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Frases de Daniel Bovolento Entre todas as coisas

28 frases

Eu nunca mais vou me envolver com alguém de novo. Cansei de quebrar a cara. Essa frase marca o início de um ciclo e o começo desse clichê que a gente repete na tentativa de se proteger na próxima vez. É mais ou menos como um mantra que já prepara o coração para o que vem: segura…
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Eu nunca mais vou me envolver com alguém de novo. Cansei de quebrar a cara. Essa frase marca o início de um ciclo e o começo desse clichê que a gente repete na tentativa de se proteger na próxima vez. É mais ou menos como um mantra que já prepara o coração para o que vem: segura a surpresa, manda aquela alegria inicial de ter encontrado alguém bacana embora, dá uns tapas na expectativa e te faz prometer para si mesmo que dessa vez vai ser diferente: dessa vez você não vai se envolver. Essa frieza é característica de quem já sofreu por amor ou por menos que isso. Mas frieza é uma palavra forte, então digamos que seja uma proteção. Essa proteção é a armadura impenetrável de quem foi convocado para a guerra, mas sofre de apatia. É o brigadeiro de panela quente para quem já queimou a língua. Essa proteção é a hesitação de quem não quer repetir um novo ciclo de descasos e esperanças. Ela funciona de forma radical e direta, porque descarta qualquer um antes mesmo dele chegar a algum lugar. A formação de defesa de pessoas que optaram por “esconder os sentimentos” e viver na desconfiança é pesada. Os que não se declaram solitários por acidente, acabam pode depositar essa postura em outros. Isso porque sempre calha de aparecer alguém que finalmente “valha a pena” para você e essa pessoa vai ser o alvo de todas as suas inseguranças e negações passadas. A frustração de já ter se arrependido, faz com que você manipule as suas vontades e apare as atitudes. Vez ou outra, isso tudo te faz mais amargo, onde o sabor agridoce vai embora e você não percebe que está exagerando. Na sua cabeça, tudo funciona como um teste para o coitado (ou coitada) que tentar algo com você. É que eles estão vivendo a sua síndrome do “Dessa vez vai ser diferente. Eu não vou me envolver.” Mas existe uma premissa certa nisso tudo: você vai quebrar a cara de novo. Independente da postura que se assuma, você vai passar por alguma frustração. Seja a frustração de estar sozinho, quando não é isso que se quer ou a frustração de finalmente se abrir de novo e se decepcionar. Parece um tanto quanto pessimista, mas é que você encara o “quebrar a cara” como algo negativo. Só que é uma experiência que faz parte de uma vivência maior. Quebrar a cara ensina, e muito, sobre nós mesmos. Ensina sobre padrões de comportamento que nós podemos cometer e erros que dizemos ser dos outros, mas na verdade nos pertencem. Ensina a aprender mais sobre as nossas expectativas e a forma com que lidamos com elas, além de mostrar que pessoas constituem a nossa vida de forma plena e quais podem ser descartadas quando há decepção. Aliás, isso ensina mesmo se foi decepção ou insistência, quando o problema da vez era com a gente. E ensina mais ainda que o ser humano, por mais burro e teimoso que possa ser, ainda possui a capacidade de amar de novo. Você vai se encantar de novo e se perguntar se dessa vez vai ser diferente, por mais frio ou receoso que seja. Você vai engolir em seco e fingir que nada mudou, mas vai pensar em baixar a guarda. Essa esperança bonita que motiva e que também nos torna um pouco mais bobos e um pouco mais cegos é o que faz com que relacionamentos não sejam apenas relacionamentos. São situações que engrandecem e servem de auto-análise. E elas dizem muito sobre a gente e o nosso modo de ver o mundo. Revela vontades que a gente nem imaginava ter e devolve uma maturidade que vai sendo lapidada ao longo do jogo, com seus ganhos e perdas. E esfrega na nossa cara que a gente vai quebrar a cara de novo e que vai amar de novo. Por mais “evitáveis” que tenhamos nos tornado, ainda somos apaixonantes e apaixonáveis. E essas defesas que a gente cria, com um pouco de persistência e afeto, acabam caindo por terra. E isso pode ser bom ou pode ser ruim. Mas a gente só vai descobrir se der a cara à tapa. Mesmo que isso signifique quebrá-la depois e se apaixonar logo em seguida.

