Bandeira
Belo, belo, belo
Surge no horizonte da estrela da manhã
E se perde na estrela da tarde
Em busca de uma alma única
Uma luta pela vida inteira.
Chega o poeta do lirismo
Da vida cotidiana
Do sentimento universal
Aquele que engoliu os sapos
Num garboso manifesto da poesia.
Ao bater da cinza das horas
Uma mágoa, uma melancolia
Um ressentimento de perseguição
A morbidez: Pneumotórax
A vida um poema-piada.
Foge de um satânico carnaval
Indo embora pra Pasárgada
Em um ritmo dissoluto
Vivendo na libertinagem das palavras
Na labuta da lira dos cinquent’anos
Um legado de brincadeiras com formas e inspiração.
À Lady Lazarus
Entre palavras a doçura do silêncio
uma escrita autêntica de fênix
das pinceladas de sangue
decorando um coração seco
dando êxtase aos pensamentos vazios
ao caminho das águas profundas e eternas de Ariel.
No auge flutua a balzaquiana
aos raios de sol de seu espelho mágico
buscando a amálgama com o luar
na triste contusão da vida
eleva-se como um anjo
aos vômitos de vermes e sapos
e se perde num amor inexistente.
Pintada por Deus
Dentre nuvens e ventos
O amanhecer da poesia
Pintando o verde das montanhas
Com os raios de sol.
A neblina enigmática pelo Aeroporto
E o mar enaltecendo o Porto
Sob o singelo toque das mãos de Deus
Um doce Pão de açúcar.
Do encontro aos céus
A vista do paraíso
O coração na alma
Sem palavras diante de Cristo.
Na travessia pelo Aterro de encontros
O povo de Bota Fogo
Entre clubes e um bom futebol
A paixão nacional.
Perdida entre árvores e flores
Do gentil encanto da natureza
Um momento único da prosa e da poesia
Caminhando juntas pelo Jardim Botânico.
Sento-me de mão dadas
Reflito sobre o sentimento do mundo
Ao lado do maior poeta de Itabira
Na maravilhosa Praia de Copacabana.
Percorro pela linda Ipanema
Cheia de graça e de inspiração
Ao som do mar e dos ventos
Deixo o meu coração.
João Cabral de Melo Neto
Meu caro João,
Dono do cão sem plumas
Dos retirantes surrealistas
Um belo engenheiro da poesia
Amado poeta do sertão,
Da luz balão!
Enterra os ossos com a lâmina da faca
Germina a poesia popular
Na educação pela pedra
Nada de tradicionalismos
Nada de convencionalismos
Retira o relógio da gaiola
Esquece o regimento
Come os versos, as estrofes
Lança assovios e flores
De um arquiteto da luz livre
Toma umas aspirinas
Abusa das rimas
Das vidas divinas toantes.
Do fazer poético
No catar feijão
Tecendo a manhã
Com a Morte e vida Severina
Semeando a poesia no sertão
Deixou seu coração
E a esperança do amanhã.
Vinicius de Moraes
Dá-lhe poetinha
não temendo essa vidinha
cheio de amores
sem problemas com pudores
sem arrependimentos
uma viagem de casamentos.
Sedutor da palavra
Escritor que lavra
Apreciador de lirismos
Vida sem modismos
Conquistador de sentimentos
Encantador de pensamentos.
Amante da arte
Diplomata aparte
Dramaturgo e jornalista
Compositor e poeta,
Boêmio de sonetos
Fumante de intentos.
Vivendo sob a paixão
Tudo com muita emoção
Toma uísque de flores
Aprende com as dores
Eterno em todos momentos
Efêmero nos sofrimentos.
Realiza uma doce mistura
De teatro, cinema, música e literatura
De nada afeta
Caminha entre o mistério, a paixão e a morte
Ele sim foi poeta,
Sonhou e amou na sua vida apaixonante!
Artaud
Da manifestação da insanidade
Uma articulação orgânica e estupenda da voz
Dentro do espaço da vocalidade
Alavanca o personagem marginal.
