Na sala da minha casa tem uma TV que não liga.
Eu poderia mandá-la para arrumar ou jogar fora
e comprar outra nova, mas eu gosto dela assim.
Aprecio sua companhia e seu afável silêncio.
Às vezes sento-me no sofá e fico olhando para ela.
Ela é preta, e quando está dia me reflete.
É nesse momento em que eu paro para pensar em mim.
Gosto de ser espectador dos capítulos da minha vida.
Agora penso: se a TV estivesse ligada eu não me veria.
É tão fútil ouvir falarem sobre sua programação.
Eu não preciso desse falso entretenimento e viva alienação.
Preciso demais de mais vida e me ver na tela preta.
Eu estou sentado no sofá em silêncio.
Ela está em pé ao lado do batente da porta
que divide a sala e o corredor
tentando fingir não sentir.
O momento silencioso da TV
mostra o quanto estamos fora de sintonia.
Não sabemos o que falar.
Só sabemos velar no meio da sala
pelo momento que está para acabar.
-Não se preocupe comigo - eu digo.
Estarei bem, apesar de distante.
Já aprendi a ignorar o sofrimento
e morrer assim aos poucos sem gritar.
Levanto do sofá e arrumo as minhas coisas.
Nos despedimos com um abraço solto e rápido.
Não somos capazes de nos encarar. (seria mais difícil)
Não suportaria olhar nos olhos dela. (guardamos as lágrimas)
As horas vão passando e o tempo me consumindo.
Cada ciclo do ponteiro me atinge a consciência,
e eu me desespero por saber o final de tudo isso.
Eu estou morrendo e não conheço nada
e nem alguém que possa me salvar.
Eu sou um lunático e esse tempo me é tão cruel.
Devia ter nascido em outros tempos.
Na época que aceitar era simples e normal,
E o tun-tun valia mais que o tic-tim.
Sempre que eu sinto a morte chegando meu humor é sufocado.
O irônico é que eu posso escolher viver,
mas o medo é maior que a coragem ao incerto.
Meu silêncio são meus berros de desespero.
Então eu morro. Eu morro e fico sem paz.
Queria que me salvassem, mas estão todos tão mortos
que nas ruas vejo mais defuntos do que em cemitérios.
E eu odeio tanto cemitério.
Ver pessoas velando por corpo inanimado
como se estivessem mais vivas que o próprio.
Escolheria o inanimado ao vivo vazio.
Preferiria o sono eterno à tortura de dormir e acordar cadáver.
Traga-me um sentimento de certeza
Deixa de drama
Diz que me ama
É uma bobagem perder tempo curando feridas
quando podemos criar novas alegrias
Então pra que nos machucar?
Tira-me esse sentimento de incerteza
Diz que me ama
Deixa de drama
É uma besteira tão grande nos afastar
quando sabemos que só somos felizes juntos
Então não tem porque nos afastar!
Eu não entendo como você pôde vir até aqui,
mudar totalmente a minha vida,
depois desistir de me fazer sorrir
e partir assim, sem nem ao menos olhar para trás
Enfiou as tuas mãos em meu coração
e retirou tudo o que me faz feliz
Agora meu peito está tão vazio
que perdeu toda a força e a fé em dia melhores
Se promessas e juras não nos valeram (idéias dêmodês)
Não te prometo e nem te juro mais nada (palavras clichês)
Só quero que viva suas alegrias
E torço para que também sejam minhas
Procure um final feliz
Expulse frustrações infantis
Marque frases engasgadas
Se encontre nas entrelinhas
Grite quando sentir-se só
De si mesmo nunca tenha dó