Me desculpa por não poder chegar hoje. Eu tava levando um buquê de flores rosa, daquelas surpreendentemente charmosas, para tentar me desculpar pelo atraso no trânsito. Tenho certeza que a sua voz brava iria ficar doce e um largo sorriso iria se abrir quando visse meu rosto por t…
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Me desculpa por não poder chegar hoje. Eu tava levando um buquê de flores rosa, daquelas surpreendentemente charmosas, para tentar me desculpar pelo atraso no trânsito. Tenho certeza que a sua voz brava iria ficar doce e um largo sorriso iria se abrir quando visse meu rosto por trás das cores delas. A pista estava molhada, tudo engarrafado, a estrada estava péssima. Nevou um pouco e eu pensei em como você adoraria fazer anjos de neve comigo amanhã. Me desculpa de verdade por ter me impressionado com as luzes na curva. Acho que foi a coisa mais bonita que eu já vi. Um lampejo, um som agudo. Eu não consegui desviar, meu anjo. A luz simplesmente foi maior que eu. E eu vi seu rosto antes de fechar meus olhos. Ah, menina. Os paramédicos disseram que foi de uma vez só, que eu não sofri nada. Mas me sufoca ouvir meus pais gritando essa dor enquanto eu estou aqui deitado, cochilando no asfalto. Eu sempre fui bem preguiçoso mesmo, já dizia você. Em pensar que eu te disse várias vezes que a segunda-feira era o pior dia da semana, o dia com mais trabalho depois de um domingo calmo e morto. Eu trocaria qualquer segunda por um dia inteiro de sono ao seu lado. E cá estou eu num retrato de domingo. Com carros tocando sirenes e transeuntes parando aos solavancos para olhar a retenção do tráfego. Meu ego agradeceria em outras circunstâncias. Você teria me dado um tapa no pescoço se me ouvisse fazer essa piada agora. O que eu mais queria nesse momento era ouvir a sua voz. E te pedir perdão por não ter sido tudo o que você sonhou e, principalmente, por não poder estar aqui com você. Eu queria te dar um último abraço, um beijo de despedida. Cuida deles, por favor? Você vai ter que ser mais forte do que todos eles juntos. Minha mãe vai precisar que você tire o bolo com ela e que lamba a calda da colher como eu fazia. Meu pai vai precisar ouvir a tabela dos campeonatos e vai querer te emprestar alguns livros de poesia argentina. Pobre velho. Meu irmão mais novo vai querer te levar em alguma festinha da turma dele ou te pedir pra andar de bicicleta. Mas segura firme, viu? Ele ainda não sabe andar e eu tinha medo de deixá-lo cair. Um dia ele vai crescer, eu sei. Vai se tornar um homem melhor do que eu fui. Quem sabe ele até cuide de você por mim. Eles te amam um pouco menos do que eu, mas tenho certeza que vão precisar tanto de você, minha pequena. E você, meu bem, meu anjo. Eu quero que você seja forte. E que se lembre com carinho de ontem e de todo o tempo que passou. Quero ver seus olhos verdes meio embaçados de emoção quando ouvir meu nome, mas não quero que deixe a sua vida aqui comigo. Você foi a melhor pessoa que eu já conheci na vida. Minha namorada, meu amor de primavera. O chão ainda tá um pouquinho gelado e o meu rosto deve estar um horror. Não quero que você me veja assim, nesse estado. Você nem poderia olhar nos meus olhos “azuis-seu-bebê” para ter certeza de que estou falando a verdade. Eu confio em você como nunca confiei em guria nenhuma. E daquela vez que te empurrei do balanço e te pedi em casamento, você riu. Mas meu amor, eu nunca pensei em passar o resto da minha vida ao lado de outra pessoa. Eu queria realizar os seus sonhos, sabe? E nunca vou parar de me culpar por te deixar na mão quando você mais precisava de mim. Mas olha. Olha bem pra trás e vê que a gente foi feliz. Você me fez o homem mais feliz do mundo. E eu quero que você possa ser a mulher mais feliz do mundo mesmo sem mim. Vai doer no início, tá doendo muito em mim. Sem trocadilhos infames. Mas por favor, não se fecha pra vida. A gente sorriu e brincou e tocou violão e caiu na piscina e se jogou de uma escada e pulou em cima da cama e fez tantas coisas divertidas que eu nunca achei que tivesse que me despedir. E eu quero que você encontre alguém melhor que eu. Alguém que seja tão bobo e louco por você como eu sou e ainda serei. E vou te contar um segredo. Eu ia te dar aquela Flor de Lótus que você gostou tanto quando visitamos o boticário da cidade. Tá guardada numa caixa vermelha em cima do meu armário. Tem uma foto nossa depois do dia do parque. Aquela foto no carrossel. Você tá linda como sempre e eu apareço doido por você (como sempre). Vai doer, eu sei, mas espero que a minha mãe te entregue isso. E que você guarde pelo tempo que for necessário. E que você veja as fotos sem que isso doa algum dia. Me promete que vai ser feliz, meu amor. Eu te amo, eu te amo, eu te amo tanto. E a maior conquista da minha vida foi ter te encontrado. Me encontra algum dia, se você ainda precisar de mim pra alguma coisa. Eu te prometo que vou esperar. Eu te amo. Adeus.

