta nem em outra ordem. Quero e tento, exatamente nesta ordem, como tantos q…
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ANTI-AJUDA Demétrio Sena, Magé - RJ. Depois de muito viver, sem dar a vida ou morrer por coisas que não valem meu sangue, porque são coisas, crio e sanciono minha lei: não. Não "posso, quero e faço". Nesta nem em outra ordem. Quero e tento, exatamente nesta ordem, como tantos querem e tentam o que nunca está para todos. É, mas não está. E acho que não vencerá o melhor. Vencerá o semelhante que naquele contexto for agraciado com as condições mais favoráveis; o que inclui preparo, desempenho, ajuda externa velada ou ostensiva, pequenos ou grandes detalhes que podem ser entendidos como sorte ou providência sobrenatural. Certamente a vitória seria de outro alguém, se o contexto fosse outro e todo esse conjunto desconstruísse, para depois reconstruir a posição de seus elementos. Não saio de casa todos os dias, para ir à luta, e sim, aos projetos ou estudos, e ao trabalho. Vou à busca, ou à procura, sem aquela certeza dos campeões em potencial. Dos que sabem que um dia chegarão "lá", como não sei nem quero saber. Só quero ir. Mesmo que nunca chegue. O passado e o presente seguem ao meu alcance, mas o futuro não. O futuro está no futuro. Realiza-me, ser um semelhante. Não fazer a diferença. Tão apenas manter a semelhança e contribuir para um mundo igualitário. Pelo menos no meu caso, viver não é um esporte. Nem uma guerra. No que tange a vida em um todo, pódio tem uma rima que me desagrada.

CULTURA, LUXO & LIXO Demétrio Sena, Magé - RJ. Se o lixo cultural me desagrada, o luxo também. Sou apegado à cultura genuína; essencial. À ausência de aparatos ou embalagens que não acrescentam valores; apenas ostentam, fazem volumes, enchem os olhos, mas não a alma. É do luxo…
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CULTURA, LUXO & LIXO Demétrio Sena, Magé - RJ. Se o lixo cultural me desagrada, o luxo também. Sou apegado à cultura genuína; essencial. À ausência de aparatos ou embalagens que não acrescentam valores; apenas ostentam, fazem volumes, enchem os olhos, mas não a alma. É do luxo cultural que sobram montanhas e montanhas de resíduos inúteis; rejeitos que atraem parasitas e roedores humanos nocivos às artes e à literatura. O lixo cultural é o derrame não reciclável do luxo cultural.

VAIDADE HUMANA Falta mundo pro mundo que se multiplica; não há vida o bastante pra vida em redor;
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VAIDADE HUMANA Falta mundo pro mundo que se multiplica; não há vida o bastante pra vida em redor; nada fica do sonho espremido no caos dessa dor de aprender que não se sabe nada... Todo mundo se julga o próprio mundo à parte, quer viver para sempre, finge saber como, é um gomo que tenta ser imposto ao todo, ser o todo e ter tudo sobre tudo mais... Cada dia se perde no tempo a ganhar onde o tempo é tesouro que o chão oxida; logo a vida se olha de frente pra morte... Nossas mãos vivem postas além do sensato, nossos pés estão longe das velhas respostas que jamais compraremos por valores táteis...

TEMPO É VIDA Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho tempo de olhar a manhã renascente,
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TEMPO É VIDA Demétrio Sena, Magé - RJ. Tenho tempo de olhar a manhã renascente, receber dose a dose dos raios de sol, pra depois ir em frente; mastigar meu dia e fechar com a lua que seduz meu céu... Não importa que as nuvens ponham pano em tudo; nada pode apagar o que tal pano filtra, nem deter o meu tempo de saber que o mundo lá no fundo é tão raso que posso tocar... Sempre tive um momento pra lembrar de alguém, uma tenra saudade pra sentir sem dor, um amor do tamanho de minha verdade... Não me nego a ter tempo e confessar meu ócio, ser humano que às vezes menospreza ofício, pra início; pra meio; pra fim de conversa...

RODA-MORTA Demétrio Sena, Magé - RJ. Muita gente não veio ao mundo para ser gente. Não em essência. Uma gente urgente, marcada para correr. Para nunca saber que o presente é tempo, e que o passado é uma escola da qual não devemos abrir mão, por mais que a vida nos leve avante.…
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RODA-MORTA Demétrio Sena, Magé - RJ. Muita gente não veio ao mundo para ser gente. Não em essência. Uma gente urgente, marcada para correr. Para nunca saber que o presente é tempo, e que o passado é uma escola da qual não devemos abrir mão, por mais que a vida nos leve avante. Ele nos orienta pro futuro, e revela que o mesmo estará sempre lá, quer corramos ou não. Gente que vive para ter o que os olhos não alcançam nem os anos de vida justificam. Faz filhos que os outros criarão, e com isso, gera crias do acaso e das babás. Crias que herdarão muitos bens e serão marcadas para correr, chegar na frente, vencer o próximo, e depois sentir que lhes falta o maior bem. O bem-querer. Esses filhos também terão seus filhos, e nas horas urgentes, dirão que "Deus proverá", como forma de justificativa... como sustentáculo e manutenção da roda-viva de gente que não vive... que transforma tudo que tem numa eterna isca para ter mais. Essa gente não é. Apenas está. Distorce o dom de viver... e troca o ser pelo ter.

