Não espere coerência de um animal. Um cão mastigará os restos de uma fralda suja e em seguida lamberá a boca de seu dono, e fará isso sem um pingo de maldade no coração. Já o homem, esse animal desnaturado, cuspirá no prato onde come por uma boa razão — quase sempre desconhecida.
Tudo que se refere ao ser humano me deprime
Cada vez mais e cada vez mais
A humanidade em mim se imprime.
Quão distantes estamos em realidade
Dos animais?
Talvez unicamente nos diferenciemos
Não por alguma razão ou sentimento que temos
Mas pela vaidade.
Grandes homens só se tornam "grandes" quando a maioria se apequena. Sua grandeza se ancora numa tacanhice previamente institucionalizada. Quase sempre, a interdependência inerente a todo contexto social é ignorada: o sujeito já nasce grande, ou se torna assim por conta de alguma predestinação mirabolante, quase mística.
Os verdadeiros grandes homens raramente são reconhecidos em seus momentos cruciais e em sua plena dimensão – justamente quando mais ameaçam a tacanhice do status quo. Pois a grandeza unânime e instantânea quase sempre é um monumento de propaganda, erguido pelo poder que ela serve.