Desculpa por tocar a campainha sem pedir permissão. Se eu soubesse que intrusos não eram permitidos, eu nunca teria atravessado a rua pra conhecer um pouco mais sobre você. Eu não teria me levantado rápido depois de beber um pouco além da conta porque eu sei bem como eu costumo f…
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Desculpa por tocar a campainha sem pedir permissão. Se eu soubesse que intrusos não eram permitidos, eu nunca teria atravessado a rua pra conhecer um pouco mais sobre você. Eu não teria me levantado rápido depois de beber um pouco além da conta porque eu sei bem como eu costumo ficar tonta quando a dose é forte demais pra mim. Eu nunca fui de gostos amargos, mas os destilados puros sempre me fizeram sentir da forma adequada diante de você: com a garganta em chamas. Doida pra deixar a etiqueta convencional de lado e despejar meio litro de acusações e declarações para um completo desconhecido. Tentada a revelar o que nenhuma amiga minha sabe ou sequer sonhou sobre mim. Mas acabou que você virou o meu segredo mais sórdido e desculpa por isso também. Desculpa por ter achado que você ficaria por mim quando nem eu mesma teria ficado. Desculpa se eu fui insistente e você não gostou. É que você parecia ser o único que entendia a minha carência específica – de você – e os meus medos de escuro. Desculpa pelo travesseiro duro e por todas aquelas vezes em que eu tive que parar o carro pra ir ao banheiro. Não achei que os meus modos fossem incomodar. Papai e mamãe sempre me ensinaram a não deixar estranhos entrarem, mas você seria o meu adorável estranho em pouco tempo. Ah, e obrigada pelo abajur roxo. É a minha cor preferida, o meu objeto preferido e o meu dia preferido no mundo. Me faltou delicadeza em recebê-lo porque eu sempre tremi demais nas bases quando eu tinha algum contato com você. Mas eu guardo os cacos numa caixinha dentro do armário. Os cacos do abajur e os meus também. Desculpa por ter feito você perder alguns jogos do seu time pra cuidar de mim. Nunca soube jogar futebol e acho que teria entendido se você me explicasse o que era impedimento. Desculpa se eu avancei demais na área. É que você me deu corda e nem percebeu que eu tinha medo de altura e nenhum equilíbrio pra andar nela. Eu sei que caí algumas vezes, mas achei que entenderia o meu lado se ouvisse de mim que não era amor. Até era. Ou foi por um tempo. E quando não era mais, eu já não queria só o resto. Eu sei que eu deveria ter falado isso e que podia ter sido mais justa. Desculpa por deixar a luz apagada e a casa vazia bem na hora em que pedi pra você ficar por mim. Desculpa por ter sido omissa comigo mesma. E eu só te peço desculpas porque eu sei que, depois de mim, o maior prejudicado foi você. Você me reproduzia em megafone e fazia com que o meu corpo se reverberasse por aí. Desculpa por ter sido idiota e por achar que, na vida, a gente consegue mudar alguém pra transformar um esboço numa versão mais bem planejada de alguém que a gente quer amar. Desculpa por não ter amado você de verdade – e foi só porque eu pensei que amaria os seus jeitos descomplicados quando eu conseguisse moldá-los aos meus. Desculpa por ir embora em silêncio, mas é que eu me envergonho muito por ter feito a gente perder tanto tempo um com o outro. Desculpa por pedir desculpas o tempo todo. Mas esse é mais um dos meus modos de tentar amenizar o prejuízo e os danos que eu causo por aí. Ah, e me desculpa por ser assim e por espalhar a desordem até numa carta.

"Se eu te confiasse um segredo e jurasse no pé do seu ouvido – antes de tirar a pólvora, colocar essa frase e te dar um tiro – contando pra você que nosso amor não passa de obsessão?" Uma vez, alguém disse que, pra que pudesse ter laços bonitos na vida, ela precisava desfazer os…
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"Se eu te confiasse um segredo e jurasse no pé do seu ouvido – antes de tirar a pólvora, colocar essa frase e te dar um tiro – contando pra você que nosso amor não passa de obsessão?" Uma vez, alguém disse que, pra que pudesse ter laços bonitos na vida, ela precisava desfazer os nós. E foi nesse instante, moço, que entendeu que você era um nó. Apesar de não se verem com tanta frequência e nem conseguirem rotular a espécie de relacionamento que vocês levavam, ela precisava se desfazer disso pra se sentir livre. Ela estava ali pra isso, pra te desfazer de vez. E olha, não esquenta muito a cabeça com a vida, porque talvez você também esteja nessa jornada e nem saiba. Nem vale se martirizar tanto por deixar alguém pra trás, porque se for amor, você volta. Se não for, você continua buscando alguma coisa, alguma resposta, mas nem vem sentir culpa por isso.