LISIMETRIA
Se tanto me encanta o teu encanto, que em breve seja esse encontro
Que ainda o mesmo gosto tenha tua boca,
A mesma excitação provoque teu seio
Tanto quanto eram, ávidas sejam tuas mãos
A cama fria é a
ostra vazia da
qual a pérola já
não lembra mais.
É a constante
incerteza.
O permanente infortúrio,
A tristeza de um beco;
o abandono do cais
Por vezes me parece que o destino é um livro de páginas desencontradas, mal escritas e absurdamente confusas; ouso imaginar que o verdadeiro mérito do ser humano é reordenar – ou ao menos pôr alguma ordem – à tão mal editada obra a que chamamos de destino.
Não há meios de “mudar” o que está escrito ... ao menos em seu conteúdo. Dedicar cada dia a reorganizar, em benefício próprio, a forma como foram por alguém lançadas as palavras: eis a lógica da vida!
É de louco que será taxado aquele reordena o destino que o cerca ... afinal, aos “normais”, é mais cômodo percorrer as tortuosas e desencontradas páginas do “livro”. Mais prático e convencional é travestir de loucura o inconformismo alheio.
E se, por algum instante, o inatingível estivesse próximo? Neste instante, pelo menos, derrubado estaria o conceito da impossibilidade.
Afinal, o que vem a definir o impossível? Seria a consciência da própria incapacidade?
Se assim for, somente não se atinge aquilo para o que não se é capaz. Sendo claramente permitido se auto capacitar, é de se concluir que tudo é atingível.
Resta saber da viabilidade daquilo que se busca ... da real necessidade de se atingir algo que seja demasiado distante ...
Poder-se-ia desperdiçar o valoroso tempo na busca do inviável?
Nenhuma resposta ... continuemos então questionando acerca daquilo que nos julgamos profundos conhecedores.
E o que dizer da incapacidade de desvinculação do reconhecidamente idealizado estado de satisfação pessoal?
Auto flagelo?
Não. Não.
Somente os eternos contestadores, inconformados com a realidade que lhes é apresentada, ousam idealizar o utópico.
Juras de amor eterno são a primeira evidência de um sentimento volúvel.
Jamais se saberá o que se está a sentir, quando realmente se sente.
Se possível for a certeza de que se ama, é porque já amou no passado.
Flexão verbal incompatível com a eternidade.
Lamentável a ideia de que seja possível buscar a felicidade, eis que somente se pode buscar aquilo que se tem certeza existir.
Se certeza existisse, bastaria toma-la de pronto para si.
A verdade - jamais soberana, é claro - é que a felicidade está em cada passo da sua ilusória busca.
E salve Lord Byron
Imagine que a resistência, consciente ou não, ao ditado amadurecimento, guarde profunda relação com o incansável inconformismo diante da concepção ignóbil acerca da maturidade.
Aos pobre olhos das convencionais faces, surge a comodidade da condicionada prática de ignorar, com pretensa superioridade, tudo o quanto não se mostram capazes de compreender.
A ignorância, na verdade, é a maior aliada do convencionado amadurecimento.