Por mais incrível que parecesse, não conseguiu pronunciar uma palavra sequer. Esteve todo aquele tempo à espera e agora, parado à minha frente, nada saia daqueles doces lábios. Os olhos brilhavam, as mãos tremiam e o perfume das rosas trazidas, agora caídas ao chão, era o que prevalecia. Ainda assim, uma certeza eu tinha: aquele momento era único e me lembraria da cena por anos a fio.
E, nessa nossa história, eu bem que sabia que alguém – eu – acabaria se machucando. Feio. Talvez seja porque me encaixar nos intervalos existentes entre você e ela não seja o suficiente.
Talvez porque eu acabaria cobrando de você o que sei, desde sempre, que não pode me dar.
Dar tempo ao tempo? Melhor não. O tempo, neste caso, pode agravar meu estado emocional.
A dor pode piorar. Dor de indecisão. Aquela que sinto quando me vejo pensando quem vem à sua mente quando algo de bom acontece. Eu? Ela? Outra?
Sinceramente, não posso, nem quero, prometer nada.
Mas sinto que vale a pena. Sabe? Tentar.
Aquelas coisas bobas que você sabe.
Você e eu.
Você meu.
Eu sua.
Queria muito ser um pouquinho egoísta.
Um pouquinho só.
Pra ver se paro de sofrer tanto com o sofrimento dos outros.
Pra ver se consigo ficar um tantinho melhor.