Quão bela és entre os astros
Tão sublime se faz no universo
Seu sorriso transmuta o caos
Destrói meus fundamentos
E cativa o meu verso
Ainda que falasse a língua dos anjos
Não conseguiria externar tal fascínio
Nos confins da terra e dos céus
Na vida até a morte
Viveria em seu domínio
Admirável o universo foi para mim
Já não me atrai a atenção
Hoje só quero admirá-la
A estrela mais bela avistada
No centro da toda constelação
No profundo negro das pupilas de seus olhos, eu mergulho. No brilho refletido nos castanhos deles, me entrego. Quando olhas discretamente, me confundo e somente tento decifrar onde seus pensamentos te levam. Quando sorri, me dilacera, como lâminas afiadas de alegria adentrando em meu peito, me fazendo desejar mais. E quando ouço a sua voz, eu me completo. Como doce melodia em meus ouvidos, a sinfonia mais bela, o som da sua voz.
Foi naquele dia que percebi que não havia mais escapatória, eu já havia entregado todos os pontos.
Naquele dia em que, fugindo desesperadamente, corri em direção oposta à saída e fui ao seu encontro.
Naquele dia em que meu olhar procurou em meio a multidão, e ao encontrar, involuntariamente sorri.
E quando percebi já estava totalmente rendido, naquele dia em que parei de imaginar e passei a sonhar, como se todos os sonhos fossem possíveis.
Uma vez ouvi que o amor é como uma chama delicada, que quando se apaga some para sempre.
Essa frase entoou na minha mente por anos e nunca me esqueci dela.
Hoje reflito que essa chama no seu ápice se torna uma labareda que devasta o que encontra pela frente e mesmo apagada, ao olhar pras cicatrizes por ela deixada, nos faz relembrar e reviver a agoniante e terrível dor que uma simples chama pode nos causar.
Meu reflexo naquele espelho, trouxe pensamentos de quando, com garra, me segurei fortemente naquilo que achava que eu era. Mas aquela imagem se foi, como quando lançamos uma pedra no rio e as águas criam uma onda distorcendo toda imagem ali refletida. Quem eu era, quem eu fui, quem eu sou, seria tudo uma distorcida perspectiva que eu mesmo criei? Mas eu ainda sou eu, com uma percepção mais ampla sobre o mundo, mas ainda um grande sonhador.
Eu queria escrever belas poesias, entoar belas melodias, recitar belas palavras, mas com sinceridade no coração não consigo. Não sei o que há, ando tão cansado, tão triste, tão desesperançoso... Já estive assim algumas vezes, já pensei em desistir, mas sabia que era questão de tempo até me reerguer novamente e seguir em frente... E apesar de estar me esforçando tanto, estar fazendo coisas novas, saindo com amigos, tentando me divertir, dessa vez eu sinto que tudo está diferente. É como se essa dor, essa tristeza não fosse mais passar... É tão frustante me esforçar tanto, dar tudo de mim, ser o melhor de mim e ainda assim nunca ser o suficiente. Me questiono várias vezes o que tem de errado comigo, o que eu tenho feito de errado ou o que eu tenho deixado de fazer e ainda que alguém me desse essa resposta não seria o suficiente pra me convencer que ainda há algo que eu possa ofertar. Eu dei tudo de mim. E fui além. Ultrapassei os limites e ainda assim não foi suficiente.
Lembro-me do dia que mesmo caído ao chão, sem forças e sem esperança, não me deixei desistir. Continuei em frente até alcançar o que almejava, e mesmo não tendo colhido os frutos, sei que ainda chegará o florescer. Pois sementes plantadas brotarão.
Resta-me somente aguardar com paciência a estação da colheita.
Olho fixamente na direção daquela estrela, tão bela e tão distante. Parece me atrair para bem perto.
Se tocá-la queimarei até virar cinzas?
Se alcançá-la nos tornaremos como um?
Ou quem sabe despencarei lá do alto, numa última queda, em direção ao chão?
Se me tocas, guardo-te no coração.
Se me esqueces, torno-te lembrança.
Se me deixas, deixo de buscá-la.
Se me buscas, busco encontrá-la.
As lágrimas
Quanto tempo faz desde a última vez? Nem me lembro mais. Antes era tão mais fácil, tão mais comum. Quando caía no chão e ralava o joelho, ou ao levar uma bronca da mãe, quando brigava com o irmão, ou quando perdia algo valioso.
Elas vinham como um dia chuvoso, lavando a alma e logo depois o céu ficava azul novamente.
Mas já fazia um tempo que elas não caíam. Até que hoje choveu bastante, como nunca antes, mas o céu não ficou azul. Elas não lavaram a alma.
Elas apenas caíram...
O muro
Ergueu-se imponente outra vez
Pois dantes por mim derrubado
Agora me fita em silêncio cruel
Com tijolos frios e passado selado
O que um dia tornou-se ruínas
Assombrou-me com sua ausência
Vulnerável ao vento frio da noite
E a solidão soprou sua sentença
Eis que ergue-se por instinto
Pois caído ao chão não protegeu
Recolhe triste os cacos do tempo
E guarda a dor de quem cedeu