Seria possível viver sem passado e ainda assim evoluir?
Como é que eu seleciono o que esquecer?
E se eu me esquecesse de tudo eu cometeria os mesmos erros com você?
Eu só queria viver em paz!
Sob influência desse vício que me enfraquece
eu não escolho entre felicidade e desespero.
Não me importo mais em ter controle.
Só queria mais um pouco de você;
Mas quando o assunto é você.
Confesso que me torno um descontrolado.
E eu não gosto de perder o sentido
e me sentir assim tão vulnerável.
Eu fico sem certeza de nada.
E nem sei por que volto aqui.
Agora eu poderia falar o seu nome,
mas os outros nem precisam saber,
pois isso só tem importância para nós mesmos.
E nosso final é o fato de que o enredo jamais será mudado.
Você deixou de subir em minha aeronave
e comigo passear em meus parques de alegrias
de lembranças tão próximas.
Eu te quero tão bem pequena,
por isso foi tão difícil me jogar daquela cabine
e me perder daquele sonho tão real.
Você então me questiona se eu não vejo nem assim as verdades.
Como se a verdade em meio a tantas mentiras tivesse algum valor. (e a dor?)
E agora quem vai me mostrar o que é verdadeiro e o que é falso
se em um amanhã pode ser que nada mais valha o que valeu? (como aconteceu).
Eu queria escrever-lhe tanta coisa,
mas para hoje o que me salta
é o espanto pela coincidência.
Acredito que no final tudo tem explicação,
ou ao menos uma simples ligação,
um sinal, um aviso, talvez a salvação.
Estou contente por ter te conhecido,
e por nos cruzamentos dos olhares
ter me concedido tímidos sorrisos.
Coincidência pouca, é muito,
pra quem se viu buscando a utópica completitude
em pessoas desgarradas e nos locais mais erradios.