DEUSA Demétrio Sena, Magé - RJ. É caiçara, moleca, um tanto gabriela,
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DEUSA Demétrio Sena, Magé - RJ. É caiçara, moleca, um tanto gabriela, porém ela; bem ela; inteirinha quem é; tem o cravo, a pimenta, o cominho, a canela e também a garapa; o leite com café... Traz a brisa do campo, a dança da maré, um olhar de horizonte no vão da janela; framboesa nos lábios, na voz um rapé que me dopa e domina pra sonhar com ela... É perigo iminente; chave de cadeia; alçapão, arapuca, laço, visgo e teia; natureza completa em desalinho insano... Deusa, musa, mulher, menina dadivosa, conto, fábula, sonho, saga em verso e prosa; eu apenas um homem; mero ser humano...

BAIXADA FLUMINENSE Demétrio Sena, Magé - RJ. É na baixada fluminense que os extremos se encontram. Inferno e céu. Às vezes, inferno é céu. Outras, céu é inferno. Por isto somos um povo que sabe andar na corda bamba. Viver no limite. Dançar conforme a música. Um povo de clichês…
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BAIXADA FLUMINENSE Demétrio Sena, Magé - RJ. É na baixada fluminense que os extremos se encontram. Inferno e céu. Às vezes, inferno é céu. Outras, céu é inferno. Por isto somos um povo que sabe andar na corda bamba. Viver no limite. Dançar conforme a música. Um povo de clichês ou saberes levados ao pé da letra porque a vida, no caso específico, a nossa, exige. Como temos áreas de risco e de sossego, temos dias sossegados em áreas de risco, e dias arriscados em áreas de sossego. O poder público nem percebe a diferença, porque despreza a baixada fluminense. Gosta de mandar, mais do que propriamente legislar ou governar, pois é bom negócio, mas despreza. Evidentemente, sem desprezar os resultados materiais de seus cargos. De risco ou sossego, em todas as áreas da baixada fluminense há gente viva. As ruas fervilham, as casas comerciais vendem, as pessoas conversam nas esquinas. Umas riem, outras choram. Pobres e ricos têm a mesma cara, níveis culturais parecidos, e o preconceito que se tem é cada um de si mesmo, como se fosse do outro. Olhos nos olhos, eis o nosso espelho e as reservas que trazemos dentro de nós. Do céu para o inferno e vice-versa, é o nosso vai e vem casa-trabalho, trabalho-casa. Casa-escola, escola-casa. Vida-morte, morte-vida. Nós próprios nos governamos, representamos, e às vezes até fazemos nossa justiça, mas ainda assim elegemos os que fingem cuidar de tudo isso, porque a lei, que nunca está do nosso lado, reza que devemos fazê-lo, e nós, diferentemente, sempre estamos ao lado da lei. Se vivemos, é porque nossa vida se multiplica, depois de todas as mortes às quais somos expostos. Se temos esperança é porque ela, sendo a última que morre, tem o dever de nos esperar depois de cada baque. Somos corporativistas anônimos. Amigos ocultos. Inimigos-amigos quando “o bicho pega”. Na baixada fluminense todos somos um. O todo se condensa mais e mais, para ser escudo. Nosso orgulho se perde por orgulho, na solidariedade. Somos a baixada geográfica, em alta na autoestima, mesmo quando parece não haver motivo. Se nas demais bandas cada um se oculta em paredes de cristal, o povo da baixada se expõe, se encontra, se arrisca e risca os traços do destino sonhado. Temos força, porque temos o hábito da obrigação de ter. Trazemos nos ombros o peso do oceano, e sobrevivemos aos tubarões que fingem ser daqui, por interesses políticos e financeiros. Sendo baixada fluminense, vivemos abaixo do nível do mar, mas a onda não nos leva... nem morremos afogados.

PALAVRA FÉRTIL Demétrio Sena, Magé - RJ. Fala branda e pausada chega e pousa;
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PALAVRA FÉRTIL Demétrio Sena, Magé - RJ. Fala branda e pausada chega e pousa; logo adentra os ouvidos desarmados; ousa mais, vai mais fundo e se aconchega onde o chão dos sentidos é mais fértil... Grito, não; grito é fala de festim; chega e sai sem cumprir o bom papel; rouba o sim, mas o sim é negativo; é artigo ilegítimo e não dura... Os arroubos nos tiram de quem somos, nossos pomos forjados apodrecem sobre galhos doentes; ressequidos... A palavra que chove de mansinho, tece ninho; põe ovos; dá ninhada; tem raiz; alicerce; consistência...

MISSÃO DE AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Para Nathalia e Júlia
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MISSÃO DE AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Para Nathalia e Júlia Se não tenho a certeza de lhes ter por perto, não há nada em redor que desperte sentido; nem existe lugar que não seja deserto; cada passo é sem norte; meu tempo é perdido... Faço à vida somente o mais simples pedido; meu amor nunca falte no momento certo; saiba como soldar um coração partido, ser alívio na dor do ferimento aberto... Quero ter esse dom de me doar sem fim; ao olhar nos seus olhos olhando pra mim, ver a paz que sustenta seu porto seguro... Saberei respeitar quando abrirem sozinhas suas asas vistosas, libertas das minhas, e lhes dar de presente a rota pro futuro...