Da consciência da corporeidade
O abuso da verdade interdita feroz
Nas cadências melódicas da ritualidade
Subjaz a sociedade fatal.
Numa loucura da racionalidade
A reconstrução da palavra atroz
Na experiência-limite e literária da fecalidade
A sublime linguagem subversiva retal.
Estática
Corta-se o inútil
De pensamentos vazios
De superficialidade e imbecilidade humana.
Retiram-se as pedras
Em um momento oportuno
Tão logo traz a fertilidade da terra.
Arrebatam-se os ventos
Nas pegadas das borboletas
Outrora que se foi.
Corteja-se a beleza
Da sabedoria da alma
Somente o que se amálgama permanece.
O adeus!
Um dia a amizade aparece.
Diálogos, conselhos
Partilha de choros e sorrisos
Envolto aos ombros
E abraços de um amigo.
Um dia a amizade solidifica.
Momentos, decisões
Surgem os comprometimentos
De erros e acertos
Na vida de um amigo.
Um dia a amizade some.
Achismos, egocentrismos
Rompem sentimentos
De tudo o nada
Simplesmente jaz um amigo.
Doçura de viver
Entregai os sabores das cores
nas brincadeiras das poesias
aos vossos desejos reprimidos
das loucuras interditas
pelos laços dos vossos lábios.
Vigiai os olhares dos mares
nas valentias das vossas ausências
aos vossos pecados cometidos
das ternuras alvuras
pelos dias e noites das vossas mãos.
Almejai os odores dos amores
nas aquarelas das vidas
aos vossos corpos entremeados
das capelas adoradas
pelos apelos dos vossos pensamentos!
Stella
Radiante nell' oscurità
Brilla, brilla, brilla
In questa notte lugubre
Regna in me
Indomabile sentimento.
Si avvicina
Sorriso della vita
Gentilezza del domani
Tessendo i miei occhi
Rompe il mio oceano.
In un istante
La completezza del mio essere
Mi travolge
Desideri, sogni
La stella in me.
Aquário da vida
O dia amanheceu branco
mais gelado que meu próprio coração
sem nenhuma canção
sem nenhum pranto
o dia permaneceu branco
sem o teu encanto!
E se eu fosse a moça tecelã
deixaria o corpo que padece
me envolveria com sol e a neve
entre as linhas da minha face
teceria o calor e o frio
nos caprichos do dia e da noite
para ter contigo o amanhã!
Diagnóstico
No andar profético
Um momento cardiopoético
Estetocopia meus batimentos
Amplificando meus sentimentos.
Abra-me com um bisturi
Retira a máquina
Recebo um coração
Desfilibra meus pensamentos
Respirando meus movimentos.
Nada bioquímico
Neste corpo atérmico
Devolva-me com verdades
Curando minhas enfermidades.
Aos meus pés
Num simples olhar
Surgem os mais belos olhos verdes
Hipnotizam-me.
Disfarço entre voltas
Mudo os caminhos
Cercam-me.
Luto e reluto
Não quero olhar
Perseguem-me.
Aos poucos sem saída
Com sussurros e carinhos
Rendo-me!
Teus olhares: aos meus pés.
Ariano Suassuna
Os homens de barro
Singela improvisação
Com o arco desolado
O sagrado e o profano
Cantam as harpas de Sião.
O pasto incendiado
E lá se vai um homem vestido de Sol!
De cerne Armorial!
Ao Auto da Compadecida
A pena e a lei.
O nosso rebento nordestino
No caminho da caatinga
Sem caneta, sem papel
Nas torturas de um coração
Um adeus ao deserto do sertão!
Sentimentos
No nascer da amizade
no luar da felicidade
no amanhecer do amor
no anoitecer da dor
no melhor da paixão
no pior da ilusão
os sentimentos começam
e os pensamentos acabam.
Sou uma eterna estudante,
amante da literatura e das artes...
adoro escrever crônicas
como me aventurar pelo mundo dos contos
e me perder e me encontrar na doçura da